Moratória do sistema viário: chega de estilingões

7 06 2008

O prefeito Gilberto Kassab publicou um decreto no Diário Oficial da Cidade autorizando a construção de mais dois viadutos na cidade, agora na Radial Leste, na altura do Tatuapé – um deles estaiado, como o Estilingão, na Rua Padre Adelino. Cruzando a Av. Salim Farah Maluf, os viadutos consumirão a bagatela de R$ 77 milhões e significarão a remoção de 60 famílias de suas casas.

Conforme noticiou nesta quinta-feira o jornal O Estado de S.Paulo, nas audiências realizadas para discutir a obra, o Fórum Urbanístico do Tatuapé e o Rotary Club Tatuapé se colocaram contra a obra. O embate é o mesmo de toda obra deste tipo. De um lado, a Associação Comercial do Tatuapé, cujo diretor, José Garris Del Valle afirma: “Precisamos de uma nova infra-estrutura para a região, com o crescimento da circulação dos automóveis. Essa expansão é necessária para desafogar a Radial Leste”. Já o engenheiro de transportes Horácio Figueira diz que “Essa obra da Padre Adelino não vai resolver nada. As intervenções tem de priorizar sempre o transporte coletivo e não o automóvel particular”.

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Transportes para quem?

7 06 2008

Por Mariana Almeida, reproduzido do blog Outra política.

Há uma importante mudança ocorrendo na área dos transportes, concentrada em São Paulo. Enquanto milhões de paulistanos perdem cada vez mais horas no deslocamento, pelo transporte público sucateado ou pelo trânsito, foi anunciada a publicação em um mês do edital para o Expresso Aeroporto para Cumbica (saindo da Luz), em regime de concessão pública à iniciativa privada, avaliado em R$ 3,4 bilhões - para estar funcionando no início de 2011. No mês passado, foi firmado um acordo para construir um veiculo leve sobre trilhos - já apelidado de “bonde chique” - entre a Estação São Judas do metrô e o Aeroporto de Congonhas (ao custo de R$ 200 milhões). Já está bem avançada a proposta do Trem Expresso Rio-São Paulo-Campinas (R$ 11 bilhões), cuja licitação será formalizada em outubro. Segundo anunciou a Ministra do Turismo, Marta Suplicy, o objetivo é preparar o país para a Copa do Mundo de 2014.

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CARRO DE BRANCO, BICICLETA DE NEGRO

5 06 2008

O título é provocativo, mas já o justifico.

Domingo, 1º de junho de 2008, final de tarde fria e com garoa. Por que não pedalar? Foi o que pensei antes de me dirigir à reunião do coletivo. O local dista cerca de 14 kms de minha casa, todavia, menos de 1 km de distância de uma estação de metrô. Eu, por minha vez, moro a cerca de 2 kms de outra estação do metrô. Ora, poderia ir de metrô à reunião, mas optei por ir pedalando. O verbo é esse: optar. Ter que escolher entre.

Pedalei com uma bicicleta reclinada de fabricação artesanal. Veículo comprido, chama muita atenção, por pedalar-se praticamente deitado. A posição permite uma visão diferente da cidade, daquela que normalmente se tem em uma bicicleta normal, onde pedalamos encurvados para frente, vendo o chão passar rápido sob a roda dianteira, e pouco podendo ver da paisagem. Fiz o trajeto lentamente, principalmente nas subidas, uma vez que meus músculos ainda não estão adaptados a esse tipo de bicicleta.

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Programa de consumo responsável: 5,5 bilhões de sacolas plásticas a menos

28 05 2008

São Paulo – Com a presença do governador José Serra e de outras autoridades, a indústria do plástico e os supermercados de São Paulo vão formalizar nesta segunda, às 14h, o início do Programa de Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas, que visa a reduzir o consumo de sacolas plásticas no país em 5,5 bilhões de unidades por ano – o equivalente a 30% do total atual de 18 bilhões – no período de 12 meses.

A cerimônia de abertura da Apas 2008, no Expo Center Norte, será palco para a assinatura do termo de implementação da iniciativa conjunta da Plastivida Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos, do Instituto Nacional do Plástico (INP) e da Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief), que conta com o apoio da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e da Associação Paulista de Supermercados (Apas).
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Espaço dos veículos afinal em questão

27 05 2008

Washington Novaes

Começam a efetivar-se, já não sem tempo, algumas providências na cidade de São Paulo para tentar reduzir o dramático problema de congestionamentos no trânsito e perda de horas úteis pela população. E começam pelo que já existia há 60 anos e aos poucos foi sendo abandonado: restrições à circulação de caminhões de carga em certos horários e perímetros.

Queixam-se os proprietários de que haverá um encarecimento médio de 13% no custo das cargas. É possível que assim seja. Mas não há alternativas: ou pagam os usuários dos produtos transportados, ou paga toda a sociedade (inclusive as pessoas que não os consomem), ou nada se faz e a questão se agrava. Tem razão o prefeito quando diz (Estado, 7/5) que é ‘um ônus necessário’ e que ‘a cidade não suporta mais o trânsito’, já que, segundo as pesquisas, os cidadãos perdem em média 109 minutos por dia para se deslocar. E isso significa, em termos de horas de trabalho perdidas, entre R$ 27 bilhões e R$ 30 bilhões por ano, segundo cálculos dos professores Marcos Cintra e Adriano Murgel Branco. Não por acaso, as mesmas pesquisas dizem que 56% dos paulistanos são a favor de ampliar o rodízio de veículos. Leia o resto deste post »





Uma vida absurda, aceita como natural

23 03 2008

O governo, os empresários e a mídia comemoraram, em 2007, a produção no Brasil de três milhões de automóveis e agora ambicionam uma meta ainda maior. Parte importante destes carros foi vendida na cidade de São Paulo: todos os dias são licenciados, no município, 800 novos automóveis (além de 250 motos), apenas os últimos acréscimos a uma frota de seis milhões de veículos, a segunda do mundo. Mas a capital paulista enfrenta um trânsito cada vez mais lento, forçando grande parte da população a perder, em seus carros ou ônibus, mais e mais horas em congestionamentos.

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O tema se tornou onipresente nas conversas em São Paulo e emergencial, ganhando destaque nas principais revistas semanais. A Época de 17 de março se questiona, na capa, “Tem saída?” A Exame de 26 de março se pergunta “De quem é a culpa?”, para responder – coerente com uma revista de negócios incapaz a problematizar os interesses estabelecidos – “Não é do crescimento. Não é das montadoras. O colapso do trânsito em São Paulo é uma mostra de um país que não se preparou para o progresso”.

O quadro vai se agravar. Apesar do preço do petróleo escalar, a indústria automobilística mundial conhece um de seus maiores booms e fabricantes indianos e chineses introduzem no mercado carros de 2.500 dólares, que cedo ou tarde chegarão aqui. No Brasil, carros zero são agora financiados em até 99 meses, facilitando sua compra! E os problemas não se restringem ao trânsito: a poluição em São Paulo, causada essencialmente pelos veículos, voltou a piorar, agravando também as tendências ao aquecimento da região.

É perceptível que a velocidade de circulação nas cidades brasileiras está caindo rapidamente (o Rio de Janeiro está seguindo o caminho de São Paulo) e que o quadro vai se agravar. Todos vêm sentindo as conseqüências tanto da irresponsabilidade das autoridades para com o transporte coletivo, quanto da grande expansão sem barreiras da frota de veículos. A quantidade de veículos circulando por São Paulo cresceu, em um ano, 7%, sendo três quartos deles automóveis que normalmente circulam apenas com seus motoristas. A enorme expansão do número de motocicletas (cerca de um milhão), autorizadas pela legislação em vigor a circularem entre as faixas, também contribui para degradar o trânsito e aumentar as perdas de vidas em acidentes.

Temendo se desgastar, a prefeitura nem adota medidas de restrição à circulação de veículos – como pedágios urbanos (praticados nas capitais européias), exclusão dos automóveis particulares do centro velho, aumento do rodízio (como fez a Cidade do México), aumento da fiscalização (um terço da frota é irregular), maiores restrições a caminhões no centro ou apenas expansão das zonas azuis –, nem acelera a criação de corredores exclusivos de ônibus ou de ciclovias, por pressão dos comerciantes e moradores das vias onde eles seriam implantados.

Governos paralisados. O prefeito Gilberto Kassab afirmou que os congestionamentos são o resultado da falta de investimento da prefeitura no metrô nos últimos 32 anos, que não tem solução de curto prazo, mas agora “não adianta chorar sobre o leite derramado”(Folha de S.Paulo, 7/3/2008, p. C6). O presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (e seu gestor em vários governos conservadores), Roberto Scaringella, foi mais franco: não haverá “medidas radicais que dariam fluidez” ao trânsito, porque “podem impactar negativamente a economia”. “A conseqüência é que a gente terá de aprender a conviver com um número maior de quilômetros de lentidão. Quando eles se excedem, não gera um colapso da cidade, mas a deterioração e a delinqüência urbana” (Folha de S.Paulo, 9/3/2008, p. C3). Pressionada pela imprensa, a prefeitura acabou anunciando uma série de medidas, mas elas são simbólicas: redução do espaço para estacionamento em algumas ruas, divulgação de rotas alternativas às vias principais, etc.

A atuação do governo do estado também é marcada pela inação. Ele não acelera a expansão do metro e nem cumpre as metas de construção da Linha 4 - Amarela (prevista, quando licitada em 2001, para entrar em operação em 2006), onde os métodos privatistas geraram sucessivos desastres e atrasos (na melhor das hipóteses, ela começará a funcionar de forma parcial, em 2010!). E nem mesmo geri uma integração adequada com a rede de ônibus, perdido em disputas menores de rateio dos custos com a prefeitura.

Uma vida absurda. É absurdo que duas ou três horas por dia da vida de dez milhões de pessoas seja jogada fora, em um stress sem propósito. Mas o sistema do automóvel está tão profundamente arraigado no imaginário das pessoas que estas têm dificuldades de perceber seu caráter grotesco, que é aceito como natural ou inevitável, permitindo que governantes ajam de forma irresponsável.

No entanto, como afirma o arquiteto Paulo Mendes da Rocha, “é como se tivéssemos inventado uma máquina de produzir veneno e, todo dia, nos empenhássemos em aprimorá-la. A questão dos transportes é fundamental. Não se trata, puramente, de introduzir conforto. Trata-se de ver que, queimar petróleo para transportar uma pessoa de 60 quilos numa lataria de 700 quilos, que não anda, é um erro grave. É repugnante ver a cidade congestionada de carros que não andam. A questão não é fazê-los andar, é ver que isso não tem saída, o transporte individual é uma bobagem. [Construir túneis e viadutos] é aprimorar a máquina do veneno. E já não importa que o carro não ande, porque você vê todo mundo lá dentro falando no celular, usando o laptop… É a rota do absurdo” (entrevista à Carta Capital, 15 de agosto de 2007, p. 64).

O proprietário do carro está impondo a toda sociedade enorme custos, que ele não paga no IPVA ou quando compra o automóvel: na ocupação do espaço público (50% do território urbano em São Paulo é dedicado ao transporte), na perda de tempo que impõe aos outros, nos danos à saúde de milhões de pessoas que inflige, etc. O correto é que o uso do transporte individual seja desestimulado e o coletivo favorecido e o usuário do carro passe a pagar por todo o impacto que provoca.

Parece evidente que nada se pode esperar dos governantes! Este é um problema que São Paulo só poderá enfrentar se organizar um movimento cidadão que reúna força política para libertar a cidade da ditadura do automóvel, um movimento com propósitos claros, capaz de impor uma expansão da oferta e qualidade do transporte público e reduzir o espaço para o carro.

Novas contradições sistêmicas. Assistimos, nos últimos anos, ao acúmulo de uma série de problemas de novo tipo, gerados pela lógica sem freios do mercado, que estão cobrando um preço humano e ambiental cada vez maior.

O caso mais notório é o do aquecimento global, resultado de toda a economia do petróleo, carvão e automóvel, associada ao consumismo desenfreado. Ela exige pensarmos a atividade produtiva em função das necessidades humanas e não da busca do lucro e, portanto, do crescimento. Mas, como manter o capitalismo sem a maior expansão possível?

É o caso também da economia do conhecimento. Não se trata apenas do crime que é restringir o acesso a medicamentos em nome da defesa das patentes. Mas de restringir o acesso à informação, conhecimento e cultura de grande parte da população – quando a internet e a convergência digital reduzem o preço dos bens culturais a praticamente nada e permitem uma grande difusão destes bens – em função dos “direitos de propriedade intelectual”.

E agora os moradores de São Paulo enfrentam as conseqüências da irracionalidade que representa a “racionalidade” do mercado: cada um buscar satisfazer seus desejos na lógica do transporte (ou do consumo) individual sem que haja uma forte intervenção do poder regulador de caráter público (e não mera correia de transmissão dos interesses econômicos, como é hoje o estado brasileiro) tolhendo os absurdos que o consumismo carrega.

Todas são questões que colocam em discussão a necessidade de outra vida e de outra organização da nossa sociedade.

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Como morrer mais cedo em São Paulo - Texto de Gilberto Dimenstein

11 03 2008

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CHEFE DO LABORATÓRIO DE POLUIÇÃO DA USP , integrante do comitê científico da Faculdade de Saúde Pública da Universidade Harvard e professor titular de patologia, Paulo Saldiva chegou ao topo de sua carreira, mas sente-se um médico frustrado: “Faço diagnósticos, mas não consigo curar”, lamenta.

Ele e seu grupo de 30 pesquisadores da USP diagnosticam que, por dia, na cidade de São Paulo, a poluição mata prematuramente 12 pessoas e produz 200 vítimas de pneumonia, infarto do miocárdio, asma, otite, entre outras doenças. É o suficiente para reduzir em um ano a expectativa de vida do paulistano.

As invisíveis partículas que saem dos escapamentos dos automóveis mataram, em 2007, o dobro- isso mesmo, caro leitor, o dobro -do que os assassinatos. Se imaginarmos um estádio superlotado do Morumbi, teremos uma idéia do que representam anualmente as 200 pessoas que todos os dias adoecem por causa da poluição.

A frustração de Saldiva é que, apesar de seu diagnóstico baseado em pesquisas científicas, a poluição aumenta e mata cada vez mais gente, mas não gera tanta mobilização como a violência, a maior preocupação dos paulistanos.

As duas últimas semanas serviram para aumentar a frustração de Saldiva -um médico que, para dar o exemplo, se locomove pela cidade montado em uma bicicleta.
De 2006 a 2007, como noticiou a Folha, aumentou em 54% o número de vezes em que a qualidade do ar estava imprópria. Nesse mesmo período, a taxa de homicídios na cidade de São Paulo caiu 22%. Desde 1990, a redução foi de 73%.

Nas duas últimas semanas, foram noticiados recordes de congestionamento, inclusive em períodos razoavelmente sossegados para os padrões locais. “Não vemos os políticos dispostos a enfrentar os donos de automóveis”, critica o médico. Politicamente, isso é explicável.

Convivem na cidade 11 milhões de habitantes e 6 milhões de automóveis, 800 dos quais licenciados a cada 24 horas. Não é necessário ser um matemático para ver que a imensa maioria dos eleitores está motorizada.

São agradados, no geral, com pontes, viadutos, alargamento de ruas e avenidas, levados à ilusão de que a circulação vai melhorar. As obras rendem votos (e, quem sabe, ajuda em caixa de campanha), mas não soluções. Tanto não rendem soluções que já existem cálculos sobre o dia e a hora em que a cidade vai, literalmente, parar.
Existe luz no fim do túnel? Existe. Mas ainda está muito difícil enxergá-la justamente por causa do excesso de fumaça.

Os crescentes incômodos com o trânsito e com a ecologia, traduzidos nas horas paradas e nas mortes e doenças, abrem espaço para que, nesta eleição municipal, se discuta até que ponto vale a pena apoiar medidas impopulares e, ao mesmo tempo, gestões urbanas mais sofisticadas.

Sofisticadas significa integrar diferentes níveis de governo no financiamento de transportes públicos. Apenas agora, depois de quase três décadas, a prefeitura deu dinheiro para a expansão do metrô, que não recebe um centavo (exatamente isso, centavo), de Brasília -um desdém indesculpável diante de uma região com tanta importância nacional.

Assim como são sofisticados os planos de integração dos vários sistemas de transportes, formando uma malha eficiente, acoplados a projetos destinados a aproximar moradia ao trabalho. Um dos planos mais ousados é a recuperação da orla ferroviária, antiga área de fábricas e hoje subutilizada, em pólo dinâmico, tirando-se proveito da existência de centenas de quilômetros de trilhos.

Medidas dessa complexidade exigem uma política diferenciada para as regiões metropolitanas, a começar da aliança de vários prefeitos vizinhos, em parceria com o governador e o presidente.

Mesmo que saiam do papel, esses planos não bastam. Os mais experientes especialistas de trânsito asseguram que serão exigidas medidas antipáticas. Uma delas é limitar as entregas de carga a determinados horários, o que desagrada aos comerciantes. Outra, ainda mais impopular, é fazer pedágio urbano para tirar os carros das ruas e, ao mesmo tempo, financiar o transporte público.

Vai dar muita briga, mas, depois, todos vão aceitar. Ninguém quer mais tirar o rodízio nem se pede mais o fim dos talões de zona azul, duas medidas que provocaram incômodos quando lançadas. O que não sabemos é se, desse pleito, vai sair um plano capaz de colocar seu projeto político individual abaixo dos interesses coletivos e topar uma briga que pode-se perder no presente, mas se ganha no futuro.
O prefeito de Londres impôs o pedágio, apanhou de todos os lados, mas venceu e hoje é reverenciado pelos londrinos e aplaudido mundialmente pela sua coragem.

O que está em discussão não é o trânsito, mas a construção de uma sociedade civilizada. Provavelmente, vai aparecer a luz no fim do túnel quando os eleitores ficarem tão irritados com as mortes provocadas pela poluição como os assassinatos cometidos por marginais.

Não fosse a pressão, São Paulo não teria reduzido em 73% o número de assassinatos.


Coluna originalmente publicada na Folha de S.Paulo, editoria Cotidiano.
(http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/colunas/gd100308.htm)





O momento é agora

10 03 2008

los_angeles_19_faixas2.jpglos_angeles_19_faixas2.jpgCom o retorno de São Paulo à rotina, depois do carnaval, assistimos a um claro agravamento do problema do trânsito. Ele vem sendo detectado pelos registros da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), que monitora 820 quilômetros de vias da cidade. Dia após dia, recordes de congestionamento vêm sendo batidos nestas vias, tanto no período da manhã como da noite: 214 quilômetros de ruas e avenidas paradas às 19:15 horas de 29 de fevereiro; 149 quilômetros às 9 horas da manhã do dia 3 de março, 155 quilômetros às 9:30 de 4 de março, 165 quilômetros às 9 horas de 6 de março.

O quadro vai se agravar. Apesar do preço do petróleo escalar, a indústria automobilística conhece um de seus maiores booms e fabricantes indianos e chineses introduzem no mercado carros de 2.500 dólares. No Brasil, carros zero são agora financiados em até 99 meses, facilitando sua compra! E os problemas não se restringem ao trânsito: a poluição em São Paulo, causada essencialmente pelos veículos, voltou a piorar. Em 2007, o número de dias em que a qualidade do ar medida pela Cetesb ficou imprópria ou má aumentou 54%. A poluição também acelera as tendências ao aquecimento da região – cujas temperaturas, desde de que começaram a ser medidas em 1943, jamais foram tão elevados.

É perceptível que a velocidade de circulação na cidade está caindo rapidamente. Todos vêm sentindo as conseqüências tanto da irresponsabilidade das autoridades para com o transporte coletivo, quanto da grande expansão sem barreiras da frota de veículos – no ano passado foram produzidos cerca de três milhões de novos carros no Brasil. E a frota de veículos circulando pela cidade cresceu, em um ano, 7%, passando de 5,6 milhões para 6,0 milhões, sendo três quartos deles automóveis que normalmente circulam apenas com seus motoristas. A enorme expansão do número de motocicletas, autorizadas pela legislação em vigor a circularem entre as faixas, também contribui para degradar o trânsito e aumentar as perdas de vidas em acidentes.

Temendo se desgastar com os motoristas, a prefeitura nem adota medidas de restrição à circulação de veículos – como pedágios urbanos (praticados nas capitais européias), exclusão dos automóveis particulares do centro velho, aumento do rodízio (como fez a Cidade do México), aumento da fiscalização (um terço da frota é irregular), proibição de caminhões no centro entre as 6 e 23 horas ou apenas expansão das zonas azuis –, nem acelera a criação de corredores exclusivos de ônibus, por pressão dos comerciantes das vias onde eles seriam implantados. O governo municipal se limita a assistir a escalada de congestionamentos: quando se atinge o recorde de multas de trânsito, funcionários do CET trabalham nas ruas sem equipamentos de comunicação! O prefeito Gilberto Kassab afirmou que os congestionamentos são o resultado da falta de investimento da prefeitura no metrô nos últimos 32 anos, que não tem solução de curto prazo, mas agora “não adianta chorar sobre o leite derramado”, sem apresentar qualquer proposta (Folha de S.Paulo, 7/3/2008, p. C6).

O presidente da CET (e seu gestor em todos os governos conservadores das últimas décadas), Roberto Scaringella, é mais franco: não haverá “medidas radicais que dariam fluidez” ao trânsito, porque “podem impactar negativamente a economia”. “A conseqüência é que a gente terá de aprender a conviver com um número maior de quilômetros de lentidão. Quando eles se excedem, não gera um colapso da cidade, mas a deterioração e a delinqüência urbana” (Folha de S.Paulo, 9/3/2008, p. C3).

A atuação do governo do estado também é marcada pela mesma inação. Ele não consegue acelerar a expansão do metro e nem cumprir as metas de construção da Linha 4 - Amarela (prevista, quando licitada em 2001, para entrar em operação em 2006), onde os métodos privatistas geraram sucessivos desastres e atrasos (na melhor das hipóteses, ela começará a funcionar de forma parcial, em 2010!). E nem mesmo geri uma integração adequada com a rede de ônibus, perdido em disputas menores de rateio dos custos com a prefeitura.

Nada podemos esperar dos governantes! Este é um problema que São Paulo só poderá enfrentar e eventualmente resolvido se organizar um movimento cidadão que reúna força política para libertar a cidade da ditadura do automóvel, um movimento com propósitos claros, capaz de impor uma expansão da oferta e qualidade do transporte público e reduzir o espaço para o transporte individual.

Nosso coletivo acumulou uma importante formulação sobre a questão do transporte na cidade no documento “São Paulo sustentável com qualidade de vida”, que temos agora que difundir, como fundamento de todas as propostas concretas que inúmeros técnicos vêm levantando.

Ou este será nosso futuro!

O futuro de São Paulo?





Paulistano leva 1h40 para se deslocar na cidade

5 03 2008

O Futuro de São Paulo?

Cada vez mais os paulistanos têm motivos para reclamar do trânsito na cidade. A frota de veículos alcançou a marca de 6 milhões neste início de 2008, de acordo com informações do Detran, divulgadas pelos jornais Folha de S.Paulo e Metro. Um aumento de 7% em relação a janeiro do ano passado. O resultado é o crescimento dos congestionamentos. Nos últimos três anos, a média de lentidão nos horários de pico passou de 77 km para 90 km, no período da manhã, e de 114 para 128 km durante a tarde.  A população percebe no dia-a-dia a demora para se deslocar na cidade por conta dos congestionamentos. De acordo com a pesquisa Ibope”Viver em São Paulo”, realizada em janeiro deste ano, o paulistano leva em média uma hora e 40 minutos para se deslocar na cidade para realizar a atividade principal do dia-a-dia, como trabalho e estudo.  Entre os entrevistados, 85% afirmaram que estão insatisfeitos com o trânsito na cidade e 3% estão satisfeitos. A pesquisa também revelou que 66% se sentem insatisfeitos com o tempo gasto para se deslocar na cidade.  

O Ibope entrevistou 1.512 moradores em todas as regiões da capital, entre os dias 5 e 14 de janeiro. Veja abaixo os percentuais de satisfação e insatisfação dos entrevistados em relação à locomoção na cidade.

Fonte: http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/335





Biciletada hoje, 25/01

25 01 2008

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Acontece hoje a tradicional bicicletada em São Paulo, no aniversário da cidade. Saindo de diversos pontos da cidade, os ciclistas devem se encontrar as 16h na praça do ciclista.

O coletivo Ecologia Urbana apóia bicicletada e estaremos lá participando com nossas bicicletas, skates etc.