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O perigo da globalização de soluções

10/11/2010

Por JP Amaral

Sempre tive alguma resistência com medidas que tem sido encontradas para as mudanças climáticas e, de certa forma, colocadas como soluções globais, ou seja, exemplos para todo o mundo. Essa resistência surgiu principalmente ao me deparar com os “best practices” (melhores exemplos) apresentados no site C40 Cities, da Fundação Clinton. Um dos poucos “exemplos” brasileiros que vi neste portal era o projeto de geração de energia pelo metano do aterro sanitário do Bandeirantes, em São Paulo. É claro que o projeto é um bom exemplo de cogeração de energia, mas é difícil dizer se é um exemplo mundial de gestão de resíduos…

Experiência parecida ocorreu nesta semana e que esclareceu/justificou essa resistência. Um estudo realizado por algumas entidades ambientalistas na Europa comprovaram que os biocombustíveis, tão respeitados aqui no Brasil como um “case internacional”, podem ser mais prejudiciais que combustíveis fósseis para as mudanças climáticas se aplicado na Europa. É claro que não é uma defesa para a Europa continuar consumindo petróleo excessivamente, mas uma reflexão para o perigo de globalizar soluções que se dizem sustentáveis.

Segue abaixo notícia completa sobre o estudo:

Biocombustíveis fazem mais mal ao clima que fósseis, diz estudo


Por Pete Harrison
De Bruxelas, Bélgica

Os planos europeus de promoção dos biocombustíveis levarão os agricultores a converterem 69 mil quilômetros quadrados de vegetação nativa em lavouras, reduzindo a oferta de alimentos aos pobres e acelerando a mudança climática, segundo um relatório divulgado por ambientalistas na segunda-feira.

De acordo com esse estudo, o biocombustível adicional a ser usado na Europa ao longo da próxima década irá gerar entre 81 e 167 por cento a mais de dióxido de carbono do que os combustíveis fósseis.

Nove entidades ambientais chegaram a essa conclusão depois de analisarem dados oficiais relativos à meta da União Europeia de que até 2020 os combustíveis renováveis representem 10 por cento do total usado em transportes no bloco.

A equipe energética da Comissão Europeia, que formulou tal meta, argumentou que o impacto não será tão grande, porque os biocombustíveis serão extraídos principalmente de plantações em terras agrícolas atualmente abandonadas na Europa e na Ásia.

Novas estimativas científicas lançadas neste ano colocam em dúvida a sustentabilidade da meta dos 10 por cento, mas autoridades energéticas da UE afirmam que apenas dois terços da meta será alcançada pelos biocombustíveis, e que veículos elétricos, alimentados por fontes renováveis, oferecerão um equilíbrio.

No entanto, estratégias nacionais de energias renováveis publicadas até agora por 23 dos 27 países da UE mostram que até 2020 9,5 por cento dos combustíveis usados nos transportes devem ser biocombustíveis, e que 90 por cento disso virá de cultivos alimentares, segundo o relatório.

O debate gira em torno de um novo conceito, conhecido como “mudança indireta do uso fundiário.”

Basicamente, isso significa que transformar uma lavoura de grãos em cultivo de matéria-prima para biocombustíveis fará alguém, em algum lugar, passar fome, caso essas toneladas de grãos a menos não passarem a ser cultivadas em outro lugar.

Os fundamentos econômicos sugerem que esse déficit alimentar seria suprido com a ampliação da fronteira agrícola para áreas tropicais, o que implicaria a destruição de florestas — um processo que pode gerar enormes emissões de gases do efeito estufa, pela queima ou apodrecimento das árvores, revertendo eventuais benefícios que os biocombustíveis deveriam trazer.

O relatório diz que a estratégia da UE para os biocombustíveis poderia gerar 27 a 56 milhões de toneladas adicionais de gases do efeito estufa por ano. No pior cenário, isso seria equivalente a colocar 26 milhões de carros nas estradas europeias, diz o estudo.

Produtores tradicionais de biocombustíveis argumentam que a UE não deveria alterar suas políticas de promoção dos biocombustíveis levando em conta as novas estimativas científicas, porque estas ainda são incertas.

“Qualquer política pública baseada em resultados tão altamente contestáveis seria facilmente desafiada na Organização Mundial do Comércio,” disse o representante da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Emmanuel Desplechin.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/reuters/2010/11/08/biocombustiveis-fazem-mais-mal-ao-clima-que-fosseis-diz-estudo.jhtm

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2 Comentários leave one →
  1. 10/11/2010 13:35

    Muito bom esse post!

  2. 12/11/2010 6:06

    Muito interessante este post.

    Parabéns

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