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O PRÉ-SAL E O AQUECIMENTO GLOBAL

23/11/2009

PETROBRÁS: A CARA DO BRASIL?*

José Paulo Guedes Pinto1

Regina Egger Pazzanese2

Ilustração: Marcelo Rampazzo (marampazzo@yahoo.com.br)

Rendo homenagem muito especial, por fim, a todos os que defenderam a Petrobrás quando ela foi atacada ao longo de sua história – e ainda hoje – e aos funcionários e petroleiros que se mantiveram de pé quando a empresa passou a ser tratada como uma herança maldita do período jurássico. Benditos amigos e companheiros do dinossauro, que sobreviveu à extinção, deu a volta por cima, mostrou o seu valor. E descobriu o pré-sal – patrimônio da União, riqueza do Brasil e passaporte para o nosso futuro.

Olho para trás e vejo que há algo em comum em todos esses momentos, algo que unifica e dá sentido a essa caminhada, algo que nos trouxe até aqui e ao dia de hoje: é, sinceramente, a capacidade do povo brasileiro de acreditar em si mesmo e no nosso país. Foi em meio à descrença de tantos que querem falar em seu nome… O povo – principalmente ao povo – devemos esse momento atual.

É como se houvesse uma mão invisível – não a do mercado, da qual já falaram tanto, mas outra, bem mais sábia e permanente, a mão do povo – tecendo nosso destino e construindo nosso futuro.” Luis Inácio Lula da Silva, DISCURSO DO PRÉ-SAL, BRASÍLIA, 31 DE AGOSTO DE 2009

1. Introdução

Os últimos 20 anos foram marcados pela era da globalização. Baseada em um modelo de capitalismo que prioriza o lucro acima do bem estar da humanidade, esta era trouxe cada nação e a maioria das populações para uma maior percepção de que fazemos parte de um mesmo todo. Do Brasil ao Japão, da África do Sul à Sibéria, o avanço do capitalismo vêm padronizando o consumo, as mercadorias e os serviços. A revolução da internet (como uma linguagem universal) possibilitou uma ampla conexão entre os povos e a recente crise econômica, social e ambiental, bem como seus impactos mundiais, nos mostra mais uma vez que estamos todos interligados, seja para o bem ou para o mal.

Neste início de século, cada um de nós sente o clima mudar a cada ano que passa: mais quente, mais chuvoso, a biosfera se altera com uma rapidez jamais vista. A previsão para as próximas décadas é ameaçadora: escassez de recursos naturais, como energia, água e alimentos jamais vistos antes; cálculos prevêem que mais de um terço da população, ou seja, mais de 2 bilhões de pessoas, serão atingidas diretamente e, segundo as Nações Unidas, mais de 200 milhões de pessoas poderão se tornar refugiados climáticos até 2050 por consequência da crise ambiental.

Muito diferente do início do século XX, a humanidade cada vez mais se conscientiza do seu papel no delicado equilíbrio da natureza. Em todos os campos do conhecimento, em todos os poros da sociedade, o tema do aquecimento global aparece com força. Nunca o meio ambiente foi tão pautado. Além dos vastos filmes, livros, artigos e pesquisas que denunciam a sociedade baseada na extração do petróleo, as maiores empresas e os principais governos do planeta têm procurado em suas práticas amenizar as causas e enfrentar as consequências desta escolha.

Ser “verde” tornou-se um imperativo. Investimentos em pesquisa e desenvolvimento são redirecionados, novos mercados e oportunidades de negócio aparecem; algumas nações, mais que outras, compreenderam o panorama e vêm se comprometendo com pautas e metas para o equilíbrio entre o lucro e o ambiente sustentável.

Neste contexto, grande parte da energia que move o planeta, baseada no petróleo, no gás e no carvão mineral é fonte de altíssima emissão de poluentes à atmosfera terrestre. Estas emissões são uma das principais causas do desarranjo socioambiental na contemporaneidade. Uma forma de superar as mazelas trazidas pela queima destes combustíveis fósseis são as novas fontes de energia para servir à população mundial, atualmente na casa dos 7 bilhões. São as chamadas energias renováveis. São chamadas assim pois suas tecnologias utilizam a natureza de forma quase não poluente, aproveitando o ciclo natural da biosfera, para capturar energia (solar, eólica, oceânica etc.) renovável.

Tudo indica que elas serão o “petróleo” do século XXI. Só no ano passado, segundo a Agência Inernacional de Energia (órgão da OCDE), o mundo investiu mais de US$155 bilhões em novas energias limpas e planeja investir, entre 2010 e 2030, mais US$ 9,1 trilhões. Os países que mais investiram em energias renováveis foram os EUA, a China e a Espanha, sendo a energia eólica a que atrai a maior parte dos investimentos (US$ 50,2 bilhões em 2007), seguida da energia solar (US$ 28,6 bilhões) cujos investimentos crescem a uma taxa média anual de 254%, desde 2004.

No decorrer da história humana, prever panoramas e estar preparado para as mudanças, têm se mostrado vantajoso. Momentos como este na história, de previsões alarmantes, mobiliza nações e líderes e é neste contexto que pretendemos, com o presente artigo, refletir sobre os caminhos da Petrobrás, uma empresa que apresenta sua identidade e imagem associadas à força dos brasileiros e à “cara” do Brasil – e compreender como esta empresa tem se posicionado frente a este diagnóstico global.

O Brasil se insere no cenário atual como uma “jovem” República, com pouco mais de 100 anos de experiência democrática. Apesar dos nossos governantes desde o início do século XX defenderem a soberania e o desenvolvimento nacional autônomo, independente e modernizante, o que vemos na prática são governos sempre à cauda dos acontecimentos, importando modelos, costumes, conhecimentos e estratégias de países mais desenvolvidos. Tal atraso e falta de planejamento a longo prazo são capazes de manter o status da 10ª maior economia do planeta ainda como um país de terceiro mundo, ou, em desenvolvimento.

Apesar de termos, durante mais de um século, passado por variados regimes políticos, da república velha a revolução de 1930, da fase Getulista aos anos de JK, dos governos militares a redemocratização, mesmo com a forte industrialização e urbanização que o país sofreu ao longo destas mudanças de governo, a pauta de produtos primários tem até hoje um importante peso na economia.
A Petrobrás é um exemplo vigoroso deste atraso. Diferentemente do que apresenta Lula em seu discurso, defendemos que
a empresa não representa o povo brasileiro, pois justifica suas ações e estratégias apelando para a nação quando na verdade prioriza o lucro acima dos interesses da sociedade. A história da Petrobrás traz consigo um símbolo, uma identidade de nação pronta para o progresso, com recursos abundantes para se tornar soberana. Os anos 50, do século XX, se foram, muita coisa mudou desde então, no entanto, o discurso de Lula poderia ter sido assinado por Getúlio, ou Juscelino.

Em pleno século XXI, onde as maiores potências estão redirecionado boa parte dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novas fontes de extração de energia veremos, a seguir, como a Petrobrás (“a cara do Brasil”), em nome do desenvolvimento brasileiro, se prepara para as próximas décadas.

* Agradecemos os membros do coletivo de Ecologia Urbana que ajudaram a dar o pontapé incial deste tema, especialmente, Manoel Galdino, João Paulo Amaral, José Corrêa Leite e Rafael Poço, bem como os pareceres de Ana Maria Guedes e Odilon Guedes.

1 Economista, doutorando em Economia pela Universidade de São Paulo, pesquisador do Gpopai-USP, professor da FESP-SP e membro do Coletivo Ecologia Urbana. (ze.guedes@usp.br)

2 Comunicadora Social, mestre em História Social pela Universidade Estadual de Londrina e membro do Coletivo Ecologia Urbana. (regina.egger@gmail.com)

Ilustração: Marcelo Rampazzo (marampazzo@yahoo.com.br)

Artigo com ilustrações de Marcelo Rampazzo: petrobras_e_aquecimento_global_pkt

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7 Comentários leave one →
  1. 23/11/2009 18:16

    ATENÇÃO ATENÇÃO ATENÇÃO!!!!

    Vem a tona o escândalo que vai abalar as estruturas do aquecimento global.

    Alguns dias atrás uma enorme quantidade de emails e documentos foram hackeados da Unidade de Pesquisas Climáticas da Universidade de East Anglia, que fazem parte de da comunicação entre influentes cientistas pró-aquecimento global na qual mostram claramente a manipulação de dados, conspiração para falsificação de dados em face do declínio de temperaturas globais para suportar a premissa de que fatores causados pelo homem elevaram a temperatura do planeta.

    Veja os detalhes:
    http://www.anovaordemmundial.com/2009/11/climagate-prova-final-contra-o.html

  2. Regina Egger permalink
    23/11/2009 18:59

    Olá Roberto,

    Quero te levantar apenas três aspectos visto a tua colocação neste comentário acima:

    1. O jornal britânico que divulga esta notícia é reconhecidamente de direita/conservador: O Telegraph é tradicionalmente visto como um jornal de direita no aspecto político. [2] A combinação das ligações pessoais entre a equipe editorial do jornal e as lideranças do Partido Conservador, juntamente com a influência do jornal sobre os ativistas conservadoras, resultaram com que o jornal seja frequentemente referido jocosamente como The Torygraph.

    2. A pessoa que comenta o referido artigo “da invasão dos hackers” é apenas um escritor de ficção, nem cientista, muito menos pesquisador: James Delingpole is a writer, journalist and broadcaster who is right about everything. He is the author of numerous fantastically entertaining books including Welcome To Obamaland: I’ve Seen Your Future And It Doesn’t Work, How To Be Right, and the Coward series of WWII adventure novels. His website is http://www.jamesdelingpole.com

    3. Estes trechos de no máximo duas linhas de SUPOSTOS e-mails entre os cientistas precisariam de muito mais contexto, no ponto de vista de algum empirismo, para justificar tal alarde.

    Neste sentido, te digo uma coisa Roberto, acredito que estamos vivendo na era da ideologia da informação. No meio de coisas sérias e realmente pesquisadas qualquer um coloca qualquer “documento” e afirma que aquilo é verdade e se não nos propusermos a investigar à fundo as coisas que lemos, caimos nesta armadilha do relativismo. Considero este caminho perigoso. Quero concluir que acho importante antes de divulgarmos este tipo de notícia, pesquisarmos mais a fundo, para não sermos fantoches na mão desta ideologia do “outro lado”. As opiniões contrárias são sempre importantes pois nos fazem complexificar aquilo que pensamos e como agimos, no entanto, precisamos hoje mais do que nunca olhar atentamente a fonte.

    Abraços fraternos, Regina.

  3. Caldas permalink
    23/11/2009 23:18

    Cara Regina,
    vamos lá.
    Como disse, eu gosto deste debate, então me perdoe se me exceder no uso do espaço.
    Bom.
    Primeiro, não tem como escapar, devo me identificar. Sou funcionário da Petrobras, trabalho como advogado da área ambiental, mas felizmente pouco atuo em ações judiciais. Felizmente. A maior parte do que faço é no campo consultivo: emissão de pareceres orientando os engenheiros sobre como agir dentro da legalidade ambiental, seja na condução dos grandes empreendimentos, seja na gestão ambiental das refinarias, para isso lembrando da existência do Ministério Público e do Judiciário verde do Estado de São Paulo.
    Nessa condição de funcionário da empresa, posso dizer que o seu texto está correto em muitos aspectos. Há uma gritante desproporção entre o que se investe em exploração e produção de petróleo e gás e o que se coloca em energias alternativas. A Petrobras patrocina o quanto patrocina porque quer ser “simpática” com o público. E só. E ainda assim, patrocina muito menos do que poderia. Sim, no mais das vezes a Petrobras age como uma empresa privada. Vide o episódio do enxofre, um entre vários que acontecem com frequência, mas não caem na imprensa. Mas, justamente por agir dentro da lógica do sistema, a Petrobras também não está tão distante assim de se tornar aquilo que ela defende ser: uma empresa integrada de energia.
    Já vou explicar a razão disso, pouco tem que ver com a preocupação ambiental. Só antes, vou te contar um pouco do lado “bom” da empresa, se é que podemos ser maniqueístas com ela.
    1 – Da última vez que vi o Plano de Negócios, a Petrobras Biocombustíveis, subsidiária criada para atuar no segmento, tinha um orçamento de U$ 2,8 bilhões para os próximos cinco anos. Se mudou esse valor, certamente é para mais. De qualquer forma, é muita grana para uma empresa, muita mesmo, tanto que a Bio acabou de fazer um ano de vida e já está preocupando a direção da COSAN, maior usina de açúcar do Brasil, que não quer uma concorrente como essa. Ainda assim, verdade seja dita, os U$ 2,8 bi são uma mixaria perto dos U$170 bilhões direcionados aos projetos de petróleo e gás (incluindo aí o pré-sal).
    2- Ainda neste ano, a BR Distribuidora inaugurou no RJ o primeiro eletroposto do Brasil. O posto converte a energia solar (química) em elétrica, abastecendo os carros e motos elétricos movidos a bateria. Essa tecnologia foi desenvolvida pelo CENPES, órgão acadêmico da empresa, cérebro dela e responsável pelas mais de mil patentes já desenvolvidas e registradas, tendo inclusive três pesquisadores deste mesmo centro participado do relatório do IPCC que saiu no começo de 2007.
    3 – Também neste ano de 2009, a BR, em conjunto com outras empresas, colocou em circulação no corredor do ABC o primeiro ônibus movido a hidrogênio no Brasil, que emite vapor d’água para a atmosfera.
    4 – Apesar dos acidentes sinistros que aconteceram no começo desta década, graças a eles, e há males que vêm para bem, a empresa se conscientizou de que precisava dar mais atenção à gestão ambiental. Hoje, qualquer Unidade de Negócio (plataforma, refinaria, termoelétrica, mina de xisto, usina, etc..) tem o seu corpo de SMS (Segurança, Meio Ambiente e Saúde), integrado por engenheiros ambientais e biólogos que em geral têm elevado senso de auto-crítica, são capacitados sob o ponto de vista técnico, e o melhor, também são altamente compromissados com a minimização dos inevitáveis impactos gerados pelos empreendimentos. Pena que nem sempre sejam eles os tomadores de decisão. Independente disso, posso dizer, tranquilamente, que eles são tão importantes quanto os competentes técnicos da CETESB.
    5 – Temos uma grande usina eólica no Nordeste e um pessoal do CENPES pesquisando geotérmica, energia das ondas, fontes novas de biomassa e energia de fusão.
    Ok.
    Agora, porque a empresa investe nisso tudo? Primeiro, porque não custa nada. O eletroposto foi uma mixaria, mas especialmente ele tem um potencial absurdo para o futuro. Segundo, porque todo mundo sabe, mais dia, menos dia, o futuro exigirá mudanças.
    Mas então, por que o pré-sal?
    O pré-sal é tentador por várias razões, a começar por aquelas que dizem respeito ao papel econômico e geopolítico do próprio petróleo. Faz 200 anos que usamos carvão, e até hoje ele continua ocupando 20% da matriz energética do mundo. Todas as agências que estudam o petróleo são enfáticas em dizer que até 2030, a demanda pelo produto crescerá ou ficará estável, principalmente considerando-se que hoje temos 6,5 bilhões de pessoas querendo viver a vida moderna, e até lá já teremos algo em torno de 8 bi. Só que petróleo não é só energia, petróleo é matéria prima do setor petroquímico (polímeros), cosméticos, remédios, asfalto, parafina, cera, nylon, tinta, enfim…
    No meu modo de ver, as estimativas para 2030 são até conservadoras. Elas se baseiam inclusive na atual participação das energias alternativas, que ainda não chegam a 1% da matriz. O uso delas tem crescido muito, muito mais que qualquer outra fonte não alternativa, até porque as alternativas saem lá debaixo, mas têm um tempo de maturação para vingar. Mesmo que elas bombem bem mais rápido do que se projeta atualmente, ninguém diz que em vinte, trinta anos, elas consigam suprir integralmente a necessidade energética do mundo. Nem de perto. Contribui para isso a própria influência do mercado, que gostemos ou não é um fato. Os carros elétricos e o ônibus a hidrogênio, por exemplo, custam quatro vezes mais que o carro comum. As baterias dos carros ainda têm uma autonomia reduzida, tipo 40 km. Não que isso tudo não possa ser revertido, e certamente será (assim esperamos), mas não do dia para a noite. Fora a cadeia de empregos diretos e indiretos que a indústria do petróleo e gás gera. É muito interesse. Ainda por cima, temos modais de transporte como o aéreo, que fica difícil de imaginar um combustível que substitua o petróleo. Só para se ter ideia, na ponte aérea gastam-se 550 kg de aviação. Outro dia a super interessante divulgou que um avião, ao cruzar o Atlântico, emite em termos de CO2 o equivalente ao que emitem 240 mil carros em um ano.
    Então, voltando ao pré-sal, repito, gostemos ou não dele, há milhares de pessoas, governos e empresas interessadas em vê-lo acontecer. Hoje o óleo já está sendo extraído de Tupi, não em escala comercial, mas na fase de teste de longa duração. Está no exato timing do cronograma. A perspectiva da empresa é que em dez anos o pré-sal e o pós-sal (sim, também tem, principalmente gás) já esteja a todo vapor na Bacia de Santos, praticamente duplicando a produção atual de 2 milhões de barris diários. Vai ser uma bagunça no litoral, infelizmente. Para a tua esperança, existem sim alguns obstáculos técnicos (não tecnológicos), mas os geólogos garantem que hoje são muito menores do que quando se começou a explorar em águas profundas na Bacia de Campos. Já tem empresa (não a Petrobras) explorando em águas ultra-profundas no golfo do México. No máximo, imprevistos encarecerão a produção (já cara) e atrasarão a extração. Pode até dar uma zica ambiental brava, tipo desmoronar a camada de sal, inviabilizando a produção, mas a perspectiva disso acontecer é reduzida. No mais, os funcionários da exploração e produção, dos mais gabaritados aos mais humildes, você pode imaginar, estão todos bastante estimulados para trabalhar. Nesse sentido, a empresa é mestra em motivar. Há uma turma grande que pira nesse desafio. Outro argumento (pouco convincente) mas na ponta da língua de muitos é que os investimentos no pré-sal mantêm a condição da empresa para continuar investindo mais e mais nas energias renováveis.
    Enfim, sendo bem realista, mesmo que a Marina se torne a presidente do Brasil, dificilmente o país sairá dessa rota, até porque, como você deve saber, 3/4 das emissões dos GEEs no Brasil derivam de queima de vegetação. Mesmo estando entre os cinco principais emissores, também historicamente não temos quase nenhuma responsabilidade. Fora as hidrelétricas e o etanol, que ajudaram a construir uma imagem positiva da nossa matriz lá fora. Resumindo, não tem pressão internacional. Pelo contrário, hoje tem um monte de empresas parceiras interessadíssimas em virar sócias. Não à toa, a Petrobras já captou todos os recursos de que precisa para investir o quanto quer até 2015.
    Agora, você me pergunta, o que acho disso?
    Olha, se o aquecimento global é um fato científico certo ou não, se ele de fato vai bombar ou não, eu sinceramente não sei. Espero muito que não, pois nada me leva a crer que sairemos do discurso, pelo menos até que a casa caia. É muita gente no mundo. E ninguém está disposto a abrir mão do conforto da vida moderna. Por enquanto, nem eu, nem você, nem ninguém. Se quiséssemos mesmo, teríamos praticamente que voltar a sermos índios. Nada de buracos da Vale, pré-sal, nada de química nas prateleiras do supermercado, computadores, ipods, produtos supérfluos, baterias elétricas de carros, aterros saturados, rios contaminados,e tudo isso que está silenciosamente acontecendo, sem que percebamos ou queiramos saber o quanto está diretamente relacionado aos nossos hábitos de consumo. Se fossem 1 bi vivendo esse estilo de vida, beleza, agora, 7 bi?
    Mas Regina,
    não pretendo esmorecer a sua nobre causa.
    Ao contrário, torço sinceramente para que o mundo desperte para um novo sentimento, um novo pensamento, sei lá, que as pessoas se voltem mais à natureza e menos ao artificial. Espero que o meu pragmatismo cético não se realize e que mais pessoas como você surjam no mundo, dispostas a reconstruí-lo com um novo olhar.
    Então, boa sorte e desculpe se abusei do espaço.
    Att.
    Victor.

  4. Regina Egger permalink
    24/11/2009 11:06

    Olá Caldas,

    Obrigada por ter postado seus comentários aqui. é bem este o espírito, tornar a discussão pública, para quem quiser acompanhar.

    Acho que até sua resposta no item (1) estamos falando a mesma coisa, e sobre COSAN e biocombuistíveis seria importante você pesquisar o que a COSAN representa pras cidades em que tem usina, nem se pode falar a respeito em Barra Bonita, mas é uma desgraça social o que estas usinas promovem para as populações. Eu trabalhei naquela região com um grande projeto social, as crianças de Barra Bonita tem problemas respiratórios em um nível muito acima da média para uma cidade daquele porte (aquela linda cidade cheira muito mal e no verão nem se comenta). Sem contar o problema da migração de pessoas de fora que vão trabalhar nestas usinas, sem enraizamento local gera de todo tipo de situação, desde aumento da violência à prostituição infantil. Sabe, além do que defendemos no artigo a cana-de-açucar do jeito que é cultivada no Brasil promove uma cadeira de mazelas ambientais e sociais que reverbera na condição local de muitas cidades e pessoas (claro que paradoxalmente, estas usinas acabam sendo a principal alternativa de emprego das cidades).

    Eu não pretendo responder teu e-mail todo, estou com uma outra pesquisa, tendo que entregar até o começo de dezembro, mas preciso comentar apenas sobre mais uma coisa que quando li me acendeu aquela luz amarela, de atenção.

    Aquela resposta à la analista, de que “o mundo desperte para um novo sentimento, um novo pensamento, sei lá, que as pessoas se voltem mais à natureza e menos ao artificial.” Olha Victor, eu não esperava o mesmo final do conto seu Pinheirobrás, sinceramente. Acho um tanto jocoso a gente lidar com as questões ambientais e sociais como se elas nos remetessem a bandeiras de “salve o mico leão” ou “as baleiras”, ou vamos todos morar na floresta e comer apenas frutos que caem das árvores, este papo todo. No entanto, acho que resumir o que este artigo pretende, ou mesma luta de muitos movimentos, incluindo neste caso o Ecologia Urbana é no mínimo desinformação.
    Para falarmos em alternativas, que não passam nem perto das ecovilas que você constrói naquele bonito e doloroso conto, dê uma olhada no nosso blog sobre a proposta que temos para Cidades Sustentáveis (grandes cidades, como São Paulo, por exemplo). Se referindo a isto, temos um acúmulo sobre a função social da propriedade privada, que vai dialogar com cidades mais transitáveis, pertencentes às pessoas que nela habitam, arquitetonicamente, com melhor distribuição entre comércio e lazer etc.
    Temos propostas bastante complexas para a questão do consumo e do escoamento de produtos nos dias atuais, vale a pena olhar, esta para além da dicotomia: viver sem bens materiais ou trocar de celular a cada semestre.
    Enfim, o mundo é um lugar complexo e as saídas para estes modelos que construímos são diversas e também complexas. São lutas com temáticas e setores específicos mas que no fim falam sobre uma sociedade, que independente de “ismos”, deveria se voltar ao coletivo, para reconhecer as pessoas e se preocupar com elas, ao invés de viver para o trabalho, e acabar como muitos do seu conto, na maior crise: entre as coisas que gostaria de fazer e as que tem que fazer pra poder pagar as que gostaria de fazer e acabar não fazendo porque o desgaste é tanto para trabalhar com o que não queria, que o que se queria fazer não dá tempo de acontecer.

    Esta é a lógica que queremos mudar com nosso artigo e com todo o Ecologia Urbana, ela esta localizada na realidade de uma grande cidade subdesenvolvida, não em uma aldeia.

    Bem, mais uma vez agradeço por ter indicado seu blog, que é bem interessante e pela discussão. Se quiser acompanhar o Ecologia Urbana o nosso blog tem bastante conteúdo para ser apropriado.

    Abraços fraternos, Regina.

  5. 24/11/2009 18:21

    Meus caros irmãos,
    Petróleo e aquecimento global podem ser coisas do passado.
    Já existe tecnologia para a produção de energia limpa e gratuita para toda a humanidade.
    Ajude a divulgar!!
    Verifiquem o site:
    http://www.theorionproject.org/en/index.html

  6. Rafael permalink
    21/12/2009 18:43

    Fantástico esse artigo. Muito elucidativo.
    Os comentários sao interessantes, mas certamente o comentario é muito importante, ao comentar os demais.

    Victor, é exatamente esse conceito e associacao que fazemos sobre as usinas que nos leva a agir equivocadamente nos demais aspectos. Nao é um mérito para a PETROBRAS nem para nenhuma empresa estar no controle, associada com a COSAN ou outras escravistas do agronegocio. É muito sério o que todas elas fazem do ponto de vista social e ambiental.

    Ainda, nao podemos mais fazer essa associação das necessidades de mudanças com utopias ou regresso à idade da pedra. Mto bom o debate! Importante para todos nós.

    E a COP, ficou pra historia, ne?! Historia dos fracassos…

  7. 16/04/2011 10:45

    Lembro-me em que eu estava no rio Meriti , ano de 2.009, pertinho da foz com a Baía de Guanabara, em Duque de Caxias, num humilde barco a remo, com Daniel e Maxwel : eles contaram que os plásticos depositados nos mangues aquecem as tocas dos caranguejos e eles morrem. Uma observação empírica que precisaria de confirmação.
    Então, se o poder calorífico dos plásticos é grande, existem verdadeiros aquecedores gigantes flutuando pelos oceanos e mares do mundo, aquecendo também o planeta.
    Somando-e ao problema imediato da ingestão dos resíduos pela fauna marinha, e poluição crescente, existe o problema das Ilhas de Calor Oceânicas (Newton Almeida 2.011) .
    MEIO AMBIENTE RIO DE JANEIRO

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