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Bons (e ruins) exemplos de Ecologia Urbana em Uberlândia/MG

25/02/2009

Por JP Amaral

img-021No carnaval estive em Uberlândia e aproveitei para conhecer alguns ciclistas que me levaram para um passeio que, no final, me serviu como uma miscelânea de pensamentos no que se baseia a ecologia urbana.

Alguns cientistas, precisamente alguns ecologistas, são contra o termo ecologia urbana, opinando que ecologia se remete apenas a ecossistemas naturais. Não vou me contrapor a esse pensamento, mas é irrefutável dizer que não existam relações de interdependência no sistema urbano análogos aos sistemas naturais. Aliás, sistemas naturais, em muitos casos, são limitados por barreiras geográficas (ex: rios e montanhas), condições climáticas, entre outros fatores, o que não ocorre em grandes sistemas urbanos, com uma complexidade significante e ainda mais exacerbada com o intenso processo de globalização. Ou seja, vivemos em um ‘ecossistema’ muito mais impactante e necessário de ser estudado.

Não é muito difícil fazer um exercício para isso. Basta pensarmos na 3a lei de Newton, a lei da ação e reação. O exemplo mais simples para a ecologia urbana é pensarmos em algo que consumimos. Aquele alimento, mesmo não sendo necessário – geralmente alimentos industrializados, que consumimos todos os dias, gera uma reação no mercado, no meio ambiente (natural ou não), na sociedade, etc. No entanto, se fizermos a reflexão ao sairmos fisicamente de nosso habitat teremos uma visão muito mais nitida do que a ecologia urbana trata. Tive essa oportunidade no carnaval e aproveitei essas reflexões.

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No Domingo de carnaval fiz uma trilha de bicicleta em estrada de terra próximo à rodovia de Uberlândia sentido Araxá. Logo de cara uma paisagem composta por um mosaico de fazendas e terrenos que passavam longe de ser um fragmento do Cerrado.

Ao final da primeira subida me deparo com uma fileira de carvoeiros aparentemente mal alocados, com uma vegetação nativa ao redor e espessos troncos empilhados sendo queimados.

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Ao me aproximar dos carvoeiros me veio a primeira reflexão. O carvão que dali provinha, e que não parecia nada sustentável, pode ser aquele que abastece os inumeros churrascos de Sábado (e realmente não são poucos – cuidado que logo mais serás convidado para alguns).

img-008Em seguida, em uma rota mais plana, do lado direito da estrada uma extensa plantação de soja com corredores de plantações de eucalipto e do lado esquerdo um vasto campo de pastagem com gado. Quando digo extenso, me refiro a uma plantação com um horizonte infinito.

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Não obstante, uma área desmatada cercada por uma plantação de eucalipto se torna mais um fração desta paisagem.

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Hoje, em que as emissões de CO2 chegam a mil toneladas por segundo, vivenciar esses cenários me remete a uma certa angústia e pessimismo. Pessimismo que me faz pensar se somos (ou seremos) capazes de mudar essa crise ambiental e civilizatória.

Também sinto-me pequeno, microscópico, quando observo que os problemas não estão apenas no meu quarto, na minha casa ou na minha cidade, mas em todos os cantos do Brasil, em todas as esquinas do mundo. E é disso que se trata a ecologia urbana. Os limites das interações desse meio em que vivemos são dificilmente perceptíveis, mas já temos muitas iniciativas nos indicando os caminhos (mesmo que com algumas controvérsias): consumo responsável, transporte alternativo, vegetarianismo, e, acima de tudo, o coletivo. Este último serve para suprir esse sentimento de sermos insignificantes, pequenos, perante essa enorme esfera chamada Terra, e também para quebrar barreiras que, quando estamos isolados, nos parece tão altas, tão inalcançáveis.

De fato, temos que sair de uma perspectiva ecológica na terceira pessoa em direção a uma na primeira pessoa do plural. Nós fundamos esse ecossistema urbano, e para mudarmos o modelo vigente necessitamos do coletivo, do plural!

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Mais fotos do passeio ciclístico em Uberlândia AQUI.

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4 Comentários leave one →
  1. zecopol permalink*
    25/02/2009 15:09

    Excelente post, dá uma boa idéia do que significa a nossa proposta e do que é ecologia urbana.

  2. Flausino, L permalink
    25/02/2009 19:52

    JP Amaral,

    De certa forma sinto que compartilhamos muito dessas experiência. As Boas e as más.
    A primeira, foi rever, mesmo que em fotos, áreas da minha querida Uberlândia, terra que passei bons anos da minha vida, antes que o destino me trouxesse para terras mais quentes e úmidas [Exatamente no Recife]. Por outro lado, a mesma triste constatação sentida por você nas plantações infinitas que descaracterizaram o ambiente natural, percebidas desde que viajava para a cidade em que nasci [Perdizes, perto de Patrocínio, aí no Triângulo mesmo] e sentia o cheiro do eucalipto nas estradas.
    A segunda, foi a definição de Ecologia Urbana, fato que tenho como certa para mim e que busco discutir com meus amigos, aqui no curso de Biologia [felizmente há um pequeno grupo considerável por aqui], fato que tento superar definições antigas, visões estanques e muita ignorância [o mais dolorido é a que encontramos no proprio meio acadêmico]. Tenho uma estranha afinidade, dessas de pessoas que nunca se viram pessoalmente, mas que acima de tudo [e felizmente] compartilham bons ideiais.
    Por fim, a afirmação mais importante foi a da responsabilidade humana nos defeitos, mas acima de tudo, na capacidade de transformar e melhorar. Quanto a isso, sinto o mesmo que você, quand paro nos meus momentos mais desesperadores e penso se todo esse comprmetimento, preocupação e ação, valem de alguma forma. Digo que valem.
    Acho que essa nova geração [não sei quantos anos você tem, mas acredito que tenha mais do que meus 22 anos], que talvez lhe inclua também só teria esperanças renovadas se estas fossem repassadas por alguém de gerações anteriores.
    Se a recente consciência ecológica surgisse somente agora, até 15 anos atrás, por exemplo, provavelmente houvesse motivos para não acreditar em saídas. Mas se usamos o argumento de que para protegermos nosso meio ambiente [urbano ou natural], o fazemos pensando nas futuras gerações, de certa forma podemos ter para cada um de nós que os benefícios surgirão lentos agora e serão plenos no futuro. Afinal, não valeria a pena viver se não houvesse a esperança.

    Abraços a todos,
    Lucio Flausino

  3. Márcia Ribeiro Brincas permalink
    29/01/2015 11:51

    Muito bom Paulo, ou quem escreveu o post…gostei do que escreveram e de como observaram os espaços ..é isso aí…Ecologia Urbana é muito mais complexo do que pensamos , bem como sustentabilidade, resiliência….o discurso existe, mas a prática não é nada fácil.,..abçs

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