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Marginal do Tietê terá pontes estaiadas

27/07/2009

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Futura pista central exige obras na Freguesia, Limão e Casa Verde

Felipe Oda, JORNAL DA TARDE, 24 de julho de 2009

Três pontes estaiadas serão construídas, até março, na Marginal do Tietê. As Pontes da Freguesia do Ó, do Limão e da Casa Verde terão os pilares das pistas local e expressa, no sentido Castelo Branco, retirados e passarão a ser sustentadas por cabos. Dessa maneira, um vão de aproximadamente 70 metros, livre de pilares ou interferências nas faixas de rolamento, será criado para a construção da terceira pista da Tietê. No sentido Ayrton Senna, os pilares serão mantidos e um novo vão será escavado, ao lado de onde corre a atual pista local. O projeto, de autoria da empresa Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), faz parte das obras de ampliação da via.

A previsão é de que a adaptação das pontes comece em setembro e o custo da obra é de cerca de R$ 90milhões.

De acordo com Paulo Vieira de Souza, diretor de Engenharia da Dersa, a adoção do modelo com estais nas três pontes é necessária pelas condições do terreno e do traçado do viário. “No sentido Castelo Branco, a futura pista central bate nos pilares centrais, situação que não acontece no sentido Ayrton Senna. As pontes estaiadas serão instaladas onde é tecnicamente necessário”, diz.

Entre as opções estudadas, a Dersa afirma que o modelo de arcos foi descartado por ser antigo, pela necessidade de reconstruir a ponte e pelo custo próximo ao da estaiada. “Uma ponte em arco ainda tem a desvantagem da manutenção periódica”, alega Souza.

Mas Gilberto Piva, integrante da Associação Brasileira de Engenheiros Civis e vice-presidente do CREA-PR, e Catão Francisco, projetista estrutural da Ponte Octavio Frias de Oliveira, na Marginal do Pinheiros, e das três pontes estaiadas da Tietê, contestam os valores. “As estaiadas são um pouco mais caras do que a solução em manter os pilares. Paga-se 10%, 20% a mais do que na ponte tradicional”, afirma Francisco.

Além da retirada dos pilares centrais, os estais permitirão a demolição de pilares mais estreitos que separam as faixas da pista expressa, no sentido Castelo Branco. Os pilares só serão demolidos após a construção dos estais. O tamanho do canteiro central, que pode ser transformado em pista sem a necessidade de desapropriações, também foi levado em consideração. Souza ainda afirma que os vãos, entre o tabuleiro das pontes e as pistas, ganharão em altura e poderão ficar com até 5,50 metros.

Outro ponto favorável citado pelo diretor é a possibilidade de “adaptar” uma ponte ao modelo estaiado, sem a necessidade de reconstrução. “A estaiada não precisa demolir a ponte, não produz muito entulho. O impacto de uma demolição na Marginal do Tietê seria muito negativo para o tráfego.”

Para não complicar ainda mais o trânsito nos 24,5 km de extensão da Tietê, a Dersa alega que trabalhará “diuturnamente” e não haverá interdições no fluxo de veículos, que trafegam tanto pelas pontes quanto pela Marginal. “Tudo aquilo que tem intervenção na pista será feito à noite. Já aquilo que não interfere diretamente na pista será feito de dia”, diz Souza.

A execução das pontes estaiadas será feita pelo Consórcio Desenvolvimento Rodoviário, formado pelas construtoras EIT e Egesa, contratadas por licitação pública para a construção do lote 1 da Nova Marginal do Tietê, que engloba o trecho entre o viaduto da CPTM e a Ponte das Bandeiras, orçado em R$ 333.196.648,35.

Ex-secretários temem que a melhoria no trânsito tenha ”prazo de validade”

A implementação de uma nova pista de rolamento e a construção de quatro pontes e três viadutos na Marginal do Tietê como solução para o trânsito são questionadas por ex-secretários municipais ouvidos pela reportagem. Jorge Wilheim, arquiteto e urbanista que ocupou a pasta de Planejamento Urbano, e Carlos Zarattini, deputado federal que exerceu a função de secretário de Transportes, ambos na gestão Marta Suplicy, ressaltam a importância da construção de vias de suporte à Tietê. “Lógico que a ampliação da Marginal vai dar uma melhorada no tráfego, mas ela não estrutura o problema dos transportes na cidade. Seria mais importante investir nas vias paralelas ou de suporte”, diz Zarattini. Já Wilheim observa que a opção escolhida é cara e não consta no Plano Diretor Estratégico da capital. “Estão adotando uma alternativa cara.”

Para Getúlio Hanashiro, secretário de Transportes nas gestões Paulo Maluf e Celso Pitta, a modernização da via não terá efeito se o governo deixar de investir no transporte coletivo. “Toda obra tem um prazo de validade. O próprio transporte público necessita permanentemente de investimentos para não ficar saturado”, diz. “Ou investimos em transporte coletivo ou ficaremos eternamente abrindo pistas para carros”, afirma Zarattini.

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4 Comentários leave one →
  1. Felipe permalink
    27/07/2009 10:14

    Coitado, o editor desse blog só conhece São Paulo(pelo visto) todos os post são sobre essa cidade. Cancelei minha inscrição nele…

  2. ecourbana permalink*
    27/07/2009 10:32

    Olá Felipe,

    Sou participante do Coletivo Ecologia Urbana e um dos “editores” desse blog, portanto o blog não é abastecido por uma só pessoa.
    De fato, temos dado um foco na cidade de São Paulo, principalmente devido às questões polêmicas atuais no qual tanto estamos envolvidos. Mas se analisar o restante do conteúdo desse blog, verá que o foco não é só a cidade de São Paulo.
    E caso queira relatar algo sobre a sua cidade, fique a vontade, o espaço está aberto, desde que compatível com a proposta do blog.
    Grato.
    João Paulo Amaral

  3. dysprosio permalink
    28/07/2009 1:24

    Interessante que mesmo após esses investimentos bilionários continuará a ser impossível cruzar os grandes rios paulistanos a pé com segurança.

    Tietê e Pinheiros seguirão como barreiras intransponíveis para os pedestres.

  4. Flausino, L permalink
    02/08/2009 20:05

    Há notícias sobre São Paulo pois o Coletivo está em São Paulo.
    Filipe, eu não sei há quanto tempo tu acompanha as notícias do blog, eu acredito que tô acompanhando esse blog desde o começo do ano. E já vi que há material sobre questões em outros estados e de interesse nacional, também.

    Porém, na minha humilde opinião de profissional biólogo [por favor, isto não é uma carteirada], há mais propriedade para falar quem sente e vive sua realidade local e tem noção de disseminar a informação em um benefício cada vez maior, até o nível global.

    Por isso que gosto desse blog, além das notícias de outros lugares do Brasil, o grupo é sensível ao que acontece em sua realidade imediata e passam muito bem, pra quem acompanha de um lugar bem longe, como eu, em Recife. Além disso, saber sobre o que rola e se discute na cidade mais urbanizada do país, dá uma pista sobre o que podemos fazer em nossas realidades locais para obter os avanços obtidos em São Paulo e tentar evitar os erros aplicados pelo Poder Público na mesma cidade.

    Isso, para mim também é Ecologia Urbana.
    []s,
    Flausino

    PS: Bom saber que posso falar sobre temas locais. Vou preparar umas coisas e mandar, OK? heheh

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