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Marina Silva: anjo ou demônio?

19/05/2008

Buscando pela internet artigos sobre o tema, encontramos alguns textos em sentidos opostos ao da opinião pública (induzida ou não). Frases polêmicas como “O pedido de exoneração é a maior contribuição que a sen. Marina poderia dar ao meio ambiente brasileiro:…” fazem parte dessa “coletânea”.
A partir do blog de Ecologia Urbana e de informações obtidas na blogosfera, em paralelo à grande mídia, vamos formar nosso convencimento??

Comentários encontrados no site do jornal OECO:

“demorou demais para a senadora Marina dar-se conta de que era praticamente uma rainha no governo: bastante idolatrada, fazia bonito nos eventos nacionais e internacionais, porém lhe faltava poder de fato. A ex-ministra cercou-se de assessores outrora competentes na condição de ongueiros, atualmente péssimos na construção e defesa de uma política ambiental de Estado. Por causa deles, o MMA despendeu recursos preciosos em batalhas inúteis, ficando politicamente fragilizado nas questões ambientais realmente importantes. O pedido de exoneração é a maior contribuição que a sen. Marina poderia dar ao meio ambiente brasileiro: escancarou as portas para a comunidade internacional poder observar o desastre que é o governo Lula para o meio ambiente”
Outro leitor acrescentou ainda: “Marcos: respeito a senadora Marina por sua história de vida mas nunca como ministra do Meio Ambiente. Como autor do projeto de criação do Ibama e com acompanhamento permanente do problema ambiental, posso dizer que está havendo grande equívoco na avaliação do trabalho de Marina no MMA. Na verdade, ela é ótima de discurso, mas na prática, nunca administrou com a necessária competência. Qualquer servidor do Ibama sabe que a má gestão caracterizou a passagem da ministra pela pasta ambiental. Desde que se criou o famigerado Instituto Chico Mendes todos sabiam que o caos aumentaria na gestão ambiental, e tive a oportunidade de afirmar isso em artigo que escrevi para o O Estado de S. Paulo, sob o título caos e retrocesso. Outra coisa: as licenças demoram porque os técnicos competentes sumiram dos quadros do Ibama. Agora existem os ” analistas ambietais ” pouco qualificados para opinar sobre questões complexas. Acredito que o Minc fará um bom trabalho se se livrar das ongs que dominam o MMA.”

E aí? É ainda é tão ruim a nova perspectiva?

Artigo publicado no CMI: “Meio Ambiente: Nem Heroínas, Nem Salvadores. Precisamos é de Boas Políticas!”

Raymundo Araujo Filho é médico veterinário homeopata.

Os recentes acontecimentos na área do ministério do meio ambiente do governo federal, suscitaram diversas interpretações sobre o fato.

De minha parte, pretendo expor o fato político, primeiramente pela ótica de seus protagonistas. O presidente Lulla, a ex ministra Marina Silva, e o ministro convidado Carlos Minc. Além de algumas interpretações publicadas sobre a demissão da ministra.

Ao meu ver, Lulla pensou que ia levar esta disputa no ?banho maria?, sem a exposição da contradição que a sua política impõe, sempre favorecendo os projetos lesivos ao país, só agindo amenizando-os sob nítida pressão. A inércia é sempre contra o Povo.

É bom que se diga e se afirme que a ministra sai do governo sem criticar, em absoluto, a política ambiental do governo Lulla, da qual foi a gestora nos últimos cinco anos. Diz-se apenas sem condições, neste momento de aglutinar. Da mesma forma, o presidente Lulla disse que ?sai a ministra, mas a política ambiental continua como está?. Assim, delimitam bem, para o público interno e externo ao PT e ao governo federal, até onde vão as suas divergências.

Já o ministro convidado Carlos Minc dá uma entrevista onde destaca como sua tarefa prioritária a ?desburocratização dos licenciamentos ambientais?, coisa que a ministra em sua entrevista negou existir, justificando algumas demoras pela complexidade dos projetos analisados. Mas, também diz o ministro convidado que as condições que impõe como mínimas para que aceitasse o convite, ?em tese? foram acordadas por Lulla, mas restando a conversa pessoal para que tudo fique acertado (entrevista para O Globo).

Como secretário do meio ambiente do RJ, recebeu muitas críticas pelo ?toque de caixa? na aprovação de inúmeros projetos em tempo recorde. Inclusive o do Polo Petroquímico de Itaboaraí, com uma decisão política e não técnica, sobre o lugar. Além da aceitação da introdução do plantio de Eucalipto no noroeste do RJ, de acordo com a estratégia da FIRJAN em atrair uma fábrica de celulose para o Estado.

Assim, ficam desautorizadas qualquer palavra de oposição ou de discordância às diretrizes do governo federal, em relação ao meio ambiente, por parte dos protagonistas citados. E não poderia ser de outra forma, pois fazem parte do esquema de Poder no Brasil, hoje.

A ex ministra se diz vitoriosa pela ?redução de 140 para 26 m2 /seg, de vazão de água no projeto de transposição do Rio São Francisco, achando assim que é o possível a ser feito. Disse também que a licença da Hidroelétrica do Rio Madeira ela conseguiu, através de suas gestões, a adequação do projeto, com grande redução de impactos ambientais e sociais. E Carlos Minc, endossou a sua atuação no ministério.

Portanto, é importante ressaltar que eles, como é óbvio, fazem parte daqueles que pensam que o possível agora, é a política de concessões, com redução de danos. No máximo.

Estranhou-me que outros que, mesmo dizendo que ela deveria ter saído a mais tempo e sendo críticos do governo (embora tenham votado na reeleição de Lulla), a elogiam em artigos e até acabam por considerá-la a última baluarte dentro do governo federal, uma perfeita mártir-heroína, em clara transfiguração onírica do que realmente sucedeu. Tacitamente, acabam por concordar com esta visão da minimalista pela redução de danos, em vez da mudança de modelo de desenvolvimento. E. para mim, é isto que está em jogo.

Portanto, creio que se há possibilidades de alguma pressão em cima do presidente Lulla e de seu ministro convidado para o meio ambiente, Carlos Minc, esta nasceu e se fortaleceu a partir das corajosas críticas que alguns abnegados continuaram a fazer, inclusive sem aliviar a postura da ex ministra Marina Silva, que logrou muito mais em descaracterizar como plausíveis as críticas feitas de fora, e em oposição do (des)governo federal, estendendo para muito tarde esta crise, agora exposta. As posições conciliatórias ou de preservação da ministra Marina Silva, ao meu ver, contribuíram mais para a deseducação política, do que para qualquer outra coisa. E atrasando em muito a exposição desta contradição do discurso com a prática do (des)governo federal.

E, ainda teve a ex ministra, como a gota d’ água para a sua atitude demissionária, um motivo de desprestígio pessoal, dentre tantos descalabros do (des)governo Lulla em relação ao meio ambiente.

Pessoalmente, penso que a gestão da ex ministra Marina Silva, frente ao ministério do meio ambiente, justamente devido às excessivas concessões feitas, trouxe muito mais prejuízos do que bônus para o país. Além da descaracterização como inconseqüentes, inúmeros movimentos críticos, reivindicatórios e de oposição política ao Modelo de Desenvolvimento em curso.

Penso que a manutenção das críticas e mobilização, sequer sem ?período de adaptação? ao novo ministro, é o que vai garantir a não mais concessão de um nada para este modelo desigual e predador de desenvolvimento, permitido e incentivado pelas políticas do (des)governo Lulla.

Ou então, que o ministro Carlos Minc saiba que a sua biografia será marcada pela adesão aos ideários da predação do Planeta. Algo que nem golpes midiáticos poderão esconder.

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3 Comentários leave one →
  1. zecopol permalink*
    20/05/2008 12:23

    Marina Silva é demônio pois, “enquanto o “ecodesenvolvimento” invoca um domínio consciente e coletivo das ciências, das técnicas, das escolhas de produção e de consumo, por conseguinte uma opção democrática radical e uma iniciativa de todos recusando-se a reduzir a ecologia ao mero papel de muleta de um progresso disforme, a “ecocracia” poderia valer-se, ao contrário, das formas de um ambientalismo reformista e tecnocrático, perpetuando, sob o pretexto do conhecimento de causa especializado, o desencargo e a desreponsabilização do cidadão.” Daniel Bensaïd em “Marx o Intempestivo”

  2. Manoel Neto permalink
    20/05/2008 13:05

    A enquete é péssima (anjo ou demônio?). Pressupõe alguém acima do bem e do mal (anjo) ou abaixo dele (demônio), o que é ridículo. A resposta do Zé Paulo, falando que ela é demônio, mostrou isso.

    É claro que ele queria fazer uma crítica, mas falando em demônio, induzido pela pergunta, ficou ruim.

    De todo modo, para além do problema da pergunta, creio que a citaçã odo Bensaïd não resolve o problema, porque, afinal, é uma questão factual saber se 1: ela é adepta do ecodesenvolvimento ou ecocracia. 2. Se no contexto em que ela tava inserida, ela era mais ecodesenvolvimentista ou ecocracista.

    Ademais, uma pergunta: para que serve essa distinção (ecodesenvolvimento e ecocracia)? Para dividir quem pode estar juntos? É útil na realidade em que vivemos? Tenho dúvidas.

  3. zecopol permalink*
    20/05/2008 15:24

    Preciso contextualizar, joguei solto aí só pra dar início ao debate, já que é um dos posts mais lidos do site hoje (o Maluf tá ganhando!).

    A meu ver, a Marina não é adepta de nenhum dos dois, ela apenas reduz a ecologia “ao mero papel de muleta de um progresso disforme,”, estava lá pra envernizar a polítca ambiental desastrosa do governo Lula que desde sempre privilegiou o agronegócio, que sempre teve uma orientação para o “progresso desenvolvimentista”. Cada vitória que Marina cita em sua carta é um nada perto da opção política já feita por esse governo sobre a ecologia. Certamente o Brasil poderia ter um projeto de país que valorizasse sua biodiversidade, que impusesse ao mundo um custo para preservar a Amazônia em detrimento de sua exploração “desenvolvimentista a todos o custo”, mas enfim, os últimos governo deixaram o país, sua polítcas, seu planejamento, sua econmomia aos tubarões do “livre” mercado!

    Sobre as categorias acima eu valorizo o “ecodesenvolvimento” racional colocando o homem no centro da questão. A tal da “ecocracia” foi uma forma que o Daniel Bensaid encontrou pra alertar para reações anti-humanistas que poderão surgir para defender a natureza, pra salientar as “costas largas” que a natureza pode ter numa saída ambiental, ou seja, saídas que conduzam a expedientes como o controle de natalidade, esterilização forçada, rejeição de técnicas procriativas, etc.

    Ou seja, respondendo ao Maceió, pra mim é útil sim essa separação, num contexto que o mais alarmante nessa crise toda são os bilhões de excluídos da sociedade afluente, temos que prever que poderá ter sim uma saída nazi pra essa crise, aliás a saída humanista está longe da vista vide Papa, Bush, etc. Essa distinção é fundamental pra orientar a nossa prática, é muito fácil falar “boicote à amazônia”, “controle de natalidade”, ou seja, não pensar no ser humano! O difícil é mudar o sistema!

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