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A menina bonita dos hidrocarbonos

24/10/2009

onibus a gas PerthMarcela Valente, da IPS. Reproduzido do Ecoblogue, 22 de outubro de 2009

A indústria do gás natural – um recurso não renovável, mas abundante – é oferecida como solução para o aquecimento global. Entretanto, especialistas alertam que este hidrocarbono é uma fonte de contaminação climática apenas menos intensa do que o carvão e o petróleo. O metano, componente principal do gás natural, é um dos gases causadores do efeito estufa que intensificam esse processo natural na atmosfera, conservando nela por mais tempo o calor dos raios solares. Especialistas indicam que é o mais limpo dos combustíveis fósseis, mas não é comparável às energias renováveis.

Este gás pode ser “um ator-chave” na mitigação da mudança climática, disse à IPS o argentino Roberto Brandt, presidente do comitê coordenador da União Internacional do Gás (IGU), integrada por 750 especialistas de associações da indústria em uma centena de países. Brandt, que participou da 24ª Conferência Mundial do Gás, realizada de 5 a 9 deste mês em Buenos Aires, insistiu que se trata de um recurso abundante e em crescimento, entre 25% e 30% menos contaminante do que o petróleo e seus derivados, e entre 45% e 50% mais limpo do que o carvão e seus derivados.

Estes dados, que serão divulgados em dezembro na 15ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, na cidade de Copenhague, foram confirmados por especialistas da não-governamental Fundação Bariloche da Argentina, voltada ao desenvolvimento sustentável, mas, ao mesmo tempo, relativizados. “Do ponto de vista das emissões que causam o efeito estufa, as gasosas são um mal menor em relação aos hidrocarbonos pesados”, reconheceu à IPS o economista Osvaldo Girardín, da Fundação e que participa da elaboração do informe nacional sobre emissões que será apresentado na COP 15.

Mas, “se a comparação for com as energias renováveis, como a eólica, solar ou biomassa, já não é tão limpa”, acrescentou Girardín. “O balanço é favorável, mas isso não significa que com o gás natural se acaba com as emissões” contaminantes, explicou. No Brasil, por exemplo, onde cerca de 80% da energia são gerados em centrais hidrelétricas, a substituição por gás natural seria um retrocesso. Já na China, ou nos Estados Unidos, onde a maior produção de energia é em centrais térmicas movidas a carvão, “seria uma medida de mitigação”, acrescentou.

Brandt reconhece que “o setor energético responde por mais de 70% das emissões de dióxido de carbono na atmosfera, e qualquer resposta ao problema da mudança climática o tem como um ator-chave”. Nesse cenário, o gás é a opção menos contaminante dos combustíveis fósseis. Em qualquer das projeções – disse o especialista – sua inserção na matriz energética mundial é crescente. Em uma perspectiva conservadora, sua participação passará dos 21% atuais para 23% em 2030, e em um “cenário verde” o aumento no mesmo período chega a 28%, assegurou.

Esse eventual cenário verde seria aquele no qual seriam penalizadas as emissões de dióxido de carbono mediante imposto, uma iniciativa que está em estudo nos países-parte da Convenção sobre Mudança Climática para o próximo período de compromissos de redução de emissões que suceder as obrigações surgidas do Protocolo de Kyoto. O IGU considera que o gás natural pode contribuir para essa redução de emissões. Mas, há outras vantagens que esta indústria oferece, disse Brandt. Por exemplo, o uso de jazidas esgotadas com deposito par à captura e armazenamento de carbono, uma prática que já existe na Noruega.

Outro beneficio – segundo Brandt – é a maior eficiência relativa do gás para gerar energia elétrica. O metano emite 0,35 quilogramas de dióxido de carbono para cada quilowatt/hora de energia que gera, contra uma média de 0,80 quilogramas do carvão e de 1,2 quilo do lignito, um tipo de carvão de menor poder calorífero. Longe de se preocupar com o desenvolvimento de fontes renováveis, a indústria do gás surge como complemente. “Já há gasodutos e redes de distribuição de gás natural que estão sendo usados para transportar biogás”, obtido da fermentação de determinados resíduos, explicou Brandt.

Ara Daniel Bouille, diretor do programa de Energia da Fundação Bariloche, se de fato acredita-se que 40% da energia elétrica são produzidos com base no muito mais contaminante carvão, esta opção é superior. “Se há intenção” de ampliar participação do gás, “melhor”, disse, mas não se pode promovê-lo côo se fosse uma energia totalmente limpa. As perdas de metano (que tem um efeito estufa 20 vezes mais poderoso do que o dióxido de carbono) pela fuga de emissões durante o processo de produção e distribuição do gás, constituem apenas 2% do total produzido, afirmou Bouille. Também é liberado metano na ventilação do gás, desperdiçado quando está presente em jazidas de petróleo e não há mecanismo para retirá-lo e reinjetá-lo. Uma solução é a queima, com a conseqüente liberação de dióxido de carbono. IPS/EnvolverdeEste gás pode ser “um ator-chave” na mitigação da mudança climática, disse à IPS o argentino Roberto Brandt, presidente do comitê coordenador da União Internacional do Gás (IGU), integrada por 750 especialistas de associações da indústria em uma centena de países. Brandt, que participou da 24ª Conferência Mundial do Gás, realizada de 5 a 9 deste mês em Buenos Aires, insistiu que se trata de um recurso abundante e em crescimento, entre 25% e 30% menos contaminante do que o petróleo e seus derivados, e entre 45% e 50% mais limpo do que o carvão e seus derivados.

Estes dados, que serão divulgados em dezembro na 15ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, na cidade de Copenhague, foram confirmados por especialistas da não-governamental Fundação Bariloche da Argentina, voltada ao desenvolvimento sustentável, mas, ao mesmo tempo, relativizados. “Do ponto de vista das emissões que causam o efeito estufa, as gasosas são um mal menor em relação aos hidrocarbonos pesados”, reconheceu à IPS o economista Osvaldo Girardín, da Fundação e que participa da elaboração do informe nacional sobre emissões que será apresentado na COP 15.

Mas, “se a comparação for com as energias renováveis, como a eólica, solar ou biomassa, já não é tão limpa”, acrescentou Girardín. “O balanço é favorável, mas isso não significa que com o gás natural se acaba com as emissões” contaminantes, explicou. No Brasil, por exemplo, onde cerca de 80% da energia são gerados em centrais hidrelétricas, a substituição por gás natural seria um retrocesso. Já na China, ou nos Estados Unidos, onde a maior produção de energia é em centrais térmicas movidas a carvão, “seria uma medida de mitigação”, acrescentou.

Brandt reconhece que “o setor energético responde por mais de 70% das emissões de dióxido de carbono na atmosfera, e qualquer resposta ao problema da mudança climática o tem como um ator-chave”. Nesse cenário, o gás é a opção menos contaminante dos combustíveis fósseis. Em qualquer das projeções – disse o especialista – sua inserção na matriz energética mundial é crescente. Em uma perspectiva conservadora, sua participação passará dos 21% atuais para 23% em 2030, e em um “cenário verde” o aumento no mesmo período chega a 28%, assegurou.

Esse eventual cenário verde seria aquele no qual seriam penalizadas as emissões de dióxido de carbono mediante imposto, uma iniciativa que está em estudo nos países-parte da Convenção sobre Mudança Climática para o próximo período de compromissos de redução de emissões que suceder as obrigações surgidas do Protocolo de Kyoto. O IGU considera que o gás natural pode contribuir para essa redução de emissões. Mas, há outras vantagens que esta indústria oferece, disse Brandt. Por exemplo, o uso de jazidas esgotadas com deposito par à captura e armazenamento de carbono, uma prática que já existe na Noruega.

Outro beneficio – segundo Brandt – é a maior eficiência relativa do gás para gerar energia elétrica. O metano emite 0,35 quilogramas de dióxido de carbono para cada quilowatt/hora de energia que gera, contra uma média de 0,80 quilogramas do carvão e de 1,2 quilo do lignito, um tipo de carvão de menor poder calorífero. Longe de se preocupar com o desenvolvimento de fontes renováveis, a indústria do gás surge como complemente. “Já há gasodutos e redes de distribuição de gás natural que estão sendo usados para transportar biogás”, obtido da fermentação de determinados resíduos, explicou Brandt.

Ara Daniel Bouille, diretor do programa de Energia da Fundação Bariloche, se de fato acredita-se que 40% da energia elétrica são produzidos com base no muito mais contaminante carvão, esta opção é superior. “Se há intenção” de ampliar participação do gás, “melhor”, disse, mas não se pode promovê-lo côo se fosse uma energia totalmente limpa. As perdas de metano (que tem um efeito estufa 20 vezes mais poderoso do que o dióxido de carbono) pela fuga de emissões durante o processo de produção e distribuição do gás, constituem apenas 2% do total produzido, afirmou Bouille. Também é liberado metano na ventilação do gás, desperdiçado quando está presente em jazidas de petróleo e não há mecanismo para retirá-lo e reinjetá-lo. Uma solução é a queima, com a conseqüente liberação de dióxido de carbono.

Fonte: IPS/Envolverde

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