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Atraso de diesel e de motor menos poluente terá reflexos por 22 anos

15/09/2008

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo, 15 de setembro de 2008

O atraso na fabricação de diesel e de motores menos poluentes trará reflexos negativos à qualidade do ar do País por, no mínimo, 22 anos, revela estudo elaborado pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente. O trabalho, que já está em mãos de técnicos do Ministério do Meio Ambiente, fez a projeção das emissões de dois poluentes (óxido nítrico e material particulado) em quatro cenários diferentes. O estudo conclui que seria preciso compensar emissões a mais de material particulado até 2030. No caso do óxido nítrico, o período a compensar seria de cerca de 5 anos.

Assim, se o cronograma fixado pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) para melhoria da qualidade do diesel não for cumprido, será preciso que a indústria – tanto montadoras quanto Petrobras – adote medidas compensatórias para anular o impacto dos poluentes durante todo esse período.

Uma tarefa que não é fácil. “As propostas apresentadas até agora estão longe de reduzir os reflexos negativos”, garante um dos autores do estudo, André Luís Ferreira. Em sua avaliação, é preciso aprimorar muito o plano alternativo apresentado pelas empresas. “A população ficará exposta a material particulado em níveis bem maiores do que seria possível (caso a resolução do Conama fosse respeitada), por um longo período.”

Estudos mostram que altos índices de material particulado no ar aumentam o risco de surgimento ou piora de uma série de doenças respiratórias e cardíacas, entre outras enfermidades. A presença do óxido nítrico também não é bem-vinda. “Os dois são prejudiciais para a saúde”, diz Ferreira.

A resolução do Conama havia determinado que, a partir do próximo ano, somente poderiam ser fabricados carros a diesel com motores chamados S50, que emitem uma quantidade de enxofre – 50 partes por milhão – bem menor do que os motores usados atualmente – nas áreas metropolitanas, 500 ppm; no resto do País, 2.000 ppm. Alegando não ter condições de colocar em prática a medida, a indústria pediu mais prazo. Não houve acordo. Semana passada, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou que somente serão licenciados veículos que estiverem de acordo com a resolução. Os descontentes, completou, deveriam recorrer à Justiça.

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