Skip to content

Ciclistas e mortes. Mulheres e estupros.

04/08/2009

Por Rafael Poço

O uso de bicicletas como meio de transporte nunca teve tamanha projeção nas discussões sobre transportes nas cidades brasileiras. Pelo menos nas grandes cidades.

Provavelmente isso não representa uma mudança na consciência política sobre a necessidade de mudarmos a matriz de transporte. Representa uma tentativa de mostrar preocupação com o tema que mais incomoda quem vive nas grandes cidades.

Acontece que os técnicos responsáveis pelo tráfego na cidade limitam-se à preocupação com números registrados no velocímetro dos veículos motorizados para pautar as intervenções a serem feitas.

E, sob essa ótica, bicicletas são um entrave!

Partindo disso, notam-se em varias oportunidades, ações no sentido de restringir o acesso de ciclistas às vias, sempre com o mesmo argumento, que é a falta de segurança!

Ora, essa tipo de sustentação se assemelha muito a todo o resto que envolve a segurança publica, consistente basicamente em disseminar o medo como que para diminuir a demanda por tais serviços.

Do ponto de vista das estatísticas pode até funcionar. Quanto mais medo, menos ciclistas; menos ciclistas nas ruas menos ciclistas mortos e assim, menos mortes nas estatísticas e mais aprovação das políticas públicas.

Parece ótimo!

Penso até que este instrumento de “melhoria das estatísticas”deveria ser utilizado em outras áreas da Administração. Que tal seria alertarmos todas as mulheres da cidade e não circular no período noturno, porque existem muitos casos e estupro na cidade?!

Veja que não isso não significa uma proibição. Do mesmo modo como ocorre com os ciclistas. É apenas uma sugestão do grande amigo que é o Governo. Um conselho, que evidencia a falência do Estado e sua impotência frente às ameaças impostas aos cidadãos.

Cabe a nós aceitar ou não! Tentar mudar ou não.

Seja para os ciclistas, seja para as mulheres, seja para crianças, idosos e, na verdade, qualquer ser humano que vivem numa metrópole selvagem, o medo não vai deixar de estar presente, mas, partindo do conceito de que a coragem é a resistência ao medo (e não ausência dele), acredito que podemos mudar nossa cidade a partir de nossas ações.

Com coragem de enfrentar com mais energia a incompetência dos políticos do que as ameaças decorrentes da convivência com os demais cidadãos.

E ainda acho que aquela história de que “se conselho fosse bom…” tem algum fundamento.

Anúncios
2 Comentários leave one →
  1. Flausino, L permalink
    06/08/2009 4:38

    Parabéns ao autor do artigo.
    Transbordando ironia.

    Gostaria de ver quando bons textos como esse servirão para nos acender a revolta necessária para tomar a frente das mudanças que queremos!
    Mais e mais nos deparamos com gestores[?] que possuem a mentalidade medieval/colonial de tentar nos impor suas visões ultrapassadas de mundo. O pior é juntar os meios antigos com os fins modernos: cientes de que uma nova ordem de coisas, um novo mundo emerge dessa lama, eles se acham no direito de tacar um estado policial para cima de nós, na suposta boa intenção de nos proteger.

    Até quando esses pseudogestores virão com essa ladainha safada!?
    Continuemos com nossas vozes a buscar um novo mundo. Esses falidos com seus estados policiais falidos, são passado.

    No mais, argumentação muito boa.
    []s.

    Lucio Flausino

  2. ogum777 permalink
    07/08/2009 17:57

    adorei o texto!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: