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Crescimento Econômico e População

15/11/2008

Publicado originalmente no blog de J. Porrit, em inglês. A versão aqui é uma tradução livre e editada.

(…)

Quantas pessoas podem ser sustentadas pelos recursos e serviços de apoio à vida da Terra? A resposta a isso é obviamente determinado em parte pelo nível de consumo de cada ser humano. Mas mesmo se, devido a um milagre inimagiável hoje, os mais ricos no mundo aprendessem a levar o que o WWF chama de estil ode vida de um planeta, alguém seriamente acredita que isso funcionaria para os próximos 3 bilhões de pessoas aspirando a viver da mesma maneira – e os próximos 3 bilhões antes de 2050?

É fascinante ver quantos ambientalistas descobriram nos últimos anos sobre o pico do petróleo – a probabilidade que ou nós passamos ou estamos muito perto de ultrapassar o ponto médio em termos do uso das reservas existentes. Mas não estou certo de que todas a implicações disso foram assimiladas. Nossa quase total dependência do petróleo torna muito difícil para pessoas visualizarem uma vida sem ele; ativistas do movimento Transitions Towns são cheios de anedotas do medo das pessoas à medida em que entenderam essa realidade. Richard Heinberg (autor de “The Party’s Over” a um grande ativista na Associação para o Estudo do Pico do Petróleo) gosta de enfatizar isto para lembrar pessoas que apenas três colheres de petróleo provê o equivalente a uma quantidade de energia de oito horas de trabalho humano!

O Último livro de Richard é chamado “Peak Everything” – cobrindo não somente o pico do petróleo, mas pico do solo, pico do trigo, pico do arroz, pico de peixes, pico de metais preciosos e, talvez mais pressionado que tudo, pico da água.

Não é apenas uma questão de mais e mais pessoas em risco por causa dos recursos de á´gua declinante. Um relatório recente do WWF destacou a natureza invisível do problema aqui no Reino Unido. Nós mesmos não estamos sem água, portanto não há ameaça direta para nosso conssumo médio de água atual de 150 litros por dia. Mas cada um de nós consome em média 30 vezes essa quantidade em “água virtual”, que é usada na produção de comeida e têxteis importados pelo Reino Unido. Grandes países exportadores como Espanha, Egito, Marrocos, Kenia, Israel, Paquistão, África do Sul e Uzbesquistão estão enfrentando agudos problemas com água – e quase não é sóbrio lembrar-se que um único feijão verde do Kênia necessita de 4 litros de água para produzir. Na medida em que nós caminhamos para consumir mais de 4500 litros de água virtual de pessoas por dia, por causa dessas importações, nós estamos, de fato, simplesmente exportando secura?

Existem é claro toda sorte de maneira pela qual nós podemos consertar esses problemas.  Sistemas hyper-eficientes de irrigação poderiam reduzir o consumo de água pela agricultura em até 50%. A próxima geração de tecnologias de dessalinização baseadas em eneria solar traria alguma conforto para muitas comunidades costeiras em áreas com problemas de água. Se for necessário, ainda que a um custo massivo, nós poderíamos fazer uma reengenharia total de nossa água e sistema de efluentes através do mundo rico para entregar  os mesmos serviços para uma fração do nível de consumo corrente de água. Tudo isso é possível, mas incrivelmente difícil.

Dado tudo isso, deve-se apontar que seria um muito mais fácil fazer isso para 3 bilhões de pessoas que para 6 bilhões, o que dizer de 9 bilhões.

Foi exatamente esse tipo de pensamento que os líderes chineses tiveram 30 anos atrás:  que talvez fosse possível sustentar uma população de 1 bilhão com os recursos naturais e de terra limitados da China, mas completamente impossível para fazer o mesmo para 1,5 bilhões. A política de uma criança por família introduzida naquele momento deixou a população hoje por volta de 1,3 bilhões; de acordo com a informação do governo chinês, hoje estaria em 1,7 bilhões. São 400 milhões de nascimentos evitados.

É aqui que devemos começar a fazer somas. As emissões per capita de CO2 na China hoje estão por volta de 3,8 toneladas por pessoa. 400 milhões de chineses extras legitimamente procurando melhorar de vida, da mesma maneira em que os cidadãos de cada nação rica fez durante muitas decadas, acabaria por emitir adicionais 1,5 bilhões de toneladas de CO2. Quando perguntado que país I acredito está fazendo mais para combater a mudança climática, apenas em parte estou sendo malicioso quando eu digo ao meu questionador que é a China.

Mas a lógica não vem facilmente para centenas de milhões de pessoas que estão apenas acordando para a ameaça da mudança climática acelerada. Ser dito que a melhor coisa que você pode fazer como contribuição pessoal para o problema é ter menos filhos (ou permitir que as milhões de mulheres ao redor do mundo que amaria justamente ter menos filhos) vem como um pequeno choque. Se, ao invés de 70 milhões de pessoas chegando todo ano, nós tivéssemos 70 milhões menos, então talvez nós ainda tivéssemos uma chance de chegar a um futuro sustentável para toda a humanidade. Sem isso, estamos lutando contra chances bem ruins.

Há uma dupla ironia aqui. Cada única das múltiplas questões sócio-econômicas que preocupam campanhas eleitorais hoje seriam facilitdas por intervenções lideradas pelo goerno em vista de ajudar a fetilidade média – especialmente nos países mais pobres. E nós sabemos exatamente como gerar esse duplo dividendo: fundos massivos para a educação para garotas, para intervenções de saúde e reprodutivas meloradas para mulhere, e para assegurar acesso à mulher uma escolha factível e barata (preferencialmente de graça) de contraceptivos. Isso é o que um planejamento familiar de sucesso parece.

Entretanto ao ouvir críticos do planejamento familiar, pensa-se que tudo gira em torno da coerção e controle. Felizes de assutá-lo com estatísticas chocantes de abortos e estelirizações compulsórias (sem falar dos altos níveis de infanticídio feminino) na China, eles não sabem nada sobre as histórias de sucesso em lugares como Kerala, Tailânida, Corea – e mesmo Iran. Com o apoio total dos líderes islâmicos naquele país, a fertilidade total deles caiu de 6 criânças por mulher em 1974 para 2 crianças por mulher em 2000. E uma campanha educacional brilhante esteve no coração desta história de sucesso.

A ignorância obstinada dos ambientalistas é uma das razões porque o financiamento do planejamento familiar e da saúde reprodutiva tem caído ao longo da última decada, ao invés de crescer, a despeito do alto número de pedidos de apoio financeiros de países ao redor do mundo. A outra razão principal é o desprezível fundamentalismo do regime de George Bush, que decretou quase 8 anos atrás que nenhuma organização receberia financiamento dos EUA se reconhecessem o aborto como uma necessária (ainda que sempre condenável) parte de qualquer estratégia de planejamento familiar. Grande companhia para os ambientalistas de direita.

Esse não é um lamento abstrato, distante da realidade da vida das pessoas. Em países como Etiópia e Kênia, existem tragédias abundando na frente dos nosso olhos bem agora. No Kênia, a taxa total de fertilidade declinou de 8 crianças por mulher em 1979 para 4,7 crianças por mulher em 1998. Boas notícias – mas então, fundos colapsaram e a fertilidade média voltou a subir novamente. Se a tendência de queda continuasse, a população do Kênia em 2050 seria 44 milhões. Pela tendência atual, será mais de 80 milhões.

São estudos de caso como esse (bons e ruins) que convenceram o grupo parlamentar suprapartidário sobre população, desevolvimento e saúde reprodutiva, a se reengajar neste debate em 2007. O relatório desse grupo não poderia ter sido mais claro na sua conclusão: “A evidência é  evidente: os objetivos do milênio são difícies ou impossíveis de alcançar com os níveis correntes de crescimento populacional nos países menos desenvolvidos e regiões.

Então o que exatamente está acontecendo aqui? Os governos de muitos países pobres no mundo estão pedindo apoio financeiro para planejamento familiar, mas não estão obtendo isso. As vidas de incontáveis milhoes de mulheres são devastadas pelas incapacidades delas de controlar a própria fertilidade, e centenas de milhares morrem todo ano por causa de aborto ilegais ou complicações de gravidez não desejada. Mas as vozes deles não são ouvidas. Acima de tudo, todo problema ambiental que nós enfretamos home é exarcebado pelo crescimento populacional, e o massivo já massivo desafio de alcançar 80% de corte nos gases do efeito estufa por 2050 é mais difícil ainda pela chegada prospectiva de mais 2,5 bilhões de pessoas nos próximos 40 anos.

Entretanto a maior parte dos ambientalistas achará esse artigo ofensivo. Irão bradar seu sonho do sobre-consumo em última instância inadequado, e de algum modo dormir com a cabeça em paz pensando que eles fizeram um bom trabalho. Mas eu não acho.

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One Comment leave one →
  1. poavive permalink
    19/11/2008 2:01

    Assinem nosso abaixo-assinado pela DEFESA da Orla do Guaíba:
    http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/1571

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