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Bicicleta: superando medos e limites – Relato Bicicletada Camping e Pedal Sorocaba

30/04/2009

JP Amaral

Noite chuvosa na Sexta-feira passada (24/04), ruas ainda mais caóticas que o (a)normal, pessoas enclausuradas em suas casas, escritórios e carros. Parecia mais uma noite vazia (de pessoas) nas ruas de São Paulo. Todos, principalmente da classe mé(r)dia,  pareciam muito acomodados com essa realidade, contentes em estarem “seguros” da sociedade do medo avistada fora de suas “bolhas”.

Mas no começo da noite, em plena chuva, algumas pessoas surgem numa praça não identificada, e, o mais estranho, de bicicleta! A verdade é que ali estava começando a Bicicletada, um movimento que acontece em várias partes do Brasil e do Mundo (Critical Mass), em que ciclistas saem nas ruas para reinvidicar seus direitos. Em São Paulo a Bicicletada acontece toda última Sexta-feira do mês às 18h na Praça dos Ciclistas (ainda não sinalizada). Com isso, pouco mais de 100 ciclistas pedalaram em um trajeto agradável, com experiências e visões únicas.

Início da concentração da Bicicletada na Sexta-feira (24/04) às 18h

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Para ver todas as fotos clique AQUI.

Vídeos de Sorocaba sobre duas rodas AQUI.

Saída da Bicicletada com a estratégia de uso dos corredores dos carros e concentração na Praça do Índio
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Mandala embaixo do Viaduto do Chá no Vale do Anhangabaú

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Mandala (a pé) dentro da Estação da Luz

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Como se já não fosse o bastante ver uma ocupação atípica como esta acontecendo em horário de pico, numa Sexta-feira chuvosa pelas ruas “perigosas” de São Paulo, alguns ciclistas, ao voltar da pedalada, aparecem com mochilões, sacos de dormir e barracas. Era a Bicicletada Camping! Uma proposta que, a princípio, não passava de uma desculpa para extender a ocupação da Praça dos Ciclistas durante toda a noite. O fato é que a Bicicletada Camping foi muito mais do que isso…

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Foi interessante escutar semanas antes da Bicicletada Camping, pessoas dizendo acharem perigoso ficar numa praça durante toda a noite. Inclusive perguntaram se haveria polícia! Esses e outros comentários são provas nítidas da criação psicológica do medo na cidade. Aprendemos desde cedo achando que o seguro é estar dentro das nossas “bolhas”, nunca falar com estranhos, e não caminhar a noite sozinho. Claro que não podemos ignorar o fato de haver atos de violência nas cidades, mas o problema é que isso se tornou uma ignorância urbana, em que pessoas se retraem de fazer parte de qualquer evento que envolva estar em espaços públicos. Automaticamente elas sentem isso. E por isso digo: a bicicleta é um meio de combater a sociedade do medo psicologicamente criada em nossas mentes. A Bicicletada Camping enfatizou isso…

Montando as barracas na Praça dos Ciclistasdsc09188

Barraca vigiada por Francisco Miranda

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Barraca com “campainha”

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Muita conversa, música, bagunça e integração

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Noite fria com fogueira – prefere o aquecedor do seu carro ou a lareira da sua casa?

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Primeira cena impagável: acordar, sair da barraca e ver uma avenida maravilhosa pela qual sempre fui apaixonado

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Com poucas (ou nenhuma) horas de sono, alguns começam a desmonstar suas barracas, enquanto outros começam a se preparar para a cicloviagem até Sorocaba. A proposta era pedalar até Sorocaba e participar da pedalada do Colégio Véritas. Até então uma empolgação simplesmente pelo fato de viajar pedalando.

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Então 12 pessoas se concentraram na praça…

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…e partiram para Sorocaba.

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Caindo na estrada – Rodovia Castello Branco

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Logo de cara uma placa antipática

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Primeira parada

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Segunda parada (placa diz: “Lisboa: 7.941km”. Será que dá pra encarar? Superando limites…)

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Cenários inexplicáveis por meio de palavras

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Terceira parada com direito a acidente de um ciclista (foto do acidentado mais abaixo)

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Segunda cena impagável: última subida (não é essa da foto) para chegar em Sorocaba, ouvindo Eleanor Rigby’s do Beatles, e um pôr-do-sol incrível! Na hora me surge uma segunda reflexão do fim de semana. Sempre nos inibimos de fazer certas coisas por nos pensarmos incapacitados. É uma maneira de nos podarmos. Já não é mais necessário termos pais ou chefes para fazer isso, nós mesmos nos limitamos de uma série de coisas, ou por medo ou por incapacidade, ambas formadas apenas em nossa mente e o que ela absorve. Ao fim dessa viagem percebi que a bicicleta também está me servindo como um meio de superar limites (o que não quer dizer ultrapassá-los). Por meio da bicicleta sentimos mais, nos aproximamos mais e, logo, vivemos mais. Pelo menos é o que tem ocorrido comigo.

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Na chegada em Sorocaba já impressiona a estrutura da ciclovia principal que acompanha a análoga Marginal. Altamente utilizada e muito bem cuidada, essa ciclovia exemplificou uma ação que faz sentido, parecendo ter passado por algum planejamento viário. dsc09302

Bicicleta gera vínculos! Um ciclista sorocabano nos encontrou e voluntariamente nos guiou até à Santa Casa onde o ciclista acidentado estava sendo atendido. Comece a pedalar e irá perceber que isso é muito comum, principalmente entre os cicloativistas.

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O ciclista acidentado, com 4 pontos no queixo e, mesmo assim, muita força no pedal!

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Logo na entrada do Colégio Véritas, que nos alojou, já avista-se uma proposta diferente, inserindo a bicicleta como espinha dorsal da educação de crianças e jovens.

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Além do contato direto com a natureza.

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Ciclobras de arte não faltaram…

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No dia seguinte partimos para a pedalada. Uma estrutura assustadora. Por meus toscos cálculos, vi algo em torno de mil bicicletas, entre adultos, jovens e crianças. Muitos em família. A empolgação da viagem foi aumentando…

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Cicloturistas de São Paulo com a equipe de ciclistas do Véritas

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Início do passeio com todas as faixas ocupadas. Os carros não se manifestaram.

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Terceira cena impagável: ver mil cidadãos (inclusive crianças) pedalando gritando: “Menos carros, mais bicicletas!” e o trio elétrico fazendo uma campanha massante para o uso da bicicleta com frases do tipo: “Em tempos de crise, experimente trocar seu carro pela bicicleta!”

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Parada final: concentração dos cicloturistas paulistanos fazendo sua campanha pró-bicicleta

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Galo ganhando prêmio de bicicleta mais exótica (e logo em seguida voltou com mais dois pedalando para Sampa!! – superando limites!!)

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Despedindo da ciclovia…

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….colocando as bicicletas para descansar no bagageiro do ônibus…

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…e chegando em São Paulo.

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Segundo meu processo de educação, não era para eu ter feito tudo isso nesse fim de semana. São parentes me reprimindo para o uso da bicicleta, preocupações com trabalhos da faculdade, programas mil… Mas já faz um tempo que tenho pensado no que é melhor para mim: viver em função do medo e dos limites ou me libertar dessa “bolha” invisível? Preferi alfinetar essa bolha. Os resultados são: mobilidade, saúde, alegria e união. Todos explicados na foto abaixo.

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2 Comentários leave one →
  1. 04/05/2009 12:55

    Parabéns aos participanete da bicicletada paulista!
    Faço votos de que movimentos como esse se multipliquem e atraiam cada vez mais adeptos da atividade saudável e prazerosa de pedalar, como é o meu caso.
    Sou adepto e praticante do esporte aqui em Belém – Pará.
    Faço parte da comunidade EART (equipe de Aventuras Ratos de Trilha) http://www.eart.esp.br

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