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Desigualdades urbanas crescem e governos devem responder à crise da habitação, diz ONU

25/10/2008

Ecoblogue, 25 de outubro de 2008

Anna Tibaijuka, Diretora Executiva do programa da ONU HABITAT, afirmou que a crise actual deve ser vista como uma “crise financeira da habitação” em que os pobres dos mais pobres são abandonados a si próprios. “Claramente não podemos ter uma sociedade harmoniosa se as pessoas não têm segurança na sua habitação”, referiu por ocasião do lançamento do State of the World’s Cities 2008/2009 , um relatório publicado a cada 2 anos e que antecede o Fórum Urbano Mundial (3 a 6 de Novembro).”A crise financeira que estamos hoje a enfrentar não pode ser vista como um fenómeno – é um processo que foi sendo desenvolvido ao longo do tempo e que agora rebentou”. Os governos devem providenciar casas mais baratas para os que têm menores rendimentos porque a oferta de casas acessíveis não pode ser inteiramente deixada ao mercado, referiu.

Tibaijuka disse que a proporção de pessoas a viver em bairros de lata nos países ricos pode aumentar devido à crise do crédito. Com 1 milhão de pessoas a viver já nestas condições, o relatório avisa que este problema pode tornar-se mais sério se os governos falharem em atacar a pobreza urbana.

“As maiores cidades dos EUA têm níveis de desigualdade compraráveis com os de Abidjan, Nairobi ou Buenos Aires”, refere o relatório. As cidades da Africa do Sul estão no topo das cidades mais desiguais, seguidas do Brasil, Colômbia, Argentina, Chile, Equador, Guatemala e México. As desigualdades urbanas estão a aumentar e a tornar-se mais consistentes, o que sugere que o falhanço na distribuição da riqueza é o resultado de falhas estruturais sistemáticas.

Em 2009 mais de metade da Humanidade viverá em cidades. Mais 700 novas cidades criadas após 1990 irão albergar mais de 250 milhões de habitantes.

“Os países em desenvolvimento são responsáveis por 95% do crescimento urbano mundial e absorvem 5 milhões de novos urbanos todos os meses”, constata o relatório. A população urbana nos países em desenvolvimento irá duplicar até 2050, mais devido ao crescimento populacional próprio do que ao exôdo rural.

Nesta data haverá uma população urbana mundial de 5,3 mil milhões de habitantes, 2/3 na Ásia e 1/4 na África, continente que conhece hoje a revolução urbana mais brutal. Nos países desenvolvidos “cerca de metade das cidades terá um crescimento demográfico de 1%, sendo que 40% perderão população”, nomeadamente na Europa.

Relativamente ao risco climático, 3351 cidades com 380 milhões de habitantes situam-se na zona costeira de baixa altitude altamente vulnerável (menos de 10 metros). Cidades como Dacca, com 13 milhões de habitantes, já são sujeitas regulares de inundações. Outras, como Lagos (10 milhões) e Alexandria (2 milhões) terão de ser evacuadas com a subida do nível do mar.

Quanto à contribuição das cidades para o aquecimento global o relatório indica que “não é o grau de urbanização de um país ou o seu tamanho que determina a quantidade de gases de efeito de estufa emitida por pessoa”mas mais a estrutura da cidade, os modos e níveis de vida, as políticas ambientais. Assim, “a megacidade de Sã Paulo produz um décimo das emissões de San Diego, a qual tem um quarto do seu tamanho”.

Os autores do relatório advogam por cidades mais compactas e menos dependentes do carro.

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