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Protesto na inauguração da ponte Estaiada (Estilingão)

13/05/2008

imagem: André Pasqualini / CicloBR

No sábado, 10 de maio, foi inaugurada a ponte Estaida sobre o rio Pinheiros, com toda a pompa e circunstância que a prefeitura achou que o evento merecia. Estavam lá o prefeito, de olhos vermelhos, o Bisbo (na verdade Padre Marcelo Rossi) e o Governador, de joelhos, homenageando Geni, quer dizer, São Paulo, por mais essa obra viária-arquitetônica que promete ser um “landmark” da cidade.

Mas, como nós não iríamos dormir em paz se essa inauguração, que é um monumento à sociedade do automóvel, passasse em branco, protestamos muito. Cerca de trinta pessoas, algumas fantasiadas com máscaras de porco, outras com máscara que protegem contra a poluição, segurando faixas e cartazes, fizeram um protesto inteligente e barulhento.

Tudo começou quando um policial, vendo um casal conversando embaixo do viaduto, foi interpelá-los. Estavam apenas os dois, mas o homem era negro, e obviamente só estaria com uma branca para roubá-la. Chegram enquadrando. Quando o rapaz disse que estudava na USP, retrucaram: você não tem cara de quem estuda na USP. Quando vimos, corremos para lá, e o cabo Fernando (que se recusou a dizer o sobrenome), viu que tinha feito “merda”. Saiu de lá, e nós, “P” da vida, rumamos em direção à ponte, onde já se encontravam as autoridades.

Alguns policiais, seguindo ordem de um assessor qualquer, tentou impedir nossa passagem. Com faixas não podíamos (que democracia). Até que passaram algumas pessoas, e eles não impediram a passagem delas. Aproveitamos a deixa e fomos em frente, pois não tinham mais “moral” para nos barrar.

Chegando ao meio da ponte – não sem antes atravessar a ponte em meio aos carros, pois não há espaço para pedestres-, não nos deixaram ir para debaixo do toldo, onde acontecia o evento. Mas não adiantou. Gritamos e exibimos nossas faixas. Falamos da limpeza social, falamos do custo da ponte, falamos do absurdo que é gastar tanto dinheiro para mais carros circularem por ali.

Apesar da polícia algo truculenta, e apesar das dondocas não saberem que protesto significa incomodar, e que na democracia existem conflitos (aliás, é por isso que a democracia é necessária) que devem ser canalizados para a arena política, incluindo aí nossos protestos, fomos bem sucedidos. Fomos notados e algumas pessoas que tinham ido lá apenas para ver a inauguração, passaram a discutir conosco. Até alguns policiais, encarregados de nos impedir, reconheceram baixinho: “vocês estão certos”!.

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