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Qual o novo rumo para o planeta?

19/02/2009

Ontem, durante o Seminário de Recursos Energéticos e Meio Ambiente, no qual o Coletivo Ecologia Urbana participou, o ecossocialista Paulo Piramba fechou sua resposta do debate comentando sobre o Plano Decenal de Energia. Vale divulgar essa informação para todos.

Mesmo vivendo em uma sociedade em que cientistas alertam para o curto prazo do colapso ambiental e os movimentos socioambientais estão tentando mudar esse cenário, o Brasil está se planejando para continuar a lógica de degradação ambiental para os próximos 10 anos com esse Plano. O artigo a seguir, de André Trigueiro, ilustra a situação em que os governos (não só do Brasil) nos coloca, sem pensar nas futuras E PRESENTES gerações. Ou alguém aí acredita que temos tempo de sobra para nos planejarmos a caminho de uma mudança no modelo de produção e consumo?

P.S.: Um relato completo do seminário de ontem ainda será publicado.

‘Cidades e Soluções’ poderia inspirar presidente Lula

Por André Trigueiro

O Plano Decenal de Energia lançado pelo governo federal agravará as emissões de gases estufa do país, além de menosprezar as fontes limpas e renováveis de energia como eólica e solar. Perde-se uma oportunidade ímpar de promover os ajustes necessários na direção certa, ou seja, a de um mundo onde a matriz energética seja cada vez menos suja, com menos combustíveis fósseis e menos emissões de C02.

Mais do que isso: segundo o relatório Stern (produzido pelo ex-economista-chefe do Banco Mundial, Nicholas Stern), o cenário econômico é propício à taxação do carbono, ou seja, produtos feitos a partir de energia suja serão sobretaxados por agravar o aquecimento global. Sinal amarelo nas transações comerciais entre os países num futuro próximo.

Apenas para efeito de comparação, na mesma semana em que o Brasil anunciava seu plano estratégico para o setor de energia, os Estados Unidos de Barack Obama determinavam a redução compulsória de 30% no consumo de energia das edificações públicas federais.

O plano de eficiência energética americano compreende – entre outras medidas – que, a partir do mês de agosto, 30 produtos eletroeletrônicos como computadores, celulares, aparelhos de ar-condicionado, etc, deverão sair de fábrica com metas mais rígidas de consumo de energia. Da Casa Branca, saiu a ordem que repercute diretamente no pátio das fábricas em favor da racionalização do consumo de energia. É a mesma voz que enquadrou as montadoras de veículos, condicionando a ajuda financeira de Washington – leia-se bilhões de dólares – a metas tecnológicas mais ousadas na direção da eficiência no consumo de combustíveis.

É bom lembrar que, por aqui, a ajuda financeira às montadoras de veículos – redução do IPI e empréstimo a fundo perdido de R$ 8 bilhões – não teve nenhuma contrapartida. E que o selo verde dos automóveis não é obrigatório – as montadoras aderem se assim o desejarem.

Também na semana passada, o presidente Lula anunciou a construção de 500 mil novas casas populares para a população de baixa renda. A previsão é de que esse meio milhão de casas sejam construídas ainda este ano.

Nenhuma palavra se ouviu do presidente sobre eventuais medidas que poderiam alinhar o Plano Nacional de Habitação às chamadas construções sustentáveis ou verdes.

Exigência de madeira certificada, coleta de água de chuva, coletores solares em lugar de chuveiros elétricos, biodigestores para a conversão de esgoto doméstico em gás de cozinha são alguns dos exemplos de como o plano poderia estimular um novo conceito de construção que já é regra em várias partes do mundo e, em menor escala – bem menor mesmo – também aqui no Brasil.

A aplicação de tecnologias sustentáveis tanto no setor de energia como no da habitação são exibidas em detalhes há mais de dois anos no programa “Cidades e Soluções”. Tivemos a oportunidade de conhecer de perto essas experiências e daí a nossa perplexidade com o descompromisso dos setores governamentais com a aplicação inteligente dessas ferramentas.

O anúncio dos planos citados aqui revela que a sensibilidade para a mudança, embora exista, ainda encontra obstáculos importantes que agravam nosso atraso e o descompasso entre o discurso e a prática.

* André Trigueiro é jornalista com Pós-graduação em Gestão Ambiental pela COPPE/UFRJ, Professor e criador do curso de Jornalismo Ambiental da PUC/RJ, autor do livro “Mundo Sustentável – Abrindo Espaço na Mídia para um Planeta em transformação” (Editora Globo, 2005), Coordenador Editorial e um dos autores do livro “Meio Ambiente no século XXI”, (Editora Sextante, 2003).
(Envolverde/O autor)

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13 Comentários leave one →
  1. iaque permalink
    19/02/2009 15:28

    ouvir o ministro anuncia a licitação de mais 4 usinas nucleares foi uma piada de mau gosto…. só o Lulla pra achar normal…
    Qual o potencial elétrico de energia eólica existe em um país com mais de 9.000 km de litoral? Alguém tem esse dado?

  2. 19/02/2009 18:43

    Li uma reportagem e ela dá um noçaõ do nosso potencial! só os governantes não enchergam!

    Cataventos no mar do Sudeste podem gerar toda a eletricidade do Brasil, segundo um estudo feito por um grupo de pesquisadores da Universidade Delaware, nos EUA, sugere que cataventos instalados em um trecho da costa brasileira na região Sudeste podem produzir sozinho eletricidade para abastecer todo o país.
    Segundo a avaliação, só nesse trecho do litoral, seria possível gerar até 102 gigawatts de eletricidade. Teoricamente, seria o bastante para a demanda atual do país, que está em torno de 100 gigawatts.

  3. iaque permalink
    15/03/2009 16:31

    eu sempre vou e volto nos assuntos…

    impressionante segunda aneel producao brasileira 2008 parque instalado foi de 102.610 MW.

    Jorge se os dados da Delaware estao corretos nao dah para entender nada…. na verdade dah mas nao dah pra escrever em um comment de blog!!!

    para registro, espanha registrou recorde na producao eólica 11.180 MW quase uma Itaipu (14.000 MW)!

    como no ano passado foram acrescentados apenas cinco usinas eólicas no sistema elétrico, a coisa tah feia!

    brincando de conta burra….

    cinco usinas eólicas com capacidade de 91,30 MW…

    fazendo a conta burra cada uma produz 18,26 MW…

    com mas uma conta burra e dividindo producao atual por capacidade usina eólicas chegamos a necessidade de ter 5.620 usinas instaladas…

    e para finalizar as contas burras dividindo necessidade por quantidade de planta instalada 2008 chegamos a conclusao que as mentes brilhantes da sociedade brasileira precisarao de 1.120 anos para produzir o projeto….

    link para dados
    http://cleantechnica.com/2009/03/13/spain-breaks-wind-power-generation-record/
    http://oglobo.globo.com/economia/mat/2009/01/16/brasil-aumentou-capacidade-de-geracao-de-energia-eletrica-em-2-25-no-ano-passado-748192908.asp

  4. iaque permalink
    15/03/2009 17:33

    domingo preguiçoso….

    voltando a questão nuclear, Angra 3 produzira 1.350 MW.

    Parece muito se pensarmos que em 2008 o Brasil conseguiu apenas produzir 91,30 MW com vento….

    como adoramos copiar os americanos, poderíamos copiar os 5.249 MW de capacidade instalada nos Estados Unidos em 2007…

    se copiássemos eles também na quantidade jah instalada 21.017 MW poderíamos tem 20% da matriz elétrica brasileira sendo eólicas …

    voltando a conta burra EUA produziram 3,8 Angra 3 de vento em 2007!

    nisso nois nao copia eles, neh!
    sorte Brasil…

    link para dados
    http://www.awea.org/pubs/factsheets/Market_Update.pdf
    http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u307130.shtml

  5. iaque permalink
    15/03/2009 18:40

    pra finalizar domingo de um monte de conta burra.

    uma turbina eólicas pode ter diversas potências.
    adotando modelo de 1MW e adotando que a turbina forneça de uma de forma contínua no máximo 25% de sua potência nominal. precisamos instalar 410.440 pontos para suprir a atual necessidade do sistema elétrico brasileiro! 102.610 MW .

    tah faci, nehl!!!

    copiando a quantidade americana e instalando 5.249 MW eólicas/ano na conta burra, em 20 anos chegaríamos lah… mas pra isso políticos teriam que pensar hoje como instalar 20.996 turbinas/ano….

    link para dados
    http://www.aneel.gov.br/aplicacoes/atlas/pdf/06-Energia_Eolica(3).pdf

    ps: sei que um monte de contas burras não são a solução mas facilitam na visualização do problema…..
    [s]

  6. iaque permalink
    15/03/2009 20:03

    colocando valores na conta burra.

    investimento projeto Angra 3 R$8,7 bilhoes – 1.350 MW

    custo de uma turbina eólicas R$500 mil

    de novo na conta burra dah para comprar 17.400 turbinas.

    custo de instalação igual a 100% do custo da turbina ainda teremos 8.700 turbinas

    conta burra novamente e adotando eficiência de operação de 25% da potência nominal da turbina temos 2175 MW quase o dobro de Angra 3!

    link para dados
    http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u307130.shtml
    http://www.inova.unicamp.br/inventabrasil/turbeol.htm

    ps nao sei se o modelo de R$500 mil tem potencia de 1MW mas a conta eh burra mesmo….

    mas existe estudo de turbinas com 1000 MW
    Super turbina eólica utiliza levitação magnética para produzir até 1 GW – link pra lah de velho…
    http://www.gforum.tv/board/877/123504/super-turbina-eolica-utiliza-levitacao-magnetica-para-produzir-ate-1-gw.html

    sorte pra nois pq com os políticos a coisa tah difícil!!
    [s]

  7. iaque permalink
    21/07/2009 17:02

    como falado eu vou e volto.

    link interessante sobre crescimento da utilização da energia eólica no EUA.

    http://cleantechnica.com/2009/07/20/us-wind-power-growth-visualized-map/

    eles já tem instaladas duas Itaipus de vento.

  8. 01/08/2009 13:46

    caramba, apagaram meu ultimo comentário!!!

  9. 09/08/2009 22:11

    prãeviso vs reaalide elicóa

    O Programa Institucional de Infra-estrutura para Pesquisa e Pós-graduação (ProInfra) previu em 2002 a instalação de 1.423,00 megawatts (MW) de potência instalada até o final de 2008

    Segundo Anaeel no Atlas da energia elétrica 3 edição, no final de 2007 estavam instalados apenas 247,10 megawatts (MW) http://www.aneel.gov.br/visualizar_texto.cfm?idtxt=1689

    segundo Globo em 2008 foram instalados 91,30 megawatts (MW)

    final de 2008 338,4 megawatts (MW) de potência instalada. 23% da previsão da ProInfra.

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