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Transporte, roupas e classe social

17/04/2010
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Conseguiremos fazer a classe média engravatada abandonar o uso do carro?

Ontem participei de uma reunião divertida num escritório de arquitetura, sobre um plano cicloviário para uma determinada região de São Paulo. Não cabe a este texto tratar disso, pois será melhor dedicar um post inteiro a essa alvissareira notícia.

O mais interessante nessa reunião a que compareci foi um dado fornecido pelo arquiteto Ricardo Corrêa (guardem esse nome, o rapaz é fera em urbanismo e tem a sensibilidade para saber que a cidade é feita de pessoas, não de monumentos), que trouxe uma informação interessante sobre o trânsito na Avenida Rebouças: os carros transportam apenas 4 mil pessoas por hora, nos horários de pico. Os ônibus, no mesmo horário, carregam 18 mil pessoas.

Analisemos melhor esse dado. O corredor de ônibus da Av. Rebouças é um corredor coletor de pequeno porte que funciona como se fosse um corredor de médio porte. Por isso vemos os ônibus enfileirados: o corredor está operando acima de sua capacidade. Se fosse um corredor coletor de porte médio, transportaria mais rapidamente os passageiros. E se seu porte fosse maior ainda, talvez até fosse desnecessária a linha de metrô que pssará por baixo desta avenida. Um sistema de corredores de ônibus pode carregar até 27 mil pessoas por hora, e o metrô chega a 35 mil.

Mas uma outra questão precisa ser levantada. Quererão esses 4 mil motoristas que usam os carros abandoná-los?

Ricardo Corrêa nos trouxe um outro dado interessante. Berlim, uma das sedes da Copa do Mundo de Futebol, em 2006, aproveitou o evento para desestimular o uso de carros. Num raio de 3 kms dos estádios, nada entrava senão pedestres e ciclistas . Num raio ainda maior, carros não entravam.

Com isso, o berlinense aprendeu a deslocar-se sem os carros. Onde antes havia ciclofaixas e ciclovias vazias, hoje há uma grande massa de ciclistas transitando.

Mas São Paulo não é Berlim. O Brasil não é Alemanha, nem Dinamarca. Somos um país tropical, a cidade é quente.  Até aí, isto não seria problema, se não tivéssemos uma sociedade estratificada, estamentada, que se aproveita da temperatura para realçar os limites entre os estamentos sociais.

Exemplifico. No século XIX, entre o meio industrial inglês, surgiu o colarinho branco como marca da estratificação social. Apenas os que ocupavam altos cargos nas empresas poderiam ostentar o colarinho alvejado, pois nos postos mais baixos o contato com a fuligem fazia qualquer peça de roupa branca enegrecer em poucos minutos. A essa mesma época, as próprias necessidades do trabalho impuseram o abandono do uso da casaca em prol de uma vestimenta que era um aperfeiçoamento das roupas dos trabalhadores rurais: o terno. Se antes as calças vinham apenas até o joelho, Lord Brummel lançou a moda das calças compridas, como aquelas usadas pelos limpadores de chaminé. Mas claro, estas calças de limpador de cahminé combinavam-se com botas polidas com champagne, com paletós negros e camisas brancas com elaborados nós de gravata.  Brummel, o pai do dandismo, morre em 1840, mas deixa fincadas as raízes do uso do terno como distinção de classe, como foram as unhas compridas na antiga China: o trabalhador braçal, de baixa renda, de classe baixa, não pode usar colarinhos brancos, nem manter as unhas compridas, senão não trabalha, não come, não sobrevive.

No Brasil, a distinção se faz pelo suor. Somos a última nação ocidental pretensamente civilizada a abolir o trabalho escravo. Isso há pouco mais de 100 anos. O escravo era os pés e as mãos do seu senhor. Seus braços e pernas. São conhecidas as gravuras do período colonial em que vemos escravos carregando o senhor em sua liteira, vestido como se europeu fosse, abanando-se ou sendo abanado. Acaso estivesse esse senhor andando pelas próprias pernas, suportaria o calor em sua casaca de veludo?

Vai embora a casaca mas em seu lugar fica o terno (e sua extensão feminina, o tailleur – um avanço na praticidade na época de Coco Chanel, mas um forno de Bier volante para a brasileira). Somem as liteiras, e as ruas ocupam-se de carros. O espaço externo, que pode ser frequentado pelo povo, não é a extensão da liberdade da Casa-Grande, mas da Senzala, portanto pode ser descuidado, destratado. Tal como vaticina Alexis de Tocqueville, que afirma que o maior inimigo do cidadão é o indivíduo, o individualismo do paulistano que prefere o espaço privado ao público é a negação da construção republicana, da res publica, da coisa pública, ou seja, do espaço onde a pessoa deve participar enquanto simplesmente ser humano, e não enquanto membro de uma classe social.

Sintomaticamente, o meio profissional mais resistente à flexibilização das regras rídigidas relativas às vestimentas é o setor jurídico. Assim como os juízes ingleses não apenas trajam togas, mas também as perucas brancas do século XIX, o Poder Judiciário no Brasil resiste à abolição do terno. No Rio Grande do Sul a obrigatoriedade não mais existe – apenas por uma característica particular do estado, onde a pilcha instituiu-se como traje de honra em qualquer evento não podendo o gaúcho que a traja ser impedido de acessar qualquer recinto público em razão disto – mas em outros estados permanece, de um modo mais ou menos rígido. No Município de São Paulo a rigidez é maior, e estende-se a outros setores da produção econômica. Poucos são os empresários ou executivos que não trajam o terno e a gravata.

E assim os ambientes onde se usa o terno necessariamente são refrigerados. As mulheres, mais sensíveis ao frio, sabem: onde há homens de terno, o ar condicionado está funcionando em sua máxima capacidade, ou então veremos pessoas passando mal de calor, como ocorria com freqüência nas dependências da Justiça do Trabalho quando funcionavam em antigos prédios da Rua Cásper Líbero, sem ar condicionado e com poucos ou nenhum elevador.  Àquela época ficava uma ambulância de plantão no local, e não foi apenas um caso de morte por problemas cardíacos nas escadas dos prédios quentes. E sempre advogados, pois se as salas dos juízes muitas vezes possuíam ar condicionado, as ante-salas e o resto do prédio não. Esta mesma situação mantém-se inalterada em diversos fóruns do interior de São Paulo.

Diante deste panorama, não é de espantar que pessoas prefiram ficar presas dentro de seus carros. O vidro fechado com o ar condicionado ligado cria o micro-clima que permite o paulistano sobreviver usando as insígnias da classe social. Não apenas isso, permite uma maior mobilidade (questionável esse aspecto no que tange aos fatos, mas é essa a impressão que o motorista possui), e acesso a outros lugares que não acessíveis à massa sem quatro rodas. Neste sentido, esse post aqui é exemplificativo: ponto de ônibus mistura, portanto inclui, o que não é desejado pelos partidários da exclusão social.

E assim, em nome das distinções de classe, o automóvel permanece como paradigma de status social na cidade de São Paulo, reforçado pelas convenções sociais relativas ao vestir-se, ao conviver com o outro: dress c0des que reproduzem e reafirmam as hierarquias sociais que, aqui no Brasil, ainda reproduzem a estratificação dos tempos coloniais, pois vestem-se adequadamente ao clima tropical os mais pobres (com suas deselegantes mas confortáveis bermudas largas e camisetas regata), os mais ricos trajam-se como se estivessem em Dublin ou Estocolmo, mudando (refrigerando) o clima ao seu redor par fingir que estamos na Bélgica quando estamos na Índia.

Em tempo: para ficar claro, não é o automóvel ou a moda que criam as distinções de classe. Não, são apenas produtos desta mesma distinção, pré-existente. São seu reflexo, não sua causa.

Links de interesse:

Plano Cicloviário Integrado de Santo Amaro – TC Urbes

Guia Bike da Rua, do Cleber Anderson

Transporte Ativo

Bicicletada

Vá de Bike

Gata de Rodas

ONU – iniciativa pelo não uso da gravata como combate ao aquecimento global

Paletós, Gravata e Shorts – New York Times

Racismo Ambiental – entrevista em 3 partes com Paulo Saldiva, professor titular da Faculdade de Medicina da USP

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30 Comentários leave one →
  1. 17/04/2010 17:51

    Mas lembremos sempre que o verão no clima temperado é tão (ou até mais) infernal que verão daqui…

  2. ogum777 permalink
    17/04/2010 18:32

    sim, e por isso no NY se falam em shorts… mas o verão deles é tão curto…

  3. Lucas permalink
    17/04/2010 20:33

    Isso não é só em São Paulo. Moro em uma cidade de 300 mil habitantes (Taubaté-SP) e o comportamento dos motoristas é péssimo, soma-se a isso, um trânsito mal planejado de uma cidade antiga com ruas estreitas, e a muvuca está formada.

    Hoje, por coincidência, presenciei um fato interessante. Num cruzamento, que nem estava tão congestionado assim, os motoristas, todos fechados dentro de seus automóveis, começaram a buzinar para o trânsito andar logo. Os pedestres, logo em seguida, começaram a reclamar também. Pensei: devem estar todos loucos, sentem-se em São Paulo.

    Parece-me que, mesmo nas cidades menores do estado, o povo tenta imitar a capital. Por um momento, os motoristas querem se sentir no trânsito de uma cidade grande. Isso parece que lhes enche o ego. O que deveria ser o contrário; por estarem em cidades menores, não deveria ter desculpa para não usarem uma bicicleta, não é mesmo? Mas, andar de bicicleta não é bem visto pela população. O bom mesmo, é ter um carro novo e sair por aí reclamando do trânsito, como em “Sum Paulo”.

    É pessoal, esse é o novo caipira da classe média.

  4. 19/04/2010 13:29

    Fantastico o texto!!!

    Uma das coisas que tento abolir (uma delas claro é o uso exagerado do carro) é este fanatismo por roupas sociais!

    Vivemso em um clima tropical 3/4 do ano passamos calor, pra que usar roupas que aquecem mais ainda?!

    Não a roupa social!!! E novamente parabéns pelo magnifico texto!

  5. bodock permalink
    19/04/2010 17:28

    Imagina aqui em brasília então, muito mais terno com muito mais calor!
    Venho de bike para o trabalho e metade do tempo que gasto para chegar se dá à locomoção a pé para o banheiro mais próximo, onde posso me trocar e entrar “sociável” no prédio.

  6. zecopol permalink
    20/04/2010 9:25

    Caro Oguym, meus mega Parabéns pelo texto, muito bacana.

  7. Uirá permalink
    20/04/2010 9:35

    Para os abonados que precisam exibir máquinas e vestimentas realçadoras do status, sempre haverá desculpas para não pedalar. Alguns dias, é a chuva. Noutros, é o sol. Numa semana, é a gripe. Na outra, é o atraso.
    Além do incentivo direto às bicicletas, por meio de infraestrutura (ciclovias, ciclofaixas e bicicletários, por exemplo) e campanhas educativas, e da melhoria do sistema público de transporte, defendo restrições aos carros: rodízio e pedágio urbano; cobrança de estacionamento (pasmem, em plena capital federal, estaciona-se livre e gratuitamente nas vagas, nas calçadas e nos gramados); proibição de construção de viadutos e de mais pistas para carros.
    Interessante o comentário sobre o desestímulo aos carros em Berlim, por ocasião da Copa. Aqui, está previsto forte investimento em vagas para carros nos estádios que sediarão a Copa. Visão subdesenvolvimentista é assim: perder-se-á uma boa oportunidade de estimular formas mais racionais de locomoção para continuar com o incentivo aos automóveis. Pelo que me lembro de um texto sobre as obras nos estádios, no Mané Garrincha (estádio de Brasília), serão 35 mil vagas para os motoristas.
    Parabéns pelo texto. Informativo e provocativo.

  8. 20/04/2010 17:25

    Adorei o texto, parabens, precisamos de blogs instrutivos como esse para colocarmos nossas idéias e comentários…

    Um grande abraço Regina

  9. Eduardo permalink
    20/04/2010 17:30

    Ainda bem que se estaciona de graça em Brasília, só faltava pagar-se seguro obrigatório e IPVA abusivos, CIDE e outros, e ainda ter que pagar para parar o carro. Já basta o asfalto em péssimas condições e o dinheiro dos impostos sumindo. Sou totalmente a favor da substituição do automóvel por meios mais inteligentes, porém só aceitarei calado o aumento das despesas de se ter um quando o transporte público for eficiente, isto é, metrô a “walking distance” de casa (da minha, da sua e da de todos), já que não posso deixar minha bicicleta no metrô para nunca mais vê-la. Uma opção é o sistema francês de bicicletas públicas a preços irrisórios, que se retira e se devolve em qualquer centro de bicicletas pela cidade, mas exige um respeito pelo ciclista que está longe de existir aqui. E uma modificação dos valores muito maior seria necessária, pois não se pode pedalar com qualquer calçado que não se pretenda sujar/danificar, tampouco de calça, então uma mochila com muda de roupa, calçado, notebook, etc, torna-se obrigatória, a não ser que se disponha de um armário particular no trabalho. E como ir a reuniões de bicicleta? Não se pode tomar banho no escritório do cliente/parceiro. A lista vai longe…

  10. Ernesto permalink
    23/04/2010 14:42

    Caso faça muito calor é sempre preferível ir de carro até a esquina e ligar o ar condicionado, é mais uma das mazelas de morar num país tropical

  11. volumenodez permalink
    23/04/2010 15:28

    Muito bom o texto, parabéns!
    Vou encaminhar aí pra alguns amigos.

    Abraço!

  12. 26/04/2010 14:54

    Esse texto é excelente!!! Traduz muito do que eu acredito e não consigo expressar!
    Vou disponibilizar no http://ummu3.wordpress.com/, ok??

  13. Paulo Ramos permalink
    26/04/2010 18:26

    Associar o terno a classe dominante e ao modelo desenvolvimentista, corrupto brasileiro tem uma correlação certamente forte. A corte dos poderes da república brasileira é totalmente sectária ao uso do treno no que concerne ao “display” para conquistar o poder.

    O grande pacto da mediocridade, que a maioria da classe média pactua.

    Obviamente o carro faz parte desta estrutura arquetípica. Os mais caros substituem, no “display”, os dotes humanos não mais necessários nas sociedades urbanas burguezas .

  14. 12/06/2010 23:47

    Achei ótimo o texto também, e como o “ummu3” gostaria de disponibilizá-lo no meu blogcom a colocação da fonte é claro. Certo?
    Quanto maior a divulgação maior o acessoa informação,afinal cheguei nesse texto por outro blog:
    http://ciclovencaourbana.blogspot.com/2010/05/transportes-roupas-e-classe-social.html

  15. 13/06/2010 1:17

    Não achei novidades no texto, muito menos soluções para o problema.
    Acho que quem escreveu o texto, não deve utilizar a linha vermelha do Metrô no horário de pico. Independente da vestimenta, o transporte público é um inferno nos horários em que se precisa dele.
    Se houvessem linhas de transporte publico próximos às residencias e locais de trabalho e com mínimo de conforto, creio que de terno, de tailleur ou pelado o trabalhador utilizaria o meio alternativo.
    As comparações com Estocolmo, Dublin, etc…foram desnecessárias. A comparação deria ser feita com cidades de mesmo porte e topografia.
    Obs: O setor automotivo representa 10% do PIB do Brasil e 28% do PIB da industria, o mudança no sistema de transporte não é só questão de vontade, pois muitos empregos dependem do setor (não só industria, mas serviços também).
    Obs2: Parece que depois da descoberta do pré-sal, o governo se esqueceu do etanol…alguém lembra do Lula embaixador do biocombustível ? Parece que acabou.

    “Quem gosta do Brasil não vota Marina Silva, o estado deve ser laico.”

  16. 13/06/2010 1:30

    ALTM, acho que tu não entendeu o texto, lei novamente, senão entender, tente mais uma vez, se não der ainda, peça para um amigo mas culto ler e te explicar, pode ser que ajude.

  17. 13/06/2010 1:51

    Deslpe-me pela falta de cultura e ignorância, estou me sentindo excluido por não sem tão “intelectual”.
    Agora tenho certeza que eu entendi e que foi mal escrito, é a chamada falta de informação, muito comum aos blogueiros pseudo-cultos intelectuais, aos quais faltam viver no mundo real.

  18. 13/06/2010 2:14

    Fui perguntar ao um amigo “culto” , mas não achei (ninguem que gosta do “Bandeira do Bauhaus, de Van Gogh, dos Mutantes, de Caetano e de Rimbaud”), pois todos fazem parte dessa classe social que fica mais na base ( e que comprou seu carrinho com financiamento)…também não entenderam o texto ! Segunda-feira vou perguntar para um antropólogo, se ele me explicar eu agradecerei.

    Abraços e me desculpe, das próximas vezes só vou enviar belos comentários, com toda a pompa que é demandada.

  19. 13/06/2010 5:59

    Agora vi que o blog tem CC! Valeu!

    Altm, pergunta mesmo para o Antropólogo.

  20. 14/06/2010 18:00

    cara, não imaginei que esse post ia dar tantos comentários..

    ALTM, tb tô na base, tanto que não tenho nem o carrinho financiado. preferi pegar o dinheiro do carrinho a ser financiado e gastar com coisas mais úteis, como uma bicicleta (que não paga IPVA), alguams roupas, muitos livros, entradas de cinema e etc. assim tb adquiri talvez um domínio lingüístico um tanto “empolado”, mas prefiro ser assim a ter que pagar 70 parcelas pra pagar 3,5 vezes o preço de um carro que ao final valerá 1/2 do preço inicial.
    tenho outras preocupações tb, algumas de cunho econlógico, por isso faço parte do coletivo, ondenão apenas eu, mas muita gente pegou muito – e ainda pega – a linha vermelha dometrô., outros pegam a linha lilás tb, e se ressentem da falta de conexão com o trem, ali na marginal.
    alguns aqui, eu inclusive, achamos uma idiotice trablahar de terno numpaís tropical, e ao pesquisar sobre o assunto, descobri que a ONU e algum articulista do NY times acham o mesmo.

    mas tem gente que não percebe isso. se extrapolarmos o exemplo, colocando alguém vivendo dentro deuma geladeira apenas pra se dar ao luxo de usar casaco de peles todo dia, ficaria mais claro? e a conta de luz, numa situação dessas, como ficaria?

    pensemos do ponto de vista do custo energético: quanto menos de energia se gastaria na avenida paulsita inteira se os prédios não tivessem nem ar condicionado nem ventiladores elétricos?

    claro, com janelões e todo mundo de bermuda, com o vento que faz ali nas alturas, a economia de luz seria grande, né?

    não tem muita lógica dormir de ventilador ligado e cobertor, se posso dormir coberto com um lençol e o ventilador ficar desligado, concorda?

    essa é a base do post.

    ok, temos o argumento econômico: o setor de ar condicionado iria à falência… mas esse mesmo argumento era usado em 1860 ou 1870 pelos anti-abolicionistas: as fazenas iriam à falência sem os escravos..

    esse não é o argumento correto.

    o fato que o mundo conteporâneo é mundo de desperdício. não precisamos apenas reciclar embalagens, o ideal seria até nãoproduzí-las. o mesmo para o gasto energético.

    tudo isso tem um custo ambiental. claro, se vc tem grana pra pagar seu carrinho com ar condicionado, não tá mais na base, mas isso não impede de pensar em quem está na base, concorda?

    pensa tb na conta de luz da menina que mora lá no jd. rodolfo pirani, ou pra lá do itaim paulista, e acorda todo dia às 4:30 da matina pra fazer a chapinha pq o patrão não gosta de cabelo armado e emprego tá difícil pra quem é negro, pobre, mulher. e acordar às 4:30 é perder pelo menos meia hora de sono.

    quem tem sono a menos adoece mais. e usa o SUS. portanto a conta é gasta por todo mundo que recolhe ao INSS, concorda? agora multiplia esse exemplo não por 10, mas por 350.000, dá pra ter uma ideia do custo de saúde a longo prazo teremos só por conta da chapinha, da moda?

    esse é apenas um exemplo de custo social e ambiental. temos diversos outros: as calçadas que causam a maior parte dos atendimentos da ortopedia do HC, e portanto dos seus custos. isso tb vem do nosso bolso. todo dia morrem cerca de 10 pessoas na grande são paulo por conta da poluição de veículos. lembre disso quando dirigir seu carro, lembre disso quando pagar a parcela da compra deste carro.

    eu prefiro gastar a mesma grana com coisas mais inofensivas. livros, p. ex. – que, claro, vão deixar o meu texto mais “empolado”, e daí gente como vc vai imaginar que eu não venho da base, nem moro num extremo da cidade a menso de 1 km da divisa municipal, longe pra dedéu do metrô. vão pensar que eu sou do topo, né?

  21. 15/06/2010 11:08

    Caramba.. gostei desse post!!!
    Vou encaminhar para os meus amigos..
    Meus parabéns JP!

    Abs.

  22. Xaxado Xaréu permalink
    23/06/2010 0:29

    Esses bicicleteiros ficam queimando carro dos outros. Uma vergonha. Eu tenho direito de ter carro, azar o seu que prefere ir de bicicleta. E se vier engrossar vamos ver como é que é.

  23. 23/06/2010 3:11

    amigo, acusar “bicicleteiros” de cometer um crime é algo grave. se sabe alguma coisa do caso, vá à polícia, não só é seu direito, como é seu dever.

  24. Tiago permalink
    23/06/2010 3:45

    Se a gente faz o que prefere, meu caro, como ir de bicicleta, não é azar. É sorte.

  25. 18/08/2011 14:51

    Odir perdona a minha crítica. Mas eu não troco um transporte
    de alta capacidade como o metro por um de média capacidade .A tendência é sempre crescente.Quanto mais opção de transporte publico você dá as pessoas,mais elas fazem seu uso e somam mais pessoas.Vide exemplo da Lima Amarela aqui no Butantã.E fora que o metro polui menos e é menos barulhento que os buzungas. Mas é verdade a saturação. Ontem fui de ônibus até a Vila Mariana via Rebouças e Paulista, demorei pacas de bici chegaria mais rápido.

    Os muros são criados pelas pessoas que refletem em seu desenho arquitetônico aquilo que vislumbram e temem.Pessoas que temem pessoas.
    Vide

    http://www.americanas.com.br/produto/246352/livros/cienciashumanasesociais/cienciassociais/livro-cidade-de-muros

    Calcular o Clô da pessoas (tipo de roupa e o calor que cada roupa retêm) complica de homem e de mulher.As mulheres perdem na maioria das vezes e passam frio.Sexismo implícito tb na moda. =(

    Pensamentos refletidos na cidade e na moda.Cultura burra que não percebe o clima e não vê a necessidade de interação e inclusão entre as pessoas.

  26. 19/08/2011 8:55

    Corrige o link do Vá de Bike, plz… 😉

  27. 12/02/2012 6:26

    Eis uma digressão sobre o vestuário que faz tempo tentava estruturar.
    Apenas acrescentaria a questão da chuva, que também diferencia socialmente os secos dos molhados.
    E aquela fobia de se molhar na chuva, que seguramente representaria uma situação de plebéu.

  28. Sangelo permalink
    09/03/2012 13:58

    Como o Kogima disse, em países com muito frio, também faz muito calor e nem por isso deixam de usar a bicicleta como meio de transporte.

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