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Evento Nossa São Paulo fecha com discurso de cicloativista

25/01/2009

No dia 22 de janeiro, às 10h30, aconteceu no Sesc Consolação o evento do Movimento Nossa São Paulo divulgando a pesquisa Ibope “Viver em São Paulo” e apresentação de indicadores de qualidade de vida em São Paulo. Ao final do evento, os cicloativistas de São Paulo foram convidados para prestar uma homenagem a Márcia Regina de Andrade Prado e fazer uma apresentação sobre a realidade do ciclista em São Paulo e suas implicações.

Trazendo alguns risos e aplausos, André Pasqualini apresentou alguns dados, fez algumas críticas e metas para que o trânsito seja mais justo e pacífico para os “desfavorecidos” – os ciclistas e pedestres. Segue abaixo um trecho da fala do André (parabéns André! Mandou muito bem!!) e fotos do evento.

A cidade que matou nossa amiga.


Resgate histórico

Desde que o povo paulistano voltou a escolher os seus governantes de forma democrática, as políticas públicas de transporte e mobilidade urbana favoreceram em muito o uso do automóvel em detrimento de outros meios de transporte. Isso faz parte da história de nossa cidade, não é privilégio de nenhuma gestão pública. Vamos citar alguns símbolos, os túneis e mega avenidas bilionárias da gestão Maluf, o cebolinha da gestão Pitta, a invenção das operações urbanas, os túneis e viadutos da gestão Marta. E a ponte estaiada, continuidade desta política, símbolo da última gestão Serra/Kassab, que inclusive desrespeita a lei, por não ter previsto o acesso de pedestres e ciclistas. Todas essas obras viárias citadas são pró transporte motorizado individual.


Consequentemente, quem mais sofre nesse processo é o elo mais fraco no trânsito, ciclistas e pedestres. Muito pouco foi feito durante essa recente história, os números de mortos no trânsito de São Paulo impressionam.

Enquanto na Europa, 75% das mortes no Transito envolvem motoristas e passageiros, em São Paulo a lógica se inverte. Cerca de 55% das fatalidades são entre ciclistas e pedestres.

Ultimo ano

No último ano, vivenciamos a inauguração do mais novo símbolo da cidade, a Ponte Estaiada, mais conhecida como Estilingão. Gastamos dos nossos bolsos aproximadamente 300 milhões de reais para construir a ponte que passa menos carro por hora da cidade. Escolhemos isto ao invés da construção de 1000 km de melhoramentos cicloviários (algo muito além das ciclovias). Além disso, ela foi construída com dinheiro das operações urbanas, o que poderia ter sido gasto com praças, calçadas decentes, parques e ciclovias na região, ou mesmo um corredor de ônibus na Luis Carlos Berrini, na Av. Águas Espraiadas, Roque Petroni Junior, até mesmo na Marginal, mas não foi nada disso que ocorreu. O Estilingão é o simbolo de 2008 e deixou bem claro para nós quais eram as prioridades dos nossos governantes. E desse monumento ao congestionamento e à segregação, curiosamente, partirá no pŕoximo domingo, um evento com 5 mil bicicletas. É, pelo menos uma vez por ano poderemos pedalar no estilingão.

Com base nas prioridades dos nossos governantes os ciclistas resolveram arregaçar as mangas e criaram a CETB.



A CETB espalhou bicicletinhas pelas ruas, pois os ciclistas sabem que a maioria dos motoristas que os agridem, o fazem pois acham que nós não podemos trafegar na via. Já a CETA, que demonstrou inúmeras vezes que é contra as “caríssimas ciclofaixas”, por não achar seguras, nada fez por nós. Aliás é mais fácil a prefeitura construir uma ciclovia na cidade do que sinalizar uma ciclofaixa ou colocar uma placa informando que há ciclistas na via. (ilustrar com essa foto, tirada em Brasilia http://ciclobr.multiply.com/photos/album/47/Encontro_de_Cicloativismo_2008_-_Brasilia#109)

Portanto, a CETB com suas ações, implementou mais de 70 km de “ciclofaixas” na cidade, espalhou placas de sinalização para educar os motoristas (placas rapidamente retiradas pelos nossos homens da CETA(temos fotos deles retirando uma placa na segunda passada), fez campanhas de conscientização de motoristas (foto da entrega de panfletos). Além disso contou com o apoio de setores da mídia, que colaboraram com disseminação das informações que nossos motoristas nunca tiveram acesso, incentivando mais ciclistas a tomarem as ruas. Com isso a CETB conseguiu diminuir o número de acidentes fatais com ciclistas, segundo disse nosso Superintendente de Planejamento da CET, o senhor Ricardo Laiza. Apesar de não termos os números oficiais de 2008, a CET trabalha com uma projeção de 60 mortes.

Fica aqui um desafio, quando sairem os números oficiais, tenho quase certeza que o número de mortes de motoqueiros, pedestres e passageiros de carros tiveram reduções insignificantes, se não aumentaram. Isso demonstra o quão eficiente é o trabalho da CETB, e o quão é válida todas essas ações realizadas pelo “Poder Público”. Portanto senhores, vamos ser honestos, admitam que pouco fazem pelos ciclistas e se comprometam (de verdade) a fazer algo, não só para os ciclistas, mas para a população como um todo.



Situação hoje (quinta)

Hoje, quinta-feira encontramos a cidade assim: 3 funcionários da CET para cuidar de ciclistas e pedestres entre os mais de 4300 funcionários que cuidam da “fluidez” dos “carros” da nossa cidade. Como? Os números estão incorretos? É mesmo, retificando, acabei de ser informado que a CET contratou uma estagiária para auxiliar o pessoal da Bicicleta, portanto tivemos um aumento de 25% no número de pessoal, que irá trabalhar para melhorar as condições de 30% da população, ciclistas e pedestres ou aqueles que se deslocam sem motor nessa cidade, uma salva de palmas, por favor.

Mas voltando a realidade, inauguramos o ano com várias mortes no trânsito, sendo que uma delas com certeza marcou todo mundo e é um dos motivos para estarmos hoje aqui. Marcia Regina de Andrade Prado, uma grande amiga, cicloativista super atuante, que sacrificou sua vida quando escolheu seguir o nosso exemplo, abandonar a hegemonia do automóvel para lutar por uma cidade mais justa e humana para todos.


O que queremos? (para Sexta)


Ações imediatadas, o que pode ser feito na sexta feira?

  • Campanha publicitária pública massiva de educação no trânsito, mas não queremos campanhas ridiculas que colocam a culpa nas crianças, como essa (http://www.youtube.com/watch?v=fNdlRR9B4cI&feature=related). A cidade pode seguir o exemplo de Londres, que tal?(http://www.youtube.com/watch?v=nDQYdU5p0KY&feature=related).

  • Vamos parar de multar o RODIZIO!!! A partir de amanhã, nossos marronzinhos, com a ajuda da nossa PM, que pode multar quem quiser, vão sair as ruas para multar todas as infrações de respeito a civilidade e ao bem estar das pessoas. Avançar sobre os pedestres, não dar a preferência aos pedestres nas travessias, dirigir de maneira ofensiva contra pedestres e demais veículos, carros que param nas calçadas, multar carros que trafegam no acostamento, motoristas que ultrapassam ciclistas sem respeitar o limite de segurança de 1,5m. Mas é difícil multar? Precisa de uma regua? Será que nossos agentes não sabem diferenciar 1,5m de 10 cm? Mostra as fotos abaixo na sequencia:


Consequentemente, quem mais sofre nesse processo é o elo mais fraco no trânsito, ciclistas e pedestres. Muito pouco foi feito durante essa recente história, os números de mortos no trânsito de São Paulo ainda impressionam.

  • Uma boa sugestão é criar um pelotão dentro da CET para fazer a fiscalização de bicicleta, assim eles poderão aplicar mais do que uma multa do 1,5m por ano e ainda terão facilidades, pois uma bicicleta parada na calçada incomoda bem menos do que uma pickup http://apocalipsemotorizado.net/2007/12/05/por-que/ http://www.readmetro.com/show/en/MetroSaoPaulo/20090119/1/2/

  • Redução das velocidades máximas em avenidas, e vias movimentadas e aumento da fiscalização eletrônica de velocidade. Criação de Zonas 30. Em todos os bairros residenciais, a velocidade jamais poderá passar de 30 km/h, como ocorrem em diversas cidades. Em Londres, nenhuma via que corta a cidade, a velocidade é maior que 50 km/h. Já na nossa Avenida Paulista, local onde passam 1 milhão de pedestres contra 90 mil carros dia, temos uma velocidade, assassina de 70 km/h. Mudanças imediatas nas prioridades da CET, vamos esquecer a fluidez e priorizar a vida, a segurança das pessoas da cidade.


Ações de médio prazo (metas)


  • Treinamento todos os motoristas profissionais da cidade e punições efetivas para aos mals motoristas.
  • Trabalho com metas para reduzir o número de mortes no trânsirto ano a ano. Se em seis meses o número não atingiu a meta, cai toda a diretoria da CET. Se um ano não atingiu a meta, cai o secretário de transportes da cidade;

E para finalizar, a ação de longo prazo.

  • Tirar 1 milhão de carros das ruas até o final do mandato.

A cidade não precisa de mais vias e sim de menos carros nas ruas. Discutir mobilidade urbana não é só falar em fluidez. Como disse o Penalosa, ex prefeito de Bogotá: “Ou você faz uma cidade boa para os carros, ou você faz uma cidade boa para as pessoas. Não dá para fazer os dois”

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