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Expansão do metrô recebe menos verba que obra viária

16/08/2010

Malha poderia ser 50% maior se gastos da década fossem só para os trilhos. Governos investiram R$ 13,5 bi em novas vias, mais do que os R$ 12 bi estimados para fazer 30 km de linhas.

Alencar Izidoro, Folha de S.Paulo, 15 de agosto de 2010 

Mais do que novas avenidas, túneis e viadutos, a solução do transporte na região metropolitana de São Paulo está na expansão do metrô. O discurso parece até repetitivo -por já ser endossado por nove entre dez políticos deste século. Só que, na prática, não foi seguido à risca pelas várias esferas de governo e partidos, do PSDB ao PT.

Levantamento da Folha mostra que a Grande São Paulo deve completar a década com um desembolso acima de R$ 13,5 bilhões com as suas dez principais obras viárias novas. É dinheiro suficiente para, com folga, aumentar em 50% a rede atual do metrô paulistano.

E é mais do que os R$ 12 bilhões estimados para construir e equipar os 30 km de novas linhas de metrô que a região ganhou ou ganhará de 2000 até meados de 2011.

A conta considera só a ampliação do sistema metroviário em quilômetros e a construção de mais faixas de tráfego. Ela exclui os casos que se limitaram à modernização, reformas e equipamentos para vias ou metrô -bem como a melhoria dos trens e outros transportes coletivos.

Os cálculos motivam duas avaliações de especialistas: 1) O ritmo de expansão do metrô, inferior a 3 km/ano, prosseguiu tímido, embora superior à média de 1,5 km/ano das décadas anteriores; 2) Ainda que haja obras viárias importantes e úteis, é ruim que se invista mais nelas do que em metrô.

“Os políticos só pensam no alívio imediato do trânsito. Mas após uns três anos ele acaba. Os problemas voltam piores. É um remédio envenenado”, diz Sergio Ejzenberg, engenheiro e mestre em transportes pela USP.

REPETIÇÃO
Na lista de obras viárias desta década estão desde túneis construídos pela ex-prefeita Marta Suplicy (PT) até a alça sul do Rodoanel, que teve a contribuição do ex-governador José Serra (PSDB) e do presidente Lula (PT). A insuficiência da expansão do metrô também tem responsabilidade dividida.

A obra tem sido historicamente uma atribuição do Estado, comandado nesta década por gestões tucanas. O mesmo governo Lula que forneceu R$ 1,2 bilhão ao Rodoanel, porém, quase não investiu na expansão do metrô paulistano (exceção a empréstimos e um repasse de R$ 270 milhões cujo gasto não era obrigatório em metrô).

Participe de enquete sobre os gastos com transporte em SP

polls.folha.com.br/poll/1022505/

Prioridade é para o transporte coletivo, afirma governo de SP

O Estado considera que os investimentos viários que tiveram a sua participação visam “melhorar a mobilidade do cidadão”. Diz que ataca “os gargalos do trânsito”, mas direciona “recursos vultosos” ao transporte coletivo.

O discurso é semelhante ao do governo federal, que cita seus gastos no Rodoanel e na ampliação da Jacu-Pêssego por serem importantes ao fluxo de cargas e investimentos no transporte coletivo, como R$ 250 milhões no Expresso Tiradentes.

A Secretaria de Estado dos Transportes cita crescimento no uso do transporte público, conforme pesquisa de 2007.  O resultado mostrou que 55% das viagens na Grande SP eram de ônibus, trem ou metrô, ante 47% em 2002. Ele foi atribuído sobretudo à implantação do Bilhete Único. O Metrô foi procurado, mas se negou a informar os custos das linhas e estações construídas nesta década.

A Folha usou a estimativa de R$ 400 milhões por quilômetro de metrô -acima do parâmetro habitual de R$ 200 milhões por quilômetro de obra, mas que, ao incluir trens e sistemas, fica perto de valores levantados pelo Tribunal de Contas em SP.
A companhia não comentou as comparações de gastos com obras viárias.

O Metrô diz que a atual gestão está aplicando R$ 21 bilhões no transporte coletivo, incluindo todos os gastos. Ele se nega a explicar e detalhar o valor -que a oposição diz ser muito inferior.

O Estado costuma destacar os investimentos na melhoria dos trens da CPTM. Com isso, diz que São Paulo está ganhando 240 km com “qualidade de metrô”.

Esse investimento (novos trens, reforma de estações, redução dos tempos de viagem) é considerado positivo por técnicos -embora permaneçam diferenças significativas com a rede de metrô.

O Ministério das Cidades ressaltou um empréstimo de R$ 1,6 bilhão do BNDES ao Metrô. Afirma que ele ocorreu em “condições favoráveis, constituindo subsídio ao investimento direto”.

A Prefeitura de São Paulo -que teve participação financeira minoritária nas maiores obras viárias desta década- disse que os gastos de 2003 a 2006 com reformas e implantação de corredores de ônibus atingiram R$ 563 milhões. A atual gestão inovou ao prometer R$ 1 bilhão ao Metrô, mas não informou quanto já transferiu. (AI)

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