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Crise econômica ameaça plano europeu de redução do CO2

26/09/2008

Ecoblogue, 26 de setembro de 2008

A crise econômica que ameaça a União Europeia (UE) e a tensão política crescente entre a Rússia e o Ocidente estão em risco de pôr em dúvida a estratégia europeia de combate às alterações climáticas. Mesmo se oficialmente a Europa mantém a intenção de liderar este debate a nível mundial dando o exemplo com uma estratégia ambiciosa de redução do CO2, em privado, as dúvidas crescem sobre a vontade dos governos de assumir um plano que terá custos estimados em pelo menos 0,5 por cento do PIB da UE.

Por agora, ninguém põe em causa as metas fixadas há um ano pelos líderes dos Vinte e Sete. Previa-se uma redução dos gases responsáveis pelo efeito de estufa em 20 por cento até 2020 relativamente aos valores de 1990; um aumento para 20 por cento do peso das energias renováveis no consumo total, também até 2020; e a previsão de pelo menos 10 por cento de biocombustíveis nos transportes.

Só que, reconheceu um diplomata europeu, “se nunca seria fácil cumprir estas metas em tempo normal, no actual contexto será quase impossível”. O problema, frisou, é que em época de crise económica de contornos e duração largamente imprevisíveis, os governos terão grandes dificuldades em assumir medidas susceptíveis de penalizar a indústria e, consequentemente, a actividade económica.

Ao mesmo tempo, a desconfiança de vários países face à Rússia por causa da guerra da Geórgia não é de molde a criar “o clima de cooperação necessário para desenvolver relações sólidas no plano energético”, acrescentou. “A situação mudou radicalmente desde que as metas foram fixadas”, reconheceu.

Alemanha, Itália, Polónia ou França têm aliás exercido uma forte pressão sobre a Comissão para excluir a maior parte – senão mesmo a totalidade – das indústrias pesadas e mais poluentes, da trave mestra da proposta, um novo sistema de comércio de emissões de CO2 que, a partir de 2013, as obrigará a pagar para poluir. Se não obtiverem uma derrogação, alegam, estas indústrias – cimentos, alumínio, siderurgia, química, pasta de papel, entre outras – perderão competitividade face aos concorrentes externos e serão assim forçadas a deslocalizar a produção para outros países. O que agravará o desemprego na UE sem resolver o problema das alterações climáticas, frisam. Se este plano se realizar, “asfixiará a retoma económica, e ninguém se quer suicidar”, afirmou recentemente o ministro italiano da inovação, Renato Brunetta.

Consciente dos riscos que pesam sobre a estratégia europeia, Stavros Dimas, comissário europeu responsável pelo ambiente, tem insistido na necessidade de cumprimento do plano inicial. “Temos de enfrentar a crise do clima e não podemos mudar os nossos objectivos porque uma crise rebenta este mês ou no próximo”, defendeu esta semana.

Fonte: Público

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