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Só 12% da frota, motos estão envolvidas em 62% das colisões com mortes em SP

12/11/2010

Dados fazem parte do Relatório de Acidentes de Trânsito – 2009, recém-concluído pela CET

Renato Machado, O Estado de S.Paulo, 11 de novembro de 2010

As motos, que representam 12% da frota paulistana, estão envolvidas em três de cada cinco colisões (acidentes entre veículos) com mortes na cidade de São Paulo. Números da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) mostram que só em 2009 as batidas de motocicletas contra automóveis, caminhões, ônibus e outras motos resultaram em 229 vítimas – quase todas motociclistas.

Os dados fazem parte do Relatório de Acidentes de Trânsito – 2009, recém-concluído pela CET. O documento, obtido pelo Estado, é uma radiografia dos acidentes fatais e destrincha os números absolutos de mortes – no total, 1.382 pessoas morreram no trânsito da capital em 2009. Mostra as ocorrências mais comuns, os veículos envolvidos e o perfil das vítimas.

As colisões envolvendo motos são os acidentes que mais provocaram mortos. Na sequência, aparecem os choques (quando a moto bate contra um obstáculo parado, como árvore e poste), que vitimaram 101 pessoas, e os atropelamentos (quando a moto está parada e é atingida por outro veículo), com 5 casos.

“As colisões são mais prejudiciais para as motos, porque elas não têm uma estrutura de defesa, como os demais veículos. O motociclista sofre com o trauma do choque e também da queda e por isso a chance de ser fatal é maior”, diz Marcelo Rosa, ortopedista do Hospital das Clínicas e coordenador de um estudo sobre motociclistas acidentados.

O relatório aponta que 361 colisões no ano passado provocaram mortes. As mais comuns foram as entre motos e automóveis (31,5%); motos e ônibus (15%) e entre automóveis (10%). “Nas rodovias, o problema maior é com caminhões, por causa da falta de visibilidade. Mas na cidade há uma luta com os carros pelo espaço urbano, todos tentando se locomover”, diz o presidente do Sindimotos, Aldemir Martins.

Melhora. O total de motociclistas mortos passou de 478, em 2008, para 428, em 2009, queda de 10% – a redução foi de cerca de 6% no geral do trânsito. “Notamos uma avalanche de motos em 2007 e tanto motoristas quanto motociclistas não sabiam como se comportar. Hoje, a convivência entre carro e moto está melhor”, diz a superintendente de Segurança de Trânsito da CET, Nancy Schneider. Outra razão são os cursos de capacitação para motoboys, com aulas teóricas e de direção segura. “Em muitos casos, ensinamos como uma postura melhor pode evitar queda, quando se passa em um buraco, por exemplo.”

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