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São PAulo à venda. Construtoras criam obras viárias de R$ 15,6 bi.

27/08/2010

Plano viário tem 200 propostas para “servir de orientação” aos candidatos à prefeitura Pacote abrange túneis, pontes, viadutos e avenidas; para especialistas, sugestões contrariam prioridade ao transporte coletivo

Algumas das principais construtoras do país criaram um plano de 200 obras viárias na cidade de São Paulo, ao custo estimado de R$ 15,6 bilhões, com a ambição de “servir de orientação às equipes dos candidatos” à prefeitura e de influenciar as decisões do poder público nos próximos anos.

Tratado como um banco de projetos para atenuar os gargalos do trânsito, abrange intervenções polêmicas, como a construção de um complexo de R$ 884 milhões com túneis no Morumbi e outro de R$ 254 milhões entre a rodovia Raposo Tavares e a marginal Pinheiros.

A estratégia do estudo contratado pelo sindicato que reúne as empreiteiras no Estado, na prática, é deixar as sugestões na prateleira para acelerar a tomada de decisões por novas obras de interesse direto da indústria da construção pesada. O plano das construtoras é intitulado “São Paulo por um trânsito melhor”.

Na avaliação de cinco especialistas ouvidos pela Folha, a proposta de expansão da malha viária principalmente voltada para os carros vai na contramão da necessidade de restrição ao transporte individual e de prioridade ao coletivo. Embora haja propostas de corredores e terminais de ônibus, a dimensão de investimentos direcionada para essa área se limita a 28% do total. O custo para tirar todas as obras do papel é suficiente para construir de 80 a 100 km de metrô, o que mais que dobraria a rede atual, de 61,3 km.
O Sinicesp (sindicato da construção pesada), contratante do estudo, tem em sua diretoria representantes de empreiteiras como OAS, Queiroz Galvão e Camargo Corrêa. Na semana passada, já começou a contatar as equipes dos principais candidatos a prefeito para agendar a entrega do plano.

Técnicos entrevistados consideram que, no trabalho, há obras defensáveis, embora insuficientes para compensar a entrada superior a mil novos veículos por dia nas ruas. E avaliam ser grande a possibilidade de as apostas das construtoras serem usadas como diretrizes no município.

Primeiro, devido ao apelo popular que, desde as últimas décadas, estimula a realização de intervenções favoráveis aos carros -apesar das críticas. Segundo, pela falta de projetistas do município e pelo poder de influência das empreiteiras, segmento que costuma financiar campanhas eleitorais de diversos partidos.

Profissionais ligados ao Executivo e às construtoras relatam que algumas das principais obras viárias já feitas ou em discussão foram precedidas de sugestões das próprias empresas. Ou seja, a iniciativa das empreiteiras de propor as intervenções de seu interesse sempre existiu, mas nunca de forma tão ampla e detalhada.

Aqui tem a lista de alguns projetos viários (tem túneis absurdos, tipo r. Natingui-av. Pompeia e av. Hélio Pellegrino-av. Ibirapuera, mais um por baixo do Ibirapuera!):http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u439876.shtml

Reportagem de ALENCAR IZIDORO RICARDO SANGIOVANNI DA REPORTAGEM LOCAL

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