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Campo de Marte vai ser ampliado

12/09/2008

A situação dos aeroportos em São Paulo não para de se agravar. Um avião particular teve que abortar uma decolagem em Congonhas, terminando no muro que separa o aeroporto da Avenida Washington Luis e trazendo a mente de todos o acidente com o vôo da Tam, que deixou 200 mortos. Todas as promessas feitas no auge da crise, de que o tráfego aéreo seria direcionado para Cumbica, em Guarulhos, foram gradativamente esquecidas na medida em que as empresas aéreas aumentavam sua pressão sobre as autoridades do setor.

Agora, não só o ministro da defesa retoma a discussão sobre a construção de um terceiro grande aeroporto na região metropolitana, como planeja uma expansão geral do trafego aéreo em São Paulo: expansão do Campo de Marte, reforço de Congonhas, ligação ferroviária com Cumbica. Não há o menos sinal de que a deslocamento interestadual possa, na cabeça das autoridades da área, passar a ser feito através de outros meios de transportes, em especial por ferrovias.

Mônica Cardoso, O Estado de S.Paulo, 10 de setembro de 2008

Quinto aeroporto do País em operações, Campo de Marte, em São Paulo, passará por obras que, quando concluídas, poderão aumentar os pousos e decolagens em até 9%. “Hoje estamos melhorando a infra-estrutura, com a revitalização da pista. Mas daqui a cinco anos, poderemos ampliá-la”, adiantou o superintendente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), Alex Barroso Júnior. De janeiro a julho, o número de passageiros que passaram pelo aeroporto da zona norte cresceu 66,8%, chegando a 60.414.

Com a nova torre de controle, orçada em R$ 16 milhões e prevista para 2011, será possível ter visibilidade de 90% das aeronaves na pista. Haverá ainda a construção, no próximo ano, de um empreendimento comercial para os passageiros – com centro de convenções, lojas, restaurantes, empresas de táxi aéreo, consultórios e escritórios. A expectativa é de que até dezembro seja feita a licitação. Outro projeto é a ampliação na largura da pista, estimada em R$ 60 milhões. “Não há mais como crescer no terreno da Infraero. Para isso, teríamos de envolver os terrenos que pertencem ao governo federal”, acrescenta Barroso. Dos 2,1 bilhões de m² do aeroporto, a área civil utilizada pela Infraero ocupa 975 milhões de m².

Neste ano, já houve recapeamento de pista, substituição de cercas e muros, instalação de janelas atenuadoras de ruído e abertura de uma nova portaria na Avenida Olavo Fontoura, após três anos de negociação com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Os investimentos ocorrem no ano seguinte ao maior acidente da história de Campo de Marte – a queda de um Learjet em novembro, que deixou oito mortos – e após a redução no número de operações em Congonhas.

HANGARES

Campo de Marte conta com 22 hangares em operação e iniciou a construção de mais um. Para o futuro, a previsão é de erguer 15 novos hangares em regime de concessão, em um local de mata fechada, paralelo à pista. Para tanto, o aeroporto precisa obter licença do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Outros projetos sem previsão de início são a ampliação no pátio de estacionamento das aeronaves, a construção do segundo heliponto, a instalação de novas câmeras no pátio e nas cabeceiras da pista, além da melhoria no terminal de passageiros.

Marte vira opção aos limites de Congonhas

Bruno Tavares, O Estado de S.Paulo, 10 de setembro de 2008

O crescimento na demanda e a falta de alternativas de curto prazo aos Aeroportos de Congonhas, na zona sul de São Paulo, e Cumbica, em Guarulhos, explicam a decisão da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) de reformar o Campo de Marte. O efeito mais imediato das obras deverá ser sentido pelos cerca de 200 mil passageiros que utilizam o terminal todos os anos. Mas o investimento do governo federal no acanhado terminal da zona norte paulistana também esconde aspectos operacionais – e sobretudo comerciais.

Desde 2007, os limites impostos a Congonhas provocaram uma debandada da aviação geral (táxi aéreo e jatos executivos). Na ocasião, a primeira alternativa apresentada pelo governo foi a migração das operações para o Aeroporto de Jundiaí, a 60 km da capital. A falta de infra-estrutura e a dificuldade de acesso tornaram o projeto pouco atraente – no primeiro semestre, só 9.696 passageiros passaram por ali. Com o Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, também saturado, Campo de Marte se transformou na única opção para quem desejava continuar operando próximo da região central da cidade.

Poucos meses depois do acidente com o Airbus da TAM, que deixou 199 mortos em julho de 2007, fontes do setor aéreo observaram um aumento de 30% das operações no terminal da zona norte. Atualmente, segundo o Serviço Regional de Proteção ao Vôo de São Paulo (SRPV-SP), braço da Aeronáutica responsável pelo controle do tráfego aéreo no Estado, ocorrem, em média, 12 mil pousos ou decolagens por mês no Campo de Marte. Desse total, 7.200 (70%) são de helicópteros, o que eleva o terminal paulistano à condição de maior “aeroporto” de aeronaves de asa rotativa do País – o 5º maior no geral, atrás apenas de Cumbica, Congonhas, Galeão (RJ) e Brasília.

O aquecimento da economia deve alavancar ainda mais esse mercado. Com pouco mais de R$ 60 mil na compra e mensalidades de R$ 4 mil, é possível adquirir a cota de um helicóptero no Campo de Marte. Prática iniciada nesta décadas nos EUA, o chamado compartilhamento de aeronaves ganha adeptos no País. De 2004 a 2007, por exemplo, a sociedade de helicópteros que opera no aeroporto teve crescimento de 220% no número de clientes – de 69 para 220.

LIMITES

Assim como Congonhas, o Campo de Marte enfrenta uma série de restrições operacionais. Inaugurado na década de 1920, o primeiro aeroporto de São Paulo está hoje cercado por residências e imóveis comerciais, o que dificulta sua expansão e confere uma dose a mais de risco às operações. Em 4 de novembro de 2007, um Learjet 35 caiu sobre casas perto do aeroporto, deixando oito mortos e dois feridos.

Ainda assim, segundo o especialista em aviação Adalberto Febeliano, há margem para crescimento. “Sempre achei que o aeroporto poderia ser melhor aproveitado”, comenta. “Vejo até a possibilidade de construção de uma segunda pista no Campo de Marte, paralela à Avenida Olavo Fontoura.”

Hoje, o Campo de Marte é dedicado exclusivamente à aviação geral, além de servir de base para escolas de pilotagem e para o serviço aerotático das Polícias Civil e Militar. Por ter uma pista curta – 1.600 metros de extensão, sendo 1.300 metros de área útil -, só tem condições de receber aviões de pequeno porte e não opera por instrumentos.
COLABORARAM DIEGO ZANCHETTA e TATIANA FÁVARO

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2 Comentários leave one →
  1. 13/09/2008 3:14

    Vamos ver se agora vai…

    Portal Meio AéreoComissários de Bordo

  2. alguem permalink
    04/01/2010 21:07

    eu espero q o aeroporto de jundiai seja anpliado e seja internacional

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