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O mar morto, muito além do Oriente Médio

11/12/2010

Terra Meio Ambiente, 11 de dezembro de 2010

Pode o oceano se acabar? Sim, e a informação não consta de nenhum manuscrito do Mar Morto, o lago gigante do Oriente Médio que banha Jordânia, Israel e Cisjordânia. O alerta é de J.E.N. Veron, o ex-chefe do Instituto de Ciência Marítima Australiano (AIMS, na sigla em inglês), e foi dado na forma de um artigo recém-publicado na revista Yale 360 Environment, publicação da faculdade de Yale (EUA) sobre o meio ambiente.

Segundo Veron, a poluição da água provocada por humanos mais as emissões de dióxido de carbono que causam acidificação de oceanos e possível aquecimento do planeta são o que causa o branqueamento dos corais. Mas isso, sabe-se agora, é o de menos. A novidade trazida pelo ex-cabeça do AIMS após pesquisas é que o fim do mar já tem data, se nada mudar: 2030, no pior cenário, e 2050, numa previsão otimista.

“Se nós não agirmos, os únicos corais não afetados pelo branqueamento em massa até 2050 serão os que estiverem escondidos em abrigos longe da luz do sol”, afirma o pesquisador, que cita em seu artigo a Grande Barreira de Corais, um dos pontos turísticos da Austrália frequentado por mergulhadores de todo o mundo.

Previsão ácida

Tem mais notícia ruim. O problema da acidificação dos oceanos – redução do pH dos mares por causa da absorção do CO2 emitido na atmosfera – não vai afetar apenas corais, escreve Veron, mas ecossistemas marinhos inteiros. Isso porque algumas espécies teriam dificuldades em se reproduzir em águas mais ácidas, eventualmente sumindo.

Com isso, a reação em cadeia seria imprevisível para a vida no próprio planeta a longo prazo. Ou, pra ser mais direto, “as potenciais conseqüências da acidificação do oceano não são nada menos que catastróficas”, nas palavras do estudioso dos mares.

Mesmo que todos os processo de emissão de poluentes cessassem hoje, melhorar o quadro no curto prazo seria impossível. A reversão geoquímica, diz Veron, é coisa “para centenas de milhares de milhões de anos”.

Balde de água fria

Assim, está tudo perdido? Não, pois é possível mudar comportamentos e talvez poupar os oceanos de serem varridos dos mapas. Mas o artigo de Veron termina com uma previsão pessimista. “Se os recifes de corais se forem, o resto seguirá em rápida sucessão, e a Sexta Extinção em Massa se abaterá sobre nós – e virá por nossas mãos”.

(Para contextualizar: as cinco extinções anteriores foram responsáveis pelo sumiço de mais de 60% das espécies de vida do planeta, e aconteceram entre o final do período ordoviciano, há 438 milhões de anos, e do cretáceo, há 65 milhões de anos. A tal sexta extinção, porém, seria diferente em uma novidade: seria a primeira provocada pela ação do homem.)

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