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Velocidade de carros em SP cai 32% em 10 anos

28/06/2008

Bruno Tavares, O Estado de S.Paulo, 27 de junho de 2008

A velocidade média dos veículos em São Paulo no horário de pico da tarde despencou 32% nos últimos dez anos, passando de 25 km/h, em 1998, para 17 km/h, em maio de 2008. O porcentual é maior do que o crescimento da frota paulistana no mesmo período, que subiu de 4,7 milhões para 6,1 milhões – acréscimo de 23%. No pico da manhã, a velocidade média hoje é de 30 km/h. Uma das hipóteses para essa piora nos congestionamentos está no alto número de interferências no trânsito atendidas pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

Uma comparação entre as velocidades médias desenvolvidas por um carro e pelo recordista da Corrida de São Silvestre mostra o quanto a situação é crítica. Em 1995, o queniano Paul Tergat cumpriu os 15 quilômetros da prova em 43 minutos e 12 segundos (velocidade média de 20,8 km/h). Para fazer o mesmo percurso à tarde, um automóvel levaria 53 minutos.

Das cerca de 6 mil ocorrências contabilizadas diariamente pela CET, 800 têm maior impacto no sistema viário principal. “Não podemos dizer que se não houvesse ocorrências não teria trânsito, mas é inegável que elas interferem na montagem dos congestionamentos”, reconhece o gerente de Comunicação e Engenharia da companhia, Gilson Grilli. Na Central de Operações da CET, as interferências são classificadas em 170 códigos numéricos. O mais comum, segundo Grilli, é o que indica veículo quebrado, seguido pelos acidentes de trânsito.

Só em maio, os agentes da companhia removeram das ruas 11.210 veículos enguiçados, sendo 7.911 automóveis e 2.246 caminhões. Técnicos e especialistas em trânsito estimam que um carro parado numa via expressa como a Avenida 23 de Maio ou as Marginais do Tietê e do Pinheiros por 15 minutos cause 3 quilômetros de lentidão.

O problema é que os congestionamentos acabam atrapalhando não só os motoristas, mas as próprias equipes da CET. Apesar disso, a companhia diz ter conseguido reduzir o tempo médio dos atendimentos. Em 1995, diz Grilli, a espera era de 20 minutos. Hoje, a média é de 15 minutos.

CÍRCULO VICIOSO

Ainda assim, o tempo de deslocamento dos “marronzinhos” está longe de ser o ideal. Já houve períodos melhores: em 2006, os agentes conseguiam remover uma interferência em pouco mais de 11 minutos.

Para o presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) e ex-presidente da CET, Ailton Brasiliense Pires, dois outros fatores ajudam a explicar a queda da velocidade média no trânsito da capital: o crescimento econômico e a má qualidade e baixa oferta do transporte coletivo. “Não há sistema viário que acompanhe o aumento da frota. Por outro lado, há poucos estímulos ao uso do transporte coletivo.” Brasiliense termina fazendo um alerta. “A queda da velocidade média ajuda a elevar os custos do transporte coletivo. No fim das contas, isso causa um círculo vicioso.”

Sem 194, caem as reclamações

Se não bastassem as dificuldades para monitorar os 1.419 km do sistema viário principal de São Paulo, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) ainda perdeu um importante canal de comunicação com a população. Desde que o telefone 194 foi desativado, em setembro de 2003, o número de reclamações sobre interferências no trânsito caiu de 40 mil por mês para pouco mais de 2 mil. Queixas, dúvidas ou sugestões dos cidadãos sobre qualquer tema são hoje encaminhadas para o telefone 156.

“O ‘Telefone do Trânsito’ era ferramenta importante porque a maioria das informações era sobre ocorrências ou mesmo acidentes fora dos eixos principais, que não são monitorados pelos agentes da companhia”, disse o gerente de Comunicação e Engenharia da CET, Gilson Grilli.

Segundo ele, a Prefeitura tem criado mecanismos para agilizar os atendimentos relativos ao trânsito no telefone 156. “Como o serviço funciona para toda a Prefeitura, há um sistema de triagem informatizado e isso acaba espantando um pouco as pessoas”, reconhece Grilli. No dia-a-dia da CET, quase 90% das ocorrências são transmitidas à Central de Operações pelos agentes de trânsito – são 2 mil homens divididos em turnos de seis horas. O código, local e sentido da interferência são enviados por meio dos palmtops e podem ser acompanhados no site http://www.transitoagora.com.br. As prioridades são os acidentes de trânsito, sobretudo quanto há vítimas, e as panes nos semáforos, em que o risco de colisões ou problemas para a fluidez do trânsito costumam ser maiores. 

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One Comment leave one →
  1. 28/06/2008 12:29

    O foco completo na CET deixa claro que o jornal entende que o trânsito é formado apenas por carros. O único trecho que inclui transporte coletivo é na fala de Ailton Pires. Isso numa reportagem sobre velocidade de deslocamentos é um estratagema.

    Parece se tratar que uma reportagem com objetivo de questionar a eficiência da CET, como se ela, e não o excesso de carros, fosse responsável pela redução da velocidade. Dá a idéia que a cidade deve absorver todos os carros. Seja quantos forem, CET e obras viárias devem dar conta. Mudança restrições ao uso do automóvel, valorização do transporte público, do pedestre, do ciclista não estão em pauta.

    abraço!

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