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Ousar usar a cidade – 1o BotEco Urbana

09/03/2009

Por JP Amaral

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No Sábado, dia 07 de março, uma experiência simples, embora encantadora, emergiu.
Em alguns breves encontros do Coletivo Ecologia Urbana surgiu a concepção do BotEco Urbana e em seguida a organização do primeiro BotEco Urbana, neste Sábado passado.
Visavamos uma série de atividades, como projeção de vídeos, notícias para debater, alguns convidados, mas o primeiro BotEco Urbana se demonstrou algo muito maior do que isso. Sem pauta, sem regras ou pausas, pressentimos um ambiente acolhedor para conversar, com amigos ou não, e para realizar atividades repentinas.

As previstas intervenções políticas, culturais e musicais ocorreram assim como a palavra diz: intervindo.

Montamos uma cadeira de praia com uma sombrinha e um violão, com a intenção de causar essas intervenções. E funcionou! Logo no início do BotEco Urbana surge um rapaz desconhecido com tremenda empolgação, puxa o violão e começa a mandar um blues. Felizmente conseguimos registrar esse ato…

Um tradicional atraso paulistano e as pessoas começaram a aparecer. Alguns perdidos e isolados, e outros em massa, inclusive uma massa crítica.

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Observei pedestres utilizando a praça General Craveiro Lopes (centro de São Paulo) como mero corta caminho, mesmo com toda a movimentação no boteco. Muitos olhares refletiam a sociedade do medo e outros simplesmente não eram vistos, pois estavam apontados para o chão. Aos poucos fui me dando conta de que, com ou sem boteco urbana, a ocupação dos botecos de praça é uma forma de abrirmos os olhos. De ficarmos ali sentado durante horas tomando umas e vendo (e não só olhando) o movimento. O boteco se torna, então, um templo de relações sociais e ambientais. O BotEco Urbana se insere justamente na proposta de ver estas e outras relações que compõem todo um ecossistema urbano, da perspectiva da mesa do bar. Um brinde a mais uma iniciativa de revivência no centro.

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Outra curiosidade passada no BotEco Urbana foi o processo de formação de rodas. A idéia que o Coletivo tinha em suas reuniões de organização era que se formasse uma longa mesa com todos, ou pelo menos uma concentração das pessoas para que estivessem convivendo as mesmas experiências e conhecimentos. Naturalmente, as pessoas foram chegando e conversas paralelas ocasionaram em fragmentos espalhados pela praça ocupada. Ponto negativo? Acredito que não, pois um processo natural de papos políticos tomaram conta das rodas. Vi que ali estavam saindo idéias e discussões. Será que o fato do boteco estar sediando um evento político/cultural instigou as pessoas a naturalmente conversarem sobre isso? Parece que sim. Afinal, quando vamos assistir um jogo de futebol no boteco é raro conversarmos sobre o plano de metas do Kassab ou o aquecimento global.

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Um problema técnico de comunicação, pois o dono do bar não avisou que a tomada era 220V e nem nós fomos checar, fez com que perdessemos o equipamento de som, mas de qualquer maneira projetou-se algumas imagens de documentários do Jorge Furtado (diretor da curta “Ilha das Flores“). Valeu o teste. Para os próximos não há dúvida de que as projeções devem rolar em alto e bom som.

A segunda intervenção musical da noite ocorreu na roda em que se encontrava a maioria dos ciclistas, puxando uma versão coletiva do grande hit do PláInvasão das Bicicletas:

Etapa número 3: a junção da massa. Já mais tarde no BotEco Urbana vejo um grupo de pessoas sentadas no chão da praça, metamorfoseando o chão acizentado como mesa de bar. Havia como arranjar cadeiras e mesas, porém optaram por sentar no chão. Mas por que as pessoas gostam de sentar no chão? Não que eu não tenha nada pra fazer, mas fiquei curioso para achar respostas a esta pergunta e, por incrível que pareça, encontrei outras pessoas que já fizeram essa pergunta. Nesta busca encontrei um belo artigo que fala sobre a comunicação e relação entre os adultos.

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A resposta ainda não apareceu, mas este ato contaminou todos que ali estavam, formando uma roda gradualmente maior, no chão, ao lado das mesas e cadeiras vazias. Foi um desconforto confortável, com música…

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…e uma poesia coletiva. A idéia da poesia coletiva é que cada um escreva uma frase sem que os restantes leiam, e ao final junta-se todas as frases. Resultado: uma poesia coletiva, improvisada e imprevisível, mas com muita sintônia e nexo:

Corpos pelados e pintados sobre veículos
Pare de falar e comece a fazer
Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.
Se a lua estivesse cheia…
Porque a Terra é nossa casa
Ontem não, hoje talvez.
Estou triste
De bike não tem lei seca
Ousar usar a cidade!

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E por aí vamos, combinando cerveja com política, meio ambiente e sociedade, através de experiências múltiplas e sinérgias.

Cabe aqui um agradecimento a todos que participaram do primeiro BotEco Urbana e o convite para o próximo, daqui há um mês, no mesmo local e horário, mas na busca de novos espaços e novos tempos em processo de construção. Será que conseguimos mudar alguma coisa desse mundo maluco no Sábado? Se não, continuemos tentando…

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P.S.: Fomos extender o BotEco Urbana para outras ‘baladas’, e de cara encontramos com facilidade um abuso à revivência da cidade. Dois carros estacionados em cima de uma calçada bloqueavam a passagem de pedestres. Infelizmente temos que depender de um governo não muito empenhado em fiscalizar os desrespeitos dessa cidade.

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9 Comentários leave one →
  1. Carina permalink
    09/03/2009 10:57

    Valeu a pena insistir no primeiro BOTeco urbana!
    A experiência foi muito boa…. novos contatos, novas (e velhas) idéias sendo compartilhadas, disseminadas…..
    A idéia de interagir com (e no) centro foi fantástica… Que ousemos cada vez mais usá-lo!
    Pela expansão física e ideológica do coletivo!

    Começamos bem!

  2. igor abreu permalink
    09/03/2009 16:28

    VALEU DEMAIS!

    Apesar de achar que poderia ter falado mais com o pessoal da “novo” pra mim e menos com os velhos conhecidos da Bicicletada, adorei o evento e ficarei aguardando o próximo “primeiro sábado do mês” ou qualquer que seja o dia do próximo BotEco!

    Eu sou um dos “sentados no chão da praça”, e pra explicar prefiro parafrasear o poeta baiano (como eu) Castro Alves:
    “A praça! A praça é do povo
    Como o céu é do condor
    É o antro onde a liberdade
    Cria águias em seu calor.”

    Igor Abreu

  3. Heloísa permalink
    09/03/2009 16:38

    Parabéns pela idéia!!! De fato, juntar a galera num boteco parece ter ótima e eficiente repercurssão!!! Só fiquei triste por ter perdido a maior “baladinha” no sábado, hehe!!! Assim, garanto a participação na próxima!!!

  4. ogum777 permalink
    09/03/2009 17:03

    quem não foi, perdeu. reocupar o centro, dar-lhe vida, é sempre algo interessante. foi divertido, instrutivo, interessante. que venham na próxima, e não percam.

  5. zecopol permalink*
    09/03/2009 17:44

    Sentar numa cadeira de praia, olhar pro céu no centro, pros prédios, pra cãmara municipal, pra alegria da turma… pensei em mil possibilidades.

    A Presença do GG (do movimento de moradia do centro), do pessoal dos cineclubes da região, dos moradores (com ou sem teto), dos cicloativistas, dos ecologistas, da moçada que curtiu o centro, de diversas classes sociais, promete um segundo boteco cheião!

    Enfim, foi algo próximo do sonho de ver um centro reocupado com alegria e integração… quem sabe sem carros, com menos desigualdade, menos concreto, mais verde, mais vida. viva O CENTRO VIVO!

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