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Reunião de clima da ONU acaba com revolta de ‘pobres’

13/12/2008

solving_global_warming_largeBBC Brasil, 13 de dezembro.

Uma revolta de última hora dos países em desenvolvimento, na madrugada deste sábado, marcou o encerramento da reunião sobre mudanças climáticas das Nações Unidas em Poznan, na Polônia, depois que a Colômbia acusou os países desenvolvidos de “crueldade” nas negociações.

“Estamos muito tristes e desapontados. É um mau sinal para Copenhague”, disse o ministro do Meio Ambiente colombiano, Juan Lozano. O pomo da discórdia foi a tentativa frustrada de usar uma porcentagem do mercado de carbono para ampliar o financiamento do Fundo de Adaptação, um instrumento criado pelo Protocolo de Kyoto em 1997 para ajudar países pobres a combater as conseqüências do aquecimento global.

Ao fim da conferência de 12 dias, o secretário-executivo da convenção sobre o clima da ONU, Yvo de Boer, voltou a se referir à “reunião braçal” da Polônia como um sucesso, mas admitiu que a impossibilidade de chegar a um acordo criou “mágoas”. “Isso mostra que, daqui para frente, é para valer. Os países mergulharam em negociações sérias”, disse de Boer.

Apesar da polêmica, o fundo foi desbloqueado e já nos próximos meses deve começar a liberar recursos – que atualmente somam cerca de US$ 80 milhões, mas podem chegar a US$ 300 milhões por ano até 2012.

No encontro do ano passado, em Bali, ficou acertado que, até 2009, quase 190 países fechariam um acordo global para a redução de emissões para substituir o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012.

Meio do caminho
Em meio à crise econômica mundial e à transição americana, a conferência de Poznan marcou a metade do caminho entre o suado consenso de Bali e um aguardado novo acordo, marcado para Copenhague, Dinamarca, em 2009 – entre a fase de apresentação de idéias e de negociação final.

“Esperávamos que a estrada fosse pavimentada, mas os buracos continuam. Pelo menos agora já enxergamos o caminho”, afirmou à BBC Brasil Paulo Adario, diretor para a campanha da Floresta Amazônica do Greenpeace.

De um lado, países em desenvolvimento como Brasil, China, México e Peru, entre outros, apresentaram propostas claras para redução de emissões, que são consideradas pré-condições para que os países desenvolvidos adotem metas de redução mais audaciosas.

De outro, pouca coisa mudou do lado dos países desenvolvidos. A União Européia, depois de semanas de suspense, aprovou em Bruxelas a sua estratégia de energia e meio ambiente, e manteve as intenções anunciadas em 2007 de cortar emissões em 20% até 2020.

Já os Estados Unidos, mesmo antes da entrada em cena da equipe do presidente eleito Barack Obama, acenaram com a proposta de diminuir as suas emissões aos níveis de 1990 até 2020 – o que na prática significaria uma redução de cerca de 16% (que foi o crescimento nas emissões do país no período).

Decepção
O projeto dos EUA foi considerado pouco ambicioso por países como Brasil e China, mas não chegou a ofuscar a expectativa em torno do novo governo americano.

“Os países em desenvolvimento já tomaram os seus assentos à mesa. Agora, aguardam os Estados Unidos assumirem o seu lugar”, afirmou Duncan Marsh, da organização ambientalista Nature Conservancy.

Para os ambientalistas da organização Amigos da Terra Internacional, os países ricos decepcionaram e ameaçam a meta de chegar a um acordo em 2009.

“Em vez de tomar a liderança, eles (desenvolvidos) continuam a driblar as suas obrigações de transferências financeiras e tecnológicas para com os países em desenvolvimento”, afirmou a coordenadora para Clima da ONG, Stephanie Long.

Apesar da polêmica, o desbloqueio do Fundo de Adaptação está entre as questões consideradas avanços em Poznan.

O ministro do Meio Ambiente do Brasil, Carlos Minc, afirmou que o governo planeja aplicar a verba em Estados do Nordeste, no Rio de Janeiro e em Santa Catarina.

Entre os pontos mais criticados pelas organizações não-governamentais que acompanharam o encontro, está a exclusão de menções a direitos de populações indígenas e tradicionais no texto que orienta a redução de emissões decorrentes de desmatamento e degradação de florestas (Redd).

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