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Novas evidências do aquecimento global

05/08/2010

Antônio Martins, Outras Palavras /Envolverde, 2 de agosto de 2010

Há poucos meses, quando o hemisfério Norte viveu um inverno especialmente frio, com grandes tempestades de neve e temperaturas muito baixas, cresceram as dúvidas sobre o aquecimento global. Nos últimos dias, registrou-se o oposto. Ondas de calor estenderam-se pela Europa e Estados Unidos. Mesmo em países como a Finlândia, os termômetros marcaram 37ºC, algo nunca visto desde que começaram as medições sistemáticas. Teria a Terra se reaquecido novamente?

As tentativas de avaliar a evolução do clima observando períodos curtos vendem jornais e alimentam conversas de bar, mas são estatisticamente bizarras. Dizer que os três últimos meses foram quentes, e por isso o planeta está ficando mais quente, é como olhar pela janela, constatar que os três primeiros passantes são japoneses e alardear que a composição étnica do Brasil está mudando. Por isso, têm enorme importância os estudos que avaliam as alterações climáticas numa perspectiva histórica mais larga, e observando um conjunto amplo de fenômenos. Um deles acaba de ser lançado pela NOAA, a agência amosférica e oceânica dos Estados Unidos. É o relatório Estado do Clima, versão 2009.
Na edição recém-apresentada, a NOAA revela os resultados de um estudo que abrange 150 anos — de 1850 a 2000 — e que examina, além das próprias temperaturas, outros indicativos de mudança climática. No que diz respeito às medições dos termômetros, os resultados são claros. “Cada uma das três últimas décadas foi bem mais quente que a anterior. Os anos 1980 foram, à época, os mais quentes de que se tinha registro. No decênio seguinte, todos os anos foram mais quentes que a média dos 80. Os anos 2000 são ainda mais quentes”, diz uma nota à imprensa publicada no site da NOAA.

As evidências externas também são convincentes. O relatório estudou um conjunto de dez fenômenos. Constatou que, em todo o mundo, estão se elevando: a) a temperatura do ar nos continente; b) a temperatura da superfície do mar; c) a do ar acima dos oceanos; d) o nível oceânico; e) o calor oceânico; f) a umidade do ar; g) a temperatura da troposfera, a camada da atmosfera que se estende desde a superfíce do planeta até 7 a 17 km de altitude. E estão caindo: a) o volume do gelo ártico; b) a área das geleiras; c) a cobertura de neve no hemisfério Norte, durante a primavera.

O relatório recolheu contribuições de mais de 300 cientistas, de 48 países, que formaram 160 grupos de trabalho. Um bom resumo visual do estudo é o gráfico acima, publicado por The Economist. Nele, nota-se que, vistas na média, as mudanças de temperatura são sutis: a elevação é de cerca de 0,6ºC, nos últimos 50 anos. “Pode parecer pouco, mas já alterou nosso planeta”, diz Dake Arnt, co-editor do estudo e chefe da Divisão de Monitoramento do Clima da NOAA: “As geleiras e o gelo oceânico estão se derretendo, as chuvas pesadas intensificam-se, as ondas de calor tornam-se mais comuns”.

O relatório completo — uma ótima pauta para uma matéria mais abrangente — está disponível aqui. No mesmo endereço, é possível encontrar as edições anteriores e um kit de mídia, com gráficos importantes. Um vídeo (em inglês) sintetiza as mudanças

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