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Como mudar o mundo, por Bill Gates

22/07/2008

Olá, gostaria de propor um experimento intelectual a todos que acessam o nosso blog. Vejam a baixo o que proponho:

Vamos pensar que criaremos uma empresa/fazenda de 1 bilhão de dólares, só que o diferencial dela, é a sua razão primeira, a sustentabilidade. Ou seja, tudo o que for produzido lá e todos os seus fornecedores terão que ser sustentáveis e não agredir o meio ambiente. Fácil não? Vamos dizer que o produto que ela oferece é o leite Billmilk. Vamos levar em conta que por ela ser TOTALMENTE sustentável, ela tem uma menor produtividade do que a concorrência. Logo o preço do seu produto tem um preço maior, correto? Entretanto, ela tem um diferencial que pode ser facilmente usado pelo seu departamento marketing dela, o leite, além de ser orgânico, não destrói o meio ambiente. Bom não? Com a onda (que na verdade é uma necessidade) do marketing verde, esse diferencial irá chamar a atenção dos consumidores. Até aqui nada de mais, uma empresa que se preocupa com o meio ambiente e descobre um novo nicho para explorar. O fato é que, se o dono dela é alguém como o Bill Gates, ela pode ter algo a mais.

Refletindo, a problemática dos produtos orgânicos é simples, o preço. Só se paga por algo sustentável e orgânico, a pessoa que tem recursos financeiros disponíveis. Então o que fazer para estes produtos se tornarem mais populares?

A resposta é: Dumping Sustentável. Ou seja, baixar o preço do leite aos patamares dos leites Paulista, Parmalat e etc. Desta forma, poder-se-ia concorrer de igual para igual com estas empresas, deixando ao consumidor a escolha final. De um lado, uma empresa que prejudica o meio ambiente em Zero % e do outro os processos industriais conhecidos.

Porém, eis que surge um problema. Se esta empresa, totalmente sustentável, baixar seus preços para concorrer de igual para igual com outras grandes companhias consolidadas, ela terá um prejuízo enorme, pois estará, provavelmente, vendendo o seu produto abaixo do preço de custo. Por fim tal prática a levará à falência.

É nesse ponto que está a sacada e por isso que não se concretizou algo assim até hoje. Pensando que o dono dessa empresa Ltda é o (altruísta) Bill Gates, ele, por pensar em um futuro melhor e não se importar com alguns anos de prejuízo da sua nova empresa, decide investir todo ano, por um período de dez anos, um bilhão de dólares para cobrir o saldo negativo e aprimorar a sua tecnologia.

Com isso em mente, podemos voltar para o que isso acarretará na concorrência de leite. A empresa de Bill competirá de igual para igual com as outras grandes marcas, o seu setor de marketing investirá em demonstrar como o leite produzido não destrói o meio ambiente. O que a concorrência não poderá lutar contra. Assim, o leite sustentável começará a ganhar mais e mais participação de mercado. Com os preços acessíveis, as classes A,B,C,D e E poderão consumir o mesmo leite. O preço já não será um problema para se fazer o bem ao planeta. A Europa inteira só consumirá o Billmilk. Mas e o que acontece com as outras grandes corporações? Elas precisarão se adequar, trocar a tecnologia, vender e agir em prol do ambiente, reconquistar a confiança do seu consumidor. Desta forma, ser TOTALMENTE sustentável, já não será mais um diferencial, mas uma necessidade da qual o seu consumidor não aceitará o contrário.

Por fim, temos que finalizar nossa questão do Dumping Sustentável, isto é, após esse primeiro momento de acabar com a concorrência e estabelecer um novo patamar de qualidade, a Billmilk não precisará subir o preço do seu produto a um patamar tão alto como seria no começo, pois ela já terá uma fatia maior do mercado, e assim poderá reduzir a sua taxa de lucro em detrimento da quantidade de consumidores.

Sei que isso ainda pode não resolver o problema de prejuízo da corporação, só que nesse segundo momento da minha experiência será necessário evocar um momento mais desenvolvido da noção de coletivo.

Nesse momento, será necessária uma nova concepção de capitalismo. Um capitalismo mais coletivo. As companhias precisarão redistribuir a riqueza, de uma forma governamental, ou seja, o Billmilk, que é vendido no supermercado de classe A, terá um preço 3x se comparado com o Milkbi (o mesmo leite Billmilk, com um apelo mais popular de marketing), que será vendido no supermercado de classe C e D.

Em suma, esse é somente um exercício de como as próprias práticas capitalistas, mercadológicas, podem ser usadas para uma melhoria. Não pretendo resolver todos os problemas do capitalismo, tanto que nem entrei no mérito do grau de consumismo predatório, só penso em como poder-se-ia mudar o mundo com as ferramentas vigentes e um pouco de utopia altruísta de um Bilionário.

Por Rafael Salomão

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3 Comentários leave one →
  1. JP Amaral permalink
    22/07/2008 9:30

    Excelente texto, mas infelizmente nem todos os executivos tem essa mentalidade e temo que essas empresas concorrentes façam marketing verde sem realmente serem sustentáveis, ou seja, propaganda enganosa.

  2. ecourbana permalink*
    22/07/2008 14:25

    No meu ponto de vista (o autor do experimento), a partir de atuação política para criar selos de qualidade 100% sustentável e a implementação dos mesmo, o marketing Verde e enganoso deixa de ser uma prática. Além disso, criar campanhas publicitárias que desafiem as empresas a demonstrarem efetivamente a sua sustentabilidade. Estas são duas das inúmeras formas que pode ir eliminando o Marketing Verde enganoso.
    Obrigado pelo elogio.

  3. ecourbana permalink*
    18/03/2009 10:52

    Olá Fabricio,

    Não entendemos sua pergunta. Qual site tem sites ‘pedofelia’?

    Att,

    EcoUrbana

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