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China, a superpotência energética do século XXI

16/10/2010

Se quiserem saber em que direcção está a soprar o vento global (ou a brilhar o sol, ou a queimar o carvão) olhem para a China. As novidades em torno do nosso futuro energético, ou do futuro das grandes potências do planeta, vêm daí.

Michael T. Klare, Esquerda.net, 16 Outubro, 2010

Washington já está a fazê-lo. E está a fazê-lo com uma grande dose de ansiedade. Poucas vezes uma entrevista foi tão reveladora acerca da mudança do poder global a que estamos a assistir no nosso mundo: a 20 de Julho, o principal economista da Agência de Energia Internacional (AEI), Faith Birol, declarou ao Wall Street Journal que a China tinha ultrapassado os Estados Unidos ao transformar-se no primeiro consumidor mundial de energia. Poderíamos ler esta notícia de diversas maneiras: como uma prova da superioridade industrial chinesa; como uma evidência da persistente recessão nos Estados Unidos; como prova da crescente popularidade dos automóveis naquele país oriental; e até como prova de uma maior eficiência energética em comparação com a norte-americana. Todas estas observações seriam válidas. Mas evitariam a questão principal: ao transformar-se no principal consumidor planetário de energia, a China assegurará o seu papel dominante no cenário internacional e determinará o rumo do nosso futuro global.

Se tivermos em conta a ligação estreita entre energia e economia global, bem como as dúvidas crescentes sobre a futura disponibilidade do petróleo e de outros combustíveis, as decisões chinesas em matéria energética passarão a ter um impacto de grande alcance. Como actor principal no mercado energético global, a China determinará de uma forma decisiva, não só os preços que se pagarão por combustíveis fundamentais, mas também os sistemas energéticos que predominarão daqui em diante. Mais: as decisões chinesas em matéria energética determinarão se a China e os Estados Unidos conseguem evitar ser arrastados para uma batalha global pela importação de petróleo e se o mundo escapará a alterações climatéricas de dimensões catastróficas.

Como aumentar a própria primazia no cenário mundial

É difícil apercebermo-nos do significado do novo predomínio chinês em matéria energética se não tivermos consciência do que este significou na sua época para a hegemonia dos Estados Unidos. O facto de a região nordeste dos jovens Estados Unidos ser rica em reservas aquíferas e de carvão foi decisivo para a industrialização precoce do país, bem como para a eventual vitória do Norte na Guerra Civil. Contudo, o que transformou os Estados Unidos num actor decisivo no cenário global foi a descoberta de petróleo na Pensilvânia, em 1859. A extracção e exportação de petróleo alimentou a prosperidade norte-americana no início do século XX – ficando o país como principal produtor mundial – bem como a promoção das suas gigantescas empresas. Neste sentido, não devemos esquecer que a primeira empresa multinacional – a Standard Oil Company, de John D. Rockefeller – foi criada a partir da exploração e da exportação de petróleo norte-americano. A legislação antitrust dividiria a Standard Oil em 1911, mas duas das suas principais descendentes, a Standard Oil de Nova Iorque e a Standard Oil de New Jersey, acabaram por se fundir naquela que é actualmente a empresa com cotação na bolsa mais rica do mundo: a Exxon Móbil. Outra das suas descendentes, a Standard Oil da Califórnia, transformar-se-ia na Chevron, hoje a terceira empresa mais rica dos Estados Unidos.

O petróleo também desempenhou um papel fundamental no poderio militar ascendente dos Estados Unidos à escala planetária. Isso permitiu-lhe, por exemplo, proporcionar às forças aliadas, tanto na Primeira como na Segunda Guerra Mundial, a maior parte do petróleo de que necessitavam. De facto, entre as grandes potências da época, só os Estados Unidos eram auto-suficientes em matéria de petróleo. Isto significava que podiam manter exércitos numerosos na Europa e na Ásia, superando assim as bem equipadas (mas muito pobres em petróleo) forças alemães e japonesas. Poucos têm hoje consciência destes factos. Para os arquitectos da vitória norte-americana na Segunda Guerra Mundial, incluindo para o presidente Roosevelt, era evidente, pelo contrário, que seriam as reservas petrolíferas da nação, mais do que a bomba atómica, que acabariam por ser decisivas.

Ao criarem uma estrutura económica e militar baseada no petróleo, os dirigentes dos Estados Unidos viram-se forçados a adoptar medidas cada vez mais dispendiosas e desesperadas para garantir que esta dispusesse sempre de uma provisão adequada de energia. Após a Segunda Guerra Mundial, à medida que as reservas internas começavam a diminuir, os sucessivos presidentes norte-americanos viram-se obrigados a traçar uma estratégia mundial que garantisse para o seu país o petróleo transoceânico. Inicialmente, os escolhidos para serem «gasolineiras» das refinarias e das forças militares norte-americanas foram os reinos da Arábia Saudita e do Golfo Pérsico. As empresas petrolíferas dos Estados Unidos, sobretudo as descendentes da Standard Oil, receberam inúmeros incentivos e ajudas para garantirem uma maior presença nestes países. Em boa medida, de facto, a maior parte das decisões estratégicas do pós-guerra – a Doutrina Truman, a Doutrina Eisenhower, a Doutrina Nixon, e, muito particularmente, a Doutrina Carter – tiveram como objectivo proteger estas «gasolineiras».

Também hoje, evidentemente, o petróleo desempenha um papel central nos planos e acções mundiais de Washington. O Departamento de Estado, por exemplo, mantém ainda uma dispendiosa, e firmemente arraigada, força militar no Golfo Pérsico, com o objectivo de garantir a «segurança» das exportações de petróleo da região. E estendeu também o seu braço armado a algumas zonas fundamentais de produção de petróleo do Mar Cáspio e da África Ocidental. A necessidade de manter laços amistosos e relações militares com fornecedores importantes como o Kuweit, a Nigéria e a Arábia Saudita, continua a dominar a política externa dos Estados Unidos. Da mesma forma, e à medida que o aquecimento global avança, o interesse norte-americano no Árctico e nas suas reservas de hidrocarbonetos disparou.

Um planeta de carvão?

Tal como aconteceu no passado, é muito provável que o facto de a China ter substituído os Estados Unidos no consumo global de energia provoque também a alteração da sua política externa. Não há dúvida, para dizer o mínimo, de que afectará as relações sino-americanas, não falando já da agenda política mundial. Tendo em conta a experiência norte-americana, pode esperar-se outra coisa da China?

Quem quer que leia as páginas de economia da imprensa pode aperceber-se de que a questão energética é uma das mais importantes para os dirigentes chineses. Prova disso, são os enormes recursos que lhe são destinados, bem como a procura planificada de novas fontes de fornecimento. De facto, os dirigentes chineses têm de enfrentar agora dois desafios: garantir energia suficiente para fazer face a uma procura crescente e decidir que combustíveis lhes permitirão satisfazer estas exigências. A forma como a China responder a estes desafios terá um impacto decisivo no cenário internacional.

De acordo com as projecções mais recentes do Departamento de Energia dos Estados Unidos, o consumo de energia na China crescerá cerca de 133% entre 2007 e 2035, ou seja, de 78 a 132 quatriliões de unidades térmicas britânicas (BTU, em inglês). Para compreendermos o que isto significa, pensemos no seguinte: os 104 quatriliões de BTU que a China precisa de incorporar nos seus consumos energéticos no próximo quarto de século equivalem à totalidade do consumo energético da Europa e do Médio Oriente em 2007. Encontrar e injectar na China todo este petróleo, todo este gás natural e muitos outros combustíveis será, sem dúvida, o principal desafio económico e industrial de Pequim, um desafio que encerra possibilidades reais de fricção e de conflito.

Ainda que a maior parte das fontes energéticas chinesas sejam de origem doméstica, os gastos crescentes de importação de combustíveis (petróleo, gás natural e urânio) e de maquinaria específica (refinarias de petróleo, unidades geradoras de energia, reactores nucleares) acabarão por determinar de uma forma significativa o preço mundial destes itens, papel até agora desempenhado basicamente pelos Estados Unidos. Mais importante ainda, serão contudo as decisões de Pequim acerca do tipo de energia na qual investir.

Se os dirigentes chineses seguirem a sua intuição natural, evitarão qualquer grande dependência de combustíveis importados. Como é sabido, a dependência energética do estrangeiro torna os países bastantes vulneráveis relativamente a possíveis interrupções no fornecimento ou, no caso chinês, a um eventual bloqueio dos Estados Unidos (na hipótese, por exemplo, de um conflito prolongado com Taiwan). Atribuem-se a Li Junfeng, um alto funcionário de energia chinês, algumas declarações segundo as quais «o fornecimento de energia deveria vir de sítios que podemos pisar», ou seja, de fontes internas.

Há um tipo de combustível que a China possui em abundância: carvão. Segundo cálculos recentes do Departamento de Energia, o carvão representará cerca de 62% do fornecimento bruto de energia chinesa em 2035, apenas um pouco menos que na actualidade. Uma dependência tão grande do carvão, no entanto, iria exacerbar também os problemas ambientais do país, aumentando os custos em saúde e afectando a restante economia. Somado a tudo isto, a China é hoje o principal emissor de dióxido de carbono. Segundo o Departamento de Energia, a quota chinesa de emissões de dióxido de carbono passaria dos 19,6% de 2005 – quando ainda estava abaixo dos 21,1% dos Estados Unidos – para 31,4% em 2035, já acima de qualquer outro país.

Enquanto Pequim recusar reduzir de uma forma significativa a sua dependência do carvão, as suas declarações e compromissos sobre o aquecimento global não passarão de pura retórica e será impossível esperar que adopte qualquer medida para enfrentar as alterações climáticas. Também nesta área, a sua actuação alterará claramente a face do planeta.

No entanto e ultimamente, os dirigentes do país parecem ter-se tornado mais sensíveis aos riscos de uma excessiva dependência do carvão. São inúmeras as vozes que insistem na necessidade de desenvolver energias renováveis, especialmente as energias eólica e solar. De facto, em pouco tempo, a China transformou-se no principal produtor mundial de turbinas de vento e de painéis solares e começou a exportar a sua tecnologia para os Estados Unidos (alguns economistas e sindicatos denunciaram que a China está a subsidiar de uma forma ilegítima as suas exportações ligadas às energias renováveis, numa violação clara das normas da Organização Mundial do Comércio).

O apoio da China às energias renováveis seria uma boa notícia, desde que isso implicasse uma redução significativa no uso do carvão. Ao mesmo tempo, o desenvolvimento técnico nesta área poderia colocar este país oriental na vanguarda de uma verdadeira revolução tecnológica, tal como a primazia dos Estados Unidos em tecnologia petrolífera os catapultou para o lugar cimeiro das potências mundiais no século XX. Mais, se os Estados Unidos não conseguirem acompanhar o ritmo da China, poderíamos assistir a uma aceleração no seu declive como potência mundial.

De quem é a Arábia Saudita?

A sede chinesa de energia complementar poderia conduzir também, e rapidamente, a uma situação de fricção e de conflito com os Estados Unidos, sobretudo se pensarmos num cenário de concorrência mundial crescente pelas fontes de petróleo cada vez mais escassas. À medida que o seu consumo energético disparar, a China necessitará de utilizar mais petróleo. Isso obrigá-la-á, necessariamente, a uma maior presença económica, política e, talvez um dia, até militar nas grandes regiões produtoras, zonas que Washington sempre considerou reservas energéticas exclusivas.

Em 1995, a China só consumia 3,4 milhões de barris de petróleo por dia. Isto significava um quinto do volume utilizado pelos Estados Unidos, nessa altura o principal consumidor mundial, e dois terços do consumo japonês, segundo à escala mundial. Como a China extraía 2,9 milhões de barris dos seus próprios poços, as suas importações não ultrapassavam os 500 000 barris por dia. Enquanto isso, os Estados Unidos importavam 9,4 milhões de barris e o Japão cerca de 5,3 milhões.

Por volta de 2009, a China tinha passado a ocupar o segundo lugar com 8,6 milhões de barris diários, quantidade ainda inferior aos 18,7 milhões dos Estados Unidos. No entanto, a percentagem da produção interna tinha caído para cerca de 3,8 milhões de barris diários, tal como acontecera nos Estados Unidos no tempo da Guerra Fria. Com efeito, em 2009 a China importava já 4,8 milhões de barris diários, número muito superior ao do Japão – que na realidade conseguira diminuir a sua dependência do petróleo – e quase metade do número de barris diários importados pelos Estados Unidos. Tudo indica que nas décadas vindouras este número irá aumentar.

De acordo com as projecções do Departamento de Energia, a China substituirá os Estados Unidos como principal importador de petróleo, com cerca de 10,6 milhões de barris diários, por volta de 2030, aproximadamente (alguns especialistas acreditam mesmo que isto poderá acontecer antes). Independentemente da data exacta, a verdade é que os dirigentes chineses estão já mergulhados no mesmo «dilema» de poder que os Estados Unidos tiveram de enfrentar durante anos, ao depender de um recurso vital que só um punhado de produtores pouco confiáveis pode proporcionar, produtores situados em áreas de crise e de conflitos crónicos.

Com efeito, é da Arábia Saudita, do Irão, de Angola, de Omã, do Sudão, do Kuwait, da Rússia, do Cazaquistão, da Líbia e da Venezuela, que a China obtém hoje a maior parte do petróleo que importa. Querendo garantir a confiança dos fluxos de petróleo provenientes destes países, Pequim estabeleceu laços estreitos com os seus líderes e, nalguns casos, proporcionou-lhes consideráveis ajudas militares e económicas. É exactamente o mesmo caminho seguido anteriormente por Washington com alguns destes países.

As empresas públicas de energia chinesas estabeleceram também «parcerias estratégicas» com empresas destes países e reservaram mesmo o direito de explorar outros depósitos petrolíferos. Particularmente reveladora é a forma como Pequim tentou minar a influência dos Estados Unidos na Arábia Saudita e entre outros produtores cruciais do Golfo Pérsico. Em 2009, e pela primeira vez, a China importou mais petróleo da Arábia Saudita que os Estados Unidos, uma alteração geopolítica de enorme importância, tendo em conta a história das relações entre estes dois países. Embora não concorra com Washington em matéria de ajuda militar, Pequim não deixou de enviar os seus dirigentes mais importantes a Riad com uma mensagem clara: apoiar as exigências sauditas sem recorrer à retórica a favor da democracia e dos direitos humanos frequentemente associada à política externa norte-americana.

Estas práticas deveriam parecer bastante familiares. No fim de contas, os Estados Unidos também tentaram adular os sauditas quando se aperceberam de que este reino poderia ser a sua «gasolineira» transoceânica se o transformassem num protectorado militar. Em 1945, por volta do fim da Segunda Guerra Mundial, o presidente Roosevelt efectuou uma viagem especial para se encontrar com o rei Abdel Aziz da Arábia Saudita e assinar um acordo de protecção em troca de petróleo, acordo que perdura até hoje. Neste contexto não surpreende que os dirigentes norte-americanos não vejam a analogia (ou tratem de não a reconhecer) e prefiram apresentar a intrusão da China no Médio Oriente como uma política antagónica à sua.

À medida que a dependência chinesa dos produtores transoceânicos aumentar, os laços com os seus líderes provavelmente crescerão também, o que provocará maiores fricções no cenário internacional. As reticências de Pequim em quebrar os seus vínculos vitais energéticos com o Irão, por exemplo, frustraram já as tentativas dos Estados Unidos de impor novas sanções económicas ao Irão com o objectivo de o obrigar a abandonar as suas operações com urânio enriquecido. Da mesma forma, o recente empréstimo chinês de 20 000 milhões de dólares à indústria petrolífera venezuelana deu um novo fôlego ao presidente Hugo Chávez, numa altura em que a sua popularidade interna, bem como a sua capacidade de contrabalançar as políticas dos Estados Unidos, estava a deteriorar-se. Os chineses mantiveram também os seus laços de amizade com o presidente Omar Hassan Ahmad al Bashir, do Sudão, apesar dos esforços de Washington em apresentá-lo como um pária internacional pelo seu presumível papel nos massacres de Darfur.

A diplomacia de armas por petróleo num planeta perigoso

A pretensão chinesa de estreitar vínculos com os seus fornecedores de petróleo já provocou algumas fricções com os Estados Unidos. À medida que entrarmos na era do «petróleo degradado» e que a oferta mundial de petróleo acessível diminuir rapidamente, os riscos de um conflito mais sério aumentarão também.

Segundo os cálculos do Departamento de Energia, a provisão mundial de petróleo e de outros líquidos derivados deste será, em 2035, de cerca de 110,6 milhões de barris por dia, suficiente para permitir antecipar a procura global chegado o momento. No entanto, alguns geólogos acreditam que a produção global de petróleo atingirá um umbral bastante inferior aos 100 milhões de barris por dia por volta de 2015 e que começará a cair a partir dessa altura. Soma-se a isto o facto de o petróleo sobrante só poder ser encontrado em zonas de difícil acesso ou em regiões bastante instáveis. Se estas previsões estiverem correctas, os Estados Unidos e a China – os dois principais importadores de petróleo – poderiam ver-se presos num jogo de soma zero para acederem a fontes de petróleo exportável claramente decrescentes.

Evidentemente, é impossível prever o que poderia acontecer numa situação hipotética semelhante. Se ambos os países continuarem com a sua política actual de armar os fornecedores aliados numa tentativa desesperada de obter vantagens a longo prazo, estes fornecedores também poderão dirigir as suas desconfianças ou receios na direcção dos seus, igualmente bem armados, vizinhos. O acréscimo de assessores militares e de instrutores chineses e norte-americanos nesses países poderia mesmo arrastar ambas as potências para guerras locais e conflitos fronteiriços. Nem Pequim nem Washington desejarão este cenário, mas a lógica da diplomacia de armas por petróleo torna este risco inevitável.

Definitivamente, não é complicado esboçar um futuro no qual Estados Unidos e China se vejam envolvidos numa luta global pelas reservas restantes de petróleo. Em Washington, na realidade, não são poucos os que consideram esta colisão quase inevitável. «A concentração chinesa face a possíveis contingências no estreito de Taiwan […] é um impulso importante para a sua modernização [militar]», constatava o Departamento de Defesa na edição de 2008 do seu relatório anual, O Poder Militar da República Popular da China. «No entanto – continuava – uma análise das suas aquisições militares e do seu pensamento estratégico sugere que Pequim está também a desenvolver capacidades para enfrentar outras contingências, como sejam os conflitos por recursos».

Os conflitos por reservas planetárias de petróleo não são, contudo, o único caminho que o novo estatuto da China como potência energética poderia abrir. Com efeito, é também possível imaginar um futuro de cooperação mútua entre a China e os Estados Unidos com o objectivo de procurarem alternativas energéticas que evitassem a necessidade de injectar somas enormes na corrida armamentista naval e militar. O presidente Obama e o seu homólogo chinês, Hu Jintao, pareceram entrever esta possibilidade quando, numa cimeira efectuada em Pequim em Novembro passado, acordaram colaborar no desenvolvimento de combustíveis e de sistemas de transporte alternativos.

Aqui chegados, duas coisas são evidentes: 1º- quanto maior for a dependência chinesa da importação de petróleo, maior será o risco de fricção e de conflito com os Estados Unidos, cuja dependência de fontes problemáticas de energia é também crescente; 2º- quanto maior for a sua dependência do carvão, menos cómoda será a nossa vida no planeta. Finalmente, quanto maior for a sua ênfase nos combustíveis alternativos, mais possibilidades terá de se transformar na grande potência do século XXI. A resposta que a China poderá dar às suas necessidades energéticas, entre todas as possíveis, é ainda incerta. Qualquer que seja a sua decisão, abalará o mundo.

Artigo publicado em TomDispatch.com
Tradução de Helena Pitta para esquerda.net

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3 Comentários leave one →
  1. Larissa permalink
    19/10/2010 11:45

    Embora a China já seja o maior consumidor de energia do mundo, li no blog http://www.desafiocidadessustentaveis.com.br que o país planeja chegar a 2020 com 15% da energia consumida vinda de recursos renováveis.
    Se todos os países em desenvolvimento demonstrassem a mesma preocupação, com certeza já seria um avanço. Creio que os países desenvolvidos, ao ver sua hegemonia ameaçada, como é o caso dos EUA, deverão correr atrás do prejuízo também, concorda?

  2. Esther Marques permalink
    26/10/2010 19:00

    Concordo com a Larissa e aproveito para divulgar um blog muito interessante: http://www.cidadesverdes.com.br

  3. 22/11/2010 19:42

    Post muito interessante.

    Parabéns pelo site.

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