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A crise de que pouco se fala

31/10/2008

Rita Calvário, Esquerda.net, 31 de outubro de 2008

Se a Humanidade mantiver o seu ritmo atual de consumo, no início da década de 2030 precisará de dois planetas para responder às suas necessidades, refere o relatório Planeta Vivo da WWF.

A partir do dia 23 de Setembro deste ano o Planeta entrou em falência, já que a sua capacidade de produção dos recursos e reabsorção da poluição foi esgotada: estamos a consumir a uma taxa 40% mais rápida do que a taxa de regeneração do Planeta.

Estes são dados confirmam que estamos perante uma crise de sobreconsumo, levando ao desastre ecológico se não invertermos os nossos padrões de vida enquanto sociedade.

Esta crise de sobreconsumo tem merecido pouca atenção nos últimos tempos que correm e dificilmente tem sido olhada desta forma. E poucos têm sido os que a relacionam com a crise do capital especulativo, causa e efeito de crises de sobreprodução, que tanto têm mobilizado os governos na transferência de milhões e milhões dos rendimentos do trabalho para os responsáveis pela crise.

Hoje produzimos demais e especulamos com o que não existe em nome da multiplicação do lucro. Lucro esse que não é sociabilizado e utilizado para que as pessoas possam ter boas condições de vida. Pelo contrário, é utilizado para gerar mais lucro à conta da exploração do trabalho e das desigualdades sociais.

Produzimos hoje a um ritmo que consome os recursos finitos do Planeta, esgotando a sua capacidade de regeneração e reabsorção da poluição, e produzimos inutilidades que não respondem às necessidades reais de consumo das pessoas. Especulamos com a crise ambiental, criando mercados fictícios cujo resultado apenas pode por ser um: o colapso sem resolver os problemas ecológicos reais.

Acontece que esta lógica tem um custo social enorme. Os custos da crise ecológica são sociais, como o são os custos da crise económica.

A inação perante as alterações climáticas colocará em risco a vida e as condições de vida de bilhões de pessoas. Como perante o esgotamento da água potável ou dos solos férteis. Ou a morte da vida nos oceanos e da biodiversidade terrestre. Ou a delapidação dos recursos minerais que utilizamos como matérias-primas. E por aí fora. E a inação não significa não agir: significa não fazer o necessário para evitar o colapso ecológico.

As tendências não são animadoras. Avisam os cientistas que as emissões de gases de efeito de estufa estão já acima dos piores cenários anunciados pelos relatórios do IPCC. Aproximamo-nos perigosamente de subidas de temperaturas sem retorno. As estimativas para a elevação dos oceanos são muito superiores ao previsto: poderá ser maior que 1 metro até ao final do século, o que significa que milhões de pessoas terão de abandonar os locais onde habitam. A perda de cobertura dos gelos polares é duas vezes maior na actual década que nos anos 90 e quatro vezes superior que os registos de 1980. O metano ameaça tornar todas as previsões tímidas nos resultados e consequências que apontam.

É preciso agir e não utilizar a crise financeira como desculpa. Não podemos permitir que a U.E. abandone as suas metas climáticas e temos de exigir mais e melhor das políticas a aplicar, atribuindo primazia à justiça social na resposta à crise ecológica. Com urgência.

E, sobretudo, é preciso abandonar a doutrina do crescimento económico ilimitado. Simplesmente não há recursos suficientes e o colapso terá custos sociais gigantescos. E não basta apenas manipular os indicadores, colocando os ativos ambientais na contabilização do PIB. Essa é a via mais fácil para tornar os recursos e serviços ambientais em mercadoria e alimentar mercados especulativos, mais uma vez sem correspondência com a economia real, a vida concreta das pessoas e os problemas ecológicos. Só a reestruturação da economia nos seus processos de produção e consumo poderá responder às necessidades sociais das pessoas e respeitar os equilíbrios ecológicos.

É por isso importante falar da crise do sobreconsumo quando falamos das outras crises. As respostas têm de ser conjugadas e não podem passar por esperar que tudo volte a funcionar na mesma lógica porque isso significará novas crises económicas e uma crise ecológica sem retorno. Se os recursos entrarem em colapso não será possível a sua redistribuição. Eles simplesmente deixarão de existir e dificilmente serão substituíveis: estamos a falar de elementos tão elementares como a água, o solo, o ar, a biodiversidade. O planeamento público da economia e dos recursos, apoiado em processos profundos de controlo e democracia e cidadã, nunca se tornou tão premente como agora.

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One Comment leave one →
  1. GIOVANE CHRISTE permalink
    16/12/2008 11:32

    A REVOLUÇAO JA COMEÇOU ?????????

    CHEGA DE CARROS , CELULARES , INDUSTRIAS, MAQUINAS AGRICOLAS ,CÃNCER, POLUIAÇAO ,,,,,,,,,,,,,,,,, PAREM DE ME FAZER BURACOS ,,, EU PLANETA TERRA VOZ DIGO SOCIALISMO OU MORTE ORKUT GIOVANECHRISTE@HOTMAIL.COM

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