Poluição mata mais do que trânsito e homicídios em São Paulo

20 06 2008

Por Mari Almeida, do blog Outra política

A poluição mata muita gente em São Paulo, mais de duas mil pessoas por ano, e está crescendo rapidamente desde 2005. São em média oito mortes por dia, contra quatro em acidentes de trânsito e 6,5 por homicídio. O motivo é o aumento explosivo da frota de veículos em circulação na cidade, mais de seis milhões (e 8,5 milhões na região metropolitana). No mês de março de 2008, foram emplacados no Detran da capital 48.571 veículos, uma média de 1.566 por dia. Serão mais de meio milhão a mais no final do ano!

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Do pó ao pó

10 04 2008

Precisa escrever mais alguma coisa?
Talvez uma explicação. Alguns acreditam que viemos do pó e que terminaremos em pó, ou seja, do pó ao pó. Será que convém gerarmos tudo isso que a gente gera (entre elas a fumaça)?
Fica a questão para reflexão. Aguardo a resposta de vocês nos comentários.

João Paulo Amaral





Como morrer mais cedo em São Paulo - Texto de Gilberto Dimenstein

11 03 2008

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CHEFE DO LABORATÓRIO DE POLUIÇÃO DA USP , integrante do comitê científico da Faculdade de Saúde Pública da Universidade Harvard e professor titular de patologia, Paulo Saldiva chegou ao topo de sua carreira, mas sente-se um médico frustrado: “Faço diagnósticos, mas não consigo curar”, lamenta.

Ele e seu grupo de 30 pesquisadores da USP diagnosticam que, por dia, na cidade de São Paulo, a poluição mata prematuramente 12 pessoas e produz 200 vítimas de pneumonia, infarto do miocárdio, asma, otite, entre outras doenças. É o suficiente para reduzir em um ano a expectativa de vida do paulistano.

As invisíveis partículas que saem dos escapamentos dos automóveis mataram, em 2007, o dobro- isso mesmo, caro leitor, o dobro -do que os assassinatos. Se imaginarmos um estádio superlotado do Morumbi, teremos uma idéia do que representam anualmente as 200 pessoas que todos os dias adoecem por causa da poluição.

A frustração de Saldiva é que, apesar de seu diagnóstico baseado em pesquisas científicas, a poluição aumenta e mata cada vez mais gente, mas não gera tanta mobilização como a violência, a maior preocupação dos paulistanos.

As duas últimas semanas serviram para aumentar a frustração de Saldiva -um médico que, para dar o exemplo, se locomove pela cidade montado em uma bicicleta.
De 2006 a 2007, como noticiou a Folha, aumentou em 54% o número de vezes em que a qualidade do ar estava imprópria. Nesse mesmo período, a taxa de homicídios na cidade de São Paulo caiu 22%. Desde 1990, a redução foi de 73%.

Nas duas últimas semanas, foram noticiados recordes de congestionamento, inclusive em períodos razoavelmente sossegados para os padrões locais. “Não vemos os políticos dispostos a enfrentar os donos de automóveis”, critica o médico. Politicamente, isso é explicável.

Convivem na cidade 11 milhões de habitantes e 6 milhões de automóveis, 800 dos quais licenciados a cada 24 horas. Não é necessário ser um matemático para ver que a imensa maioria dos eleitores está motorizada.

São agradados, no geral, com pontes, viadutos, alargamento de ruas e avenidas, levados à ilusão de que a circulação vai melhorar. As obras rendem votos (e, quem sabe, ajuda em caixa de campanha), mas não soluções. Tanto não rendem soluções que já existem cálculos sobre o dia e a hora em que a cidade vai, literalmente, parar.
Existe luz no fim do túnel? Existe. Mas ainda está muito difícil enxergá-la justamente por causa do excesso de fumaça.

Os crescentes incômodos com o trânsito e com a ecologia, traduzidos nas horas paradas e nas mortes e doenças, abrem espaço para que, nesta eleição municipal, se discuta até que ponto vale a pena apoiar medidas impopulares e, ao mesmo tempo, gestões urbanas mais sofisticadas.

Sofisticadas significa integrar diferentes níveis de governo no financiamento de transportes públicos. Apenas agora, depois de quase três décadas, a prefeitura deu dinheiro para a expansão do metrô, que não recebe um centavo (exatamente isso, centavo), de Brasília -um desdém indesculpável diante de uma região com tanta importância nacional.

Assim como são sofisticados os planos de integração dos vários sistemas de transportes, formando uma malha eficiente, acoplados a projetos destinados a aproximar moradia ao trabalho. Um dos planos mais ousados é a recuperação da orla ferroviária, antiga área de fábricas e hoje subutilizada, em pólo dinâmico, tirando-se proveito da existência de centenas de quilômetros de trilhos.

Medidas dessa complexidade exigem uma política diferenciada para as regiões metropolitanas, a começar da aliança de vários prefeitos vizinhos, em parceria com o governador e o presidente.

Mesmo que saiam do papel, esses planos não bastam. Os mais experientes especialistas de trânsito asseguram que serão exigidas medidas antipáticas. Uma delas é limitar as entregas de carga a determinados horários, o que desagrada aos comerciantes. Outra, ainda mais impopular, é fazer pedágio urbano para tirar os carros das ruas e, ao mesmo tempo, financiar o transporte público.

Vai dar muita briga, mas, depois, todos vão aceitar. Ninguém quer mais tirar o rodízio nem se pede mais o fim dos talões de zona azul, duas medidas que provocaram incômodos quando lançadas. O que não sabemos é se, desse pleito, vai sair um plano capaz de colocar seu projeto político individual abaixo dos interesses coletivos e topar uma briga que pode-se perder no presente, mas se ganha no futuro.
O prefeito de Londres impôs o pedágio, apanhou de todos os lados, mas venceu e hoje é reverenciado pelos londrinos e aplaudido mundialmente pela sua coragem.

O que está em discussão não é o trânsito, mas a construção de uma sociedade civilizada. Provavelmente, vai aparecer a luz no fim do túnel quando os eleitores ficarem tão irritados com as mortes provocadas pela poluição como os assassinatos cometidos por marginais.

Não fosse a pressão, São Paulo não teria reduzido em 73% o número de assassinatos.


Coluna originalmente publicada na Folha de S.Paulo, editoria Cotidiano.
(http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/colunas/gd100308.htm)





Maus ventos

5 03 2008

 

A qualidade do ar na Grande São Paulo não anda nada boa, e a poluição está alçando outros vôos. É o que comprovou a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) através de medições realizadas em 2007. Comparando os dados com os números de 2006, a companhia concluiu que no último ano os paulistas respiraram até 54% mais vezes ar sujo que no ano anterior. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, a Cetesb também afirma que os ventos poluídos já não se concentram mais na região metropolitana: estão avançando para o interior e litoral do estado. De acordo com técnicos, as novas tecnologias nos automóveis contribuíram para amenizar a poluição nos últimos anos, mas o aumento na venda de veículos compensou negativamente este ganho.

Fonte: O Eco





Carro ecológico

25 02 2008

Carros a motor jamais serão ecológicos.

A razão é simples: o aproveitamento de energia. Um automóvel “leve” é um equipamento que pesa 1,5 tonelada e serve para transportar uma pessoa de 70 quilos.

Mesmo se a ocupação do veículo for total (o que deve acontecer em cerca de 1% de todos os deslocamentos feitos por um automóvel), a proporção objeto transportado X objeto que transporta é absolutamente irracional.

Uma pessoa em um automóvel gasta pelo menos 15 vezes mais energia para mover o próprio carro do que para deslocar o seu corpo.

O motor a combustão (etanol, gasolina, diesel, óleo de mamona, etc) tem impacto direto sobre o planeta e sobre a vida humana, sendo o principal responsável pela poluição atmosférica nas cidades. Fontes ditas “limpas”, como a energia elétrica, também tem profundo impacto ambiental. A construção de usinas, represas e barragens são obras responsáveis pela destruição de ecossistemas inteiros.

Um veículo ecológico é aquele que maximiza o gasto de energia e minimiza seu impacto no ambiente. Um ônibus a diesel, com motor bem regulado e circulando por corredores exclusivos com 60 pessoas dentro é muito mais ecológico do que um Ecosport que só leva uma pessoa e é utilizado para percorrer distâncias curtas.

Publicado em: http://apocalipsemotorizado.net/





Cientistas alertam para extinção de todas as espécies marinhas em até 40 anos

24 02 2008

Cientistas alertam extinção de todas as espécies marinhas em até 40 anosA vida marinha poderá sofrer extinção em massa em poucas décadas se a pesca intensiva, as mudanças climáticas, a acidificação da água, a poluição e o desenvolvimento litorâneo não forem combatidos, segundo um relatório apresentado nesta sexta-feira (23) pela ONU.
O relatório “In Dead Water” (”Em Águas Mortas”), elaborado por uma equipe de cientistas por incumbência do Programa da ONU para o Meio Ambiente (Pnuma), cujo 10ª conselho especial termina nesta sexta, em Mônaco, traça um panorama tenebroso.
“Há 65 milhões de anos, quando desapareceram os dinossauros, o mar estava saturado de dióxido de carbono. Em poucas décadas, a partir de agora, a água do mar será ainda mais ácida do que naquela época”.
A afirmação pessimista é de Ken Caldeira, da Universidade de Stanford, que, junto com outros cientistas e o diretor-executivo do Pnuma, Achim Steiner, apresentou o relatório à imprensa.
Steiner resumiu as ameaças que assolam os oceanos: a pesca intensiva e as más práticas pesqueiras, como o arrasto e a pesca em profundidade, as mudanças climáticas e a poluição litorânea.
Segundo o diretor-executivo do Pnuma, “seria uma irresponsabilidade culpar uma só delas, mas, em coro, farão com que em 30 ou 40 anos desapareça a indústria pesqueira e aconteça o colapso biológico dos mares”.
O relatório indica que a metade das capturas pesqueiras do mundo acontece em menos de 10% do oceano. É nesta área que se produz a maior parte da atividade biológica de espécies consideradas chave na cadeia alimentar.
Devido às mudanças climáticas, “com o aumento de 3 graus na temperatura das águas superficiais, mais de 80% dos corais — fundamentais na ecologia marinha — podem morrer em décadas, entre 80% e 100% em 2080″, segundo o relatório.
A acidificação do mar, devido à dissolução de dióxido de carbono provocada pelo uso de combustíveis fósseis, em poucas décadas danificará também os corais e outras espécies que metabolizam conchas calcárias.
Ainda segundo o relatório, o desenvolvimento litorâneo “aumenta rapidamente” e há a previsão de que “atinja negativamente 91% de todas as costas desabitadas até 2050, contribuindo majoritariamente para a poluição do mar”.
As mudanças climáticas afetam negativamente “a circulação termoalina — grandes correntes — e o fenômeno de fluxo e refluxo de água continental, crucial para 75% das pescas”.
Em conjunto, a poluição litorânea e as mudanças climáticas “acelerarão o desenvolvimento de zonas mortas, muitas delas próximas a plataformas pesqueiras”.
O número de zonas mortas — regiões com hipóxia (falta de oxigênio) — aumentou de 149 em 2003 para 200 em 2006, afirma o relatório apresentado.

Publicado no Site G1, em 22 de fevereiro





O que é o movimento Ecologia Urbana?

14 12 2007

Editorial da Revista Ecologia Urbana
É dezembro, o verão está chegando, mas ainda faz frio. Estiagem onde deveria ter chuva, estação chuvosa onde estaria seco. Poluição no ar, nas ruas, nos rios, na água… São todos exemplos conretos dos problemas ambientais que estamos vivendo. Num âmbito mais macro, o problema do aquecimento global provocado predominantemente pela queima de combustíveis fósseis – na geração de energia e na utilização do automóvel – afeta-nos e ameaça a vida de milhões de pessoas.
Não por outro motivo, os movimentos ecológicos aparecem cada vez com mais força no Brasil e no mundo, embora poucos ou nenhum toquem a questão central do problema ambiental: a própria forma de organização da vida urbana, baseada no consumismo, produção de mercadoria e individualismo.
Eis porque acreditamos que para mudar essa situação é importante um movimento político, social e individual centrado numa perspectiva de ecologia urbana, que coloque no centro do debate a organização sócio-política da cidade. Tomando São Paulo como exemplo, pretendemos trabalhar a ecologia urbana de forma ampla. Nós temos que sair de uma perspectiva ecológica na terceira pessoa em direção a uma na primeira pessoa… do plural. Essa é a proposta inicial e que se apresenta nesta revista.