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Carro = Fome

12/04/2008

Enquanto nós estamos preocupados em encher o tanque de nossos carros pra mal sair do lugar na hora do Rush, enquanto ficamos sonhando em ter aquela TV de plasma do vizinho, muitos ao redor do mundo se debatem para forrar seus estômagos.

 

Sexta feira, toda mídia mundial ecoou: A alta no preço dos alimentos, causada principalmente pela substituição de petróleo por biocombustíveis é uma das principais causas da fome.

 

Publicado por Renata Bindo e José Paulo Guedes

A adoção de produtos como milho e trigo na produção de biocombustíveis para geração de energia tem sido apontada como a principal razão para a disparada dos alimentos.

 

Pela primeira vez em décadas, aumentou o número de pessoas que passam fome. Pois a oferta de alimentos não está crescendo no mesmo ritmo da demanda, a demanda cresce também pelo plantio para biocombustíveis, em ascensão por causa dos custos maiores do petróleo. No caso dos EUA, o álcool de milho estampa frontalmente a disputa entre o tanque e o prato. A alta dos preços dos alimentos ameaça produzir um retrocesso nos avanços conseguidos nos últimos anos em termos de desenvolvimento.

 

As crises de abastecimento geram tumultos nos países mais pobres. No Haiti e na Costa do Marfim, os protestos contra preços de alimentos em alta se multiplicam. Distúrbios com dezenas de mortos se relatam em Camarões. Cenas parecidas se viram no Senegal e em Burkina Fasso. Multidões foram às ruas na Mauritânia e em Moçambique. No México, houve “o levante da tortilha”. Camponeses na Índia e na Indonésia se chocaram com policiais. Na Argentina, fazendeiros se mobilizaram contra elevação de impostos.

 

Contra todos os fatos, o nosso ilustríssimo presidente afirma que “têm mais chineses comendo no mundo, têm mais indianos comendo no mundo, mais brasileiros comendo no Nordeste e na periferia do país. Têm mais latino-americanos comendo. Tem mais gente na África comendo, e tudo isso aumenta a pressão por alimento”. Já é hora de assumirmos o planalto!

 

Leia mais em:

http://www.ecoblogue.net/

 

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5 Comentários leave one →
  1. ecourbana permalink*
    12/04/2008 16:18

    Caros,

    Acho que de fato a demanda por alimentos está sumindo. Se não por aumento de renda, pelo menos por causa de crescimento demográfico.

    E também acho impreciso o título, carro = fome. Acho que civilização baseada no alto consumo de energia é que é igual a fome. Porque não somente os carros, mas toda agricultura e economia baseada em tanta energia faz aumentar a demanda por outras alternativa energéticas, que acabam encarecendo os alimentos.

    Mas o tom geral é esse mesmo!

  2. Zé paulo permalink
    13/04/2008 18:21

    Título é título! Por definição resumido e impreciso! Chama a atenção e faz a pessoa ler a matéria mesmo se discordar e se posicionar, trazendo a pessoa pro debate, e acho que não tem como resumir melhor o sentido da coisa senão como carro = fome, o que é o carro senão o símbolo, o representante maior dessa sociedade devoradora de energia?

    Fora isso, outra coisa que queria discutir, é que a mídia podre tupiniquim está com uma estratégia de alardear o aumento de preços dos alimentos no mundo como uma desculpa pra futura alta dos juros do Bacen. Nós economistas deveremos ficar muito atentos à isso. No Brasil ainda não é tão preocupante essa inflação toda pra motivar o alarde nessa magnitude.

  3. 08/05/2008 20:43

    Qualquer economista de segunda categoria saberia identificar uma inflação a médio prazo na cesta básica de alimentos, nada mais óbvio ululante, sabemos que a economia no capitalismo funciona por incentivos e que a concorrência é inter e intra setorial. O capitalista produz não por amor ao produto final do processo em que ele aplicou determinada quantia de capital e trabalho, mas por amor em ampliar a quantia de capital aplicada no processo de produção, seu objetivo é aplicar X e recolher X’ na realização da mercadoria produzida. Pois então, se possuo determinada quantidade de terra, uma certa quantia de capital que poderei empregar em trabalho, insumos e máquinas para produzir no campo e, sei que a demanda pela cana é maior que a demanda, por exemplo, do feijão, logo, não produzirei feijão por amor ao fornecimento de produtos para a cesta básica da população, mas produzirei pensando no lucro médio a ser realizado e, tenham a certeza que buscarei o setor da economia que me fornecerá o maior lucro médio e o menor risco na realização da mercadoria. Ao passo que um maior número de capitalistas do agro-negócio migram da produção de alimentos para a produção de cana, o inevitável passo seguinte será uma diminuição na oferta de alimentos, a demanda se mantém ceteris paribus(todo o mais é constante), logo, inflação na cesta básica.
    Um economista neo-clássico diria, mas veja só, caso exista lucro econômico maior que zero em um setor da economia, os capitalistas migrarão para este setor, inevitavelmente acontecerá um excesso de oferta, a velha lei de oferta e demanda entrará nesta história regulando o preço, com excesso de oferta o preço será reduzido pelo próprio mercado e , o movimento do mercado se encarregará de regular o próprio mercado de cana, levando o lucro econômico para a tendência de lucro zero. Porém, em um olhar de gabinete este movimento é lógico e necessário, mas o mais importante não entrou nesta história, para se realizar uma consideração minimamente ética, o sujeito da análise econômica não pode ser esquecido da própria análise econômica, falo daquele normalmente esquecido, falo do humano. O tempo de regulação de mercado é o tempo em que se agrava a fome e a miséria.

    Porém, até aqui, imagino que isto seja locus communis.

    Minha questão esta para além da inflação na cesta básica, a questão que pretendo levantar é relativamente simples, sabemos que a opep vem articulando aumentos constantes no preço do barril de petróleo, sabemos também que o maior incentivo é o preço, ao passo que o preço de combustível fóssil eleva-se existe um incentivo a médio prazo de substituição na matriz energética. Sabemos que matriz energética não se muda em cinquenta anos, transformações na matriz energética demandam tempo, vontade política e condições objetivas. Distante de defender o governo Lula, me pergunto, Por que Ziegler chamou os programas de bio-combustível de crime contra a humanidade somente após os sucessivos aumentos no preço do barril de petróleo? E o pior, Por quê Ziegler defendeu subsídio agrícola? Vejam só, estou aqui em um exercício de abstração, pensando na lógica liberal e tendo em vista a teoria ricardiana de vantangens comparativas, em outras palavras, permaneço no terreno do mainstream. Em uma perspectiva puramente liberal, identificamos no discurso de Ziegler contradições com o zeitgeist neoliberal, ele defende indiretamente defende os interesses da Opep (um cartel) e o subsídio agrícola dos países europeus. Ataca a política pregada (pelas nações capitalistas “desenvolvidas” e dominantes) para os países em desenvolvimento – é a famosa hipocrisia do faça aquilo que digo não aquilo que faço – será o ínicio da crise do pensamento neoliberal? Ataca ainda o desenho geo-energético do bio-combustível. A velha disputa de hegemonia e contra-hegemonia. E a humanidade tem o direito de escolher com qual tempero vai ao forno: bio-combustível ou derivados de hidrocarbonetos? Agricultura subsidiada do primeiro mundo ou o agro-negócio liberal das monoculturas terceiro-mundistas? Mas a questão é a humanidade não ir ao forno da fome, do aquecimento global e do aumento da pobreza!

    O grande problema não é o automóvel, o automóvel é apenas expressão aparente do problema, o problema é o padrão de consumo e a forma em que o homem produz sua própria vida. Aí meu caros, ou se faz a crítica radical a forma social de produção ou então viramos os eco-babacas…

    saudações

  4. 11/06/2008 15:51

    A decisão de alguns governos de subvencionar a produção dos biocombustíveis é inaceitável e moralmente irresponsável”, acrescentou. Ele citou um exemplo: “A produção de um litro de bioetanol exige o consumo de quatro mil litros de água”, e acrescenta, “De forma geral, os biocombustíveis fizeram disparar os preços de produtos agrícolas como o milho, soja ou trigo”.
    A posição da Nestlé responde a seus interesses, porém ela não é a única que defende essa posição crítica.
    Cifras da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) de dezembro de 2007, mostram que, no ano passado, os preços dos alimentos básicos nos mercados internacionais tiveram um aumento médio de 40%. As reservas mundiais de cereais também estão no seu nível mais baixo das últimas três décadas.

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