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Paulistano perde 27 dias por ano no trânsito

05/10/2010

Pesquisa mostra ainda que 68% dos entrevistados consideram tráfego ruim

Eduardo Reina, O Estado de S.Paulo, 17 de setembro de 2010

Os paulistanos perdem, em média, 27 dias por ano no trânsito da cidade. Pesquisa do Ibope, feita a pedido do Movimento Nossa São Paulo, mostra que o tempo médio gasto no trânsito para realizar todos os deslocamentos diários é de 2 horas e 42 minutos, um minuto a menos do que a média do ano passado. Isso significa que a cada mês o cidadão passa dois dias e seis horas no carro ou no transporte público para se locomover.

A avaliação do trânsito continua a mesma: 68% dos entrevistados o consideram ruim ou péssimo, uma variação de três pontos a menos do índice registrado no ano passado. Esta é a quarta edição da pesquisa anual “Nossa São Paulo/Ibope – Dia Mundial Sem Carro”. As entrevistas foram feitas entre os dias 25 e 30 de agosto. Foram ouvidos 805 paulistanos nas cinco regiões da capital, todos com mais de 16 anos. A margem de erro é de três pontos para mais ou para menos.

Cansados dos engarrafamentos, 76% dos entrevistados afirmaram que deixariam de usar o carro se houvesse boa alternativa de transporte público de passageiros. Segundo o Ibope, o número de paulistanos que utilizam carros todos os dias ou quase todos os dias é de aproximadamente 2 milhões de pessoas. Isso significa que cerca de 1,5 milhão de motoristas – o equivalente a 20% da população da capital – estão dispostos a deixar o carro na garagem. Para 67%, o transporte público deveria receber mais atenção dos governos.

Segundo Oded Grajew, do Nossa São Paulo, é preciso haver uma grande mobilização para que a promessa de usar menos o carro se torne real. “É preciso um transporte de qualidade, que atenda a todas as regiões da cidade”, afirma. Boa oportunidade é colocar a ação em prática na quarta-feira, quando ocorrerá o Dia Mundial Sem Carro.

“Sem gastar milhões de reais é possível deixar os ônibus andarem em faixas exclusivas. A Marginal do Tietê, por exemplo, comporta um corredor metropolitano exclusivo de ônibus unindo cidades da Região Metropolitana. Para isso é preciso planejar, fazer passarelas para os usuários, plataformas e bilheterias externas. Mesmo porque os congestionamentos na Marginal estão voltando”, afirma Horário Figueira, engenheiro e consultor de trânsito.

Meu carro, minha vida. Na cidade dos carros, moradores da região central, onde a oferta de metrô e transporte público é maior e melhor, são os que mais utilizam veículos para se locomover diariamente ou quase todos os dias na cidade. Somam 83% neste ano. Em 2009, a pesquisa mostrou que eram 86%. Já os moradores motorizados da zona leste são hoje 79%, contra 74% no ano passado. Na zona sul, são 80%, na oeste 72%, na norte 66%. Segundo o Departamento Estadual de Trânsito (Detran), São Paulo tem cerca de 6,8 milhões de veículos registrados. A cada dia, pelo menos 600 novos emplacamentos são feitos.

Pouco mais da metade dos paulistanos – 55% – afirmou usar mais de um meio de locomoção diariamente. São mais comuns os deslocamentos a pé (45%), de ônibus (16%), carro (14%), lotação (7%) e metrô (6%). A bicicleta é adotada por 3% da população, o equivalente a 223 mil paulistanos, de acordo com a pesquisa. E 25% afirmaram que passariam a usar esse meio de transporte para se locomover na capital se fossem construídas ciclovias seguras.

Se a cidade tivesse outras ciclofaixas, 68% dos entrevistados mostrariam disposição de utilizar as magrelas. Esse potencial equivale a um exército de 5,3 milhões de pessoas sobre duas rodas. Mais de nove em cada dez (92%) são favoráveis à construção ou ampliação de ciclovias, enquanto o grupo contrário caiu de 11% para apenas 5%.

Proibições. A limitação de circulação de veículos na cidade começa a perder adesão. A pesquisa aponta que o rodízio de veículos em dois dias é apoiado por 41% das pessoas – em 2009, eram 52%. Já o número de paulistanos contra cresceu: foi de 46% para 56%.

O apoio ao pedágio urbano no centro expandido baixou seis pontos em um ano, de 26% para 20%. Por outro lado, são 62% aqueles que se dizem favoráveis à proibição de estacionamento nas ruas e vias do centro expandido da capital.

Para ganhar tempo, carro na garagem e ônibus

Nos 12 quilômetros que separam sua casa no Ipiranga, na zona sul, até o bairro da Liberdade, no centro, onde trabalha, a operadora de turismo Patrícia Andrade gasta diariamente uma hora e meia de carro. Para evitar dores de cabeça e perda de compromissos, às vezes usa metrô ou ônibus. A opção pelo transporte público torna o percurso mais rápido: 50 minutos. “Vale até mesmo táxi. Sai mais barato, não precisa pagar estacionamento e não há risco de assalto.”

Para Patrícia, as restrições do trânsito de caminhões na Marginal do Pinheiros e nas Avenidas Jornalista Roberto Marinho e dos Bandeirantes, além da ampliação das pistas da Marginal do Tietê, ajudaram a melhorar o trânsito. “Mas não o suficiente. Caminhões continuam a atormentar todo mundo.”

O auxiliar administrativo Carlos Pereira, que mora em Itaquera, na zona leste, e trabalha na Avenida Luiz Carlos Berrini, na zona sul, aproveita o trânsito para escutar audiolivros e relaxar. “Não consigo me concentrar direito, mas vou escutando.”

Já o engenheiro Ascânio Vicente Baldin não dispensa seu carro, onde passa pelo menos quatro horas por dia indo de um cliente para outro. “Preciso toda hora carregar computador e malas de equipamentos”, afirma. Em sua opinião, a falta de planejamento no transporte público é o grande problema de São Paulo

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