E você, jovem, fora ficar pelado, está fazendo algo a respeito?

17 06 2008

Uma pesquisa realizada pela Fecomércio-RJ com jovens entre 16 e 24 anos mostra que 72% dos jovens entrevistados disseram que o cidadão tem responsabilidade pela degradação ambiental e 71% acredita que o cenário atual de desequilíbrio ambiental pode ser revertido.
Agora vem a parte interessante: 48% diz não realizar nenhuma ação para reverter essa situação. E vale destacar que a pesquisa mencionava ações do tipo fechar a torneira ao escovar os dentes ou apagar as luzes, ou seja, atos simples que não exigem muito esforço.
Curiosamente, uma parcela, embora pequena, disse realizar ações que exigem um pouco mais de força de vontade, como separar o lixo, consumir produtos menos prejudiciais e buscar caronas.

Reportagem Folha de São Paulo sobre a pesquisa





Carta de Demissão da Marina Silva

14 05 2008

Leiam abaixo a carta de demissão da Marina Silva.

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Você acredita em responsabilidade sócio-ambiental das empresas?

5 05 2008

Hoje em dia muito se fala em responsabilidade social, e agora responsabilidade sócio-ambiental das empresas. Mas será que dá para acreditar? Um rápido estudo de caso. Clicando em nosso valores (sítio em inglês) da Unilever, encontramos:

“Our commitment to sustainability requires us to go beyond our own operations and to seek reductions in the total environmental footprint of our business and brands.” Traduzindo: “Nosso compromisso com a sustentabilidade exige ir além de nossas operações e buscar reduções no impacto ambiental total de nosas operações e marcas”.

E então lista algumas ações que a empresa está tomando, como reduzir consumo de água etc. Falam inclusive que receberam prêmio do Fórum Econômico Mundial, em DAVOS, como líder da sustentabilidade. Mas nada sobre a devastação de floresta na Indonésia. Floresta da Indonésia?, você pode perguntar. Mas é isso mesmo. Veja o vídeo abaixo, do greenpeace, que vi em outro blog.

Se a empresa fabricante do Dove faz isso tudo e é campeã da sustentabilidade pelos rankings empresariais, imginem as que não são primeiras colocadas!

Mas, de todo modo, mandamos um e-mail para a Unilever, pedindo a eles explicações sobre o vídeo. Ainda é assim? Que medidas eles tomaram para reverter o quadro? Tem alguma explicação para dar? Se eles nos respnderem, colocaremos a resposta deles aqui no blog. Abaixo a mensagem que enviamos para eles, em inglês:

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Espaço Compartilhado - uma proposta

25 03 2008

Veja o vídeo abaixo e dê sua opinião: é possível algo parecido em São Paulo? Para aqueles que não compreendem bem inglês, a proposta é compartilhar espaços: nada de ruas para carros ou ruas para pedestres, mas ruas para carros e pedestres. Assim, os espaços são compartilhados - por carros, pedestres e bicicletas.

Obviamente, os carros andam a baixas velocidades nesses esapaços compartilhados. Mas, pelo vídeo, ainda acho que é mais rápido do que costumam andar aqui em São Paulo quando há congestionamento!





As energias Renováveis

3 03 2008

Energia Solar

De acordo acordo com o relatório REN21 Renewables 2007 Global Status , a capacidade de produção de energia por fontes renováveis está crescendo rapidamente e pode ser tornar o mainstream no setor energético.

Preparado pela Renewable Energy Network for the 21st Century (REN21), em colaboração com o Wordwatch Institute , este relatório revela que em 2007 a capacidade de produção eólica aumentou 28%, enquanto o solar fotovoltaico (energia solar) ligado à rede elétrica aumentou 52%. O setor da energia renovável conta agora com 2,4 milhões de empregos a nível global, e duplicou a capacidade de produção elétrica desde 2004, para 240 GW. Mais de 65 países têm metas nacionais para acelerar o uso de renováveis e estão a desenvolver políticas para chegar a esses objetivos. As agências multilaterais e os investidores privados estão integrando a energia renovável nos seus portfólios, capturando o interesse das grandes empresas internacionais.

O relatório foi lançado antes da Conferência Internacional sobre Energias Renováveis em Washington que ocorrerá entre 4 a 6 de Março, a que sucede à de Bona em 2004 e Beijing em 2005.

Publicado originalmente em www.ecoblogue.net. Adaptado por ecourbana.





Os desafios do desenvolvimento sustentável

2 03 2008

O chamado desenvolvimento sustentável é um grande desafio para o país e o mundo. Ao mesmo tempo em que as sociedades se preocupam em reduzir a pobreza por meio do desenvolvimento econômico, o aquecimento global coloca em xeque as possibilidades de um desenvolvimento sustentável, isto é, que preservem esse modo de vida no futuro.

Esse é um debate complicado e o melhor lugar por onde começar é pelos dados. Por exemplo, sabemos que o crescimento econômico dos países é altamente correlacionado com o gasto de energia elétrica. Diante desse fato, conhecer as necessidades energéticas mundiais ajuda a colocar em perspectiva o que significa tentar desenvolver todo o mundo. Apenas para se ter uma idéia, em 2002 a demanda de energia elétrica global era de quase 15 bilhões de kilowatts. E prevê-se que em 2020 a demanda mundial será da ordem de 25 bilhões de kilowatts. Um aumento de cerca de 66% em 20 anos (1).

Como gerar tanta energia para o desenvolvimento dos países? Já se começa a cogitar em muitos países a produção de energia a partir reatores nucleares, ou seja, a famosa energia nuclear. Ademais, as previsões da Agência Internacional de Energia para 2030 é que os combustíveis fósseis como fonte de energia continuarão a ser principal fonte energética, como mostra o gráfico abaixo, com dados globais sobre uso de energia (1).

energia-figura.png

Diante de dados como esses, é até difícil imaginar como reverter as emissões de CO2, ainda que se adotem tecnologias mais limpas, como carros que poluem menos. Afinal, os ganhos de eficiência têm que não apenas compensar o aumento na utilização de energia, como ainda propiciar um redução substantiva nas emissões globais de CO2. Daí porque a mudanças de hábitos de vida e de padrões de consumo são uma variável importante a ser considerada, ainda que isso signifique repensar o significado de desenvolvimento econômico. Difícil visualizar outra alternativa com os dados e tecnologias atuais.

(1) Dados obtidos na EIC climate change Technology Conference. Disponível em: http://www.ccc2006.ca/eng/program.html.





Ecologia: apenas mais um lobby?

5 02 2008

Nelson Ascher, em artigo nessa segunda-feira 04/02 escreveu um artigo na folha (aqui, para assinantes) argumentando que o movimento ecológico seria mais um lobby que encobririam as questões verdadeiramente relevantes. Como a folha é um jornal importante e aqui e ali ouvimos argumentos similares, vale a pena discutir um pouco os argumentos apresentados.

1. “Esse pessoal [ecologistas] não apenas meteu na cabeça que, devido a algumas variações de frações de graus nos últimos cem anos, o planeta está prestes a se derreter, como se convenceram também de que nós, ou seja, os seres humanos, é que somos a causa do suposto desastre.”

Não são os ecologistas que meteram idéias tolas na cabeça. São os últimos vinte anos de estudos científicos que apresentam evidências de que há um processo efetivo de aquecimento global. Mesmo os ditos “céticos” (em sua maioria pessoas pagas por indústrias) aceitam que há um aquecimento global, apenas discordam de que a causa seriam os seres humanos.

Com relação ao argumento de que o aquecimento global, se houver, não é causado pelos humanos, a esmagadora maioria dos artigos publicados em revistas científicas com revisão por pares aceita atualmente que a causa fundamental para o aquecimento global são os seres humanos.

2. “Gente como Al Gore, os militantes do Greenpeace e os burocratas transnacionais da ONU selecionam a dedo, entre inúmeras hipóteses contraditórias, as poucas que lhes confirmam os preconceitos, obtêm apoio de alguns cientistas que acreditam nelas, conseguem o silêncio de muitos outros e, valendo-se de modelos computacionais às vezes duvidosos, muitas vezes discutíveis e discutidos, transformam em verdade absoluta o que mal passa, no momento, de uma especulação entre tantas, declarando, precipitada e acientificamente, que se trata de consenso indiscutível”.

Não são os burocratas da ONU que selecionam hipóteses e então buscam apoios de alguns cientistas. São os próprios cientistas, reunidos num painel, que escrevem um relatório que represente o consenso científico contemporâneo. E só então os burocratas da ONU chamam a mídia e divulgam resumos e recomendações. Mas primeiro vem a ciência, depois a política.

Quanto ao fato de se usar simulações, acientífico é não compreender que cada vez mais as simulações são usadas em todas as ciências para aprofundar nosso conhecimento. Como tudo na ciência, sempre há espaço para discussão e questionamento (por isso é ciência, não charlatanice). Mas isso não significa que o consenso apresentado pelo IPCC seja mero chute. É o melhor do nosso conhecimento científico em que todos concordam. Apenas para fins de ilustração, segundo o consenso do IPCC, os mares podem subir até quase 1 metro. contudo, estudos mais recentes já apontam para algo como 3 a 4 metros. Porém, como esses estudos ainda não são amplamente aceitos, ficam de fora do relatório do IPCC. Aceitamos discutir, mas cientificamente, publicando artigos científicos em revistas científicas.

3 .  “A preocupação exacerbada com o clima e o meio ambiente, coisas cujo funcionamento se conhece pouco e mal, já resultaria em problemas imediatos, pois, para a parcela miserável da humanidade, dificulta cada vez mais a superação de seu estado.”

Nós acreditamos justamente no contrário: a pouca preocupação com o clima e meio-ambiente dificulta cada vez mais a superação do estado de miséria de muitos povos. Secas, enchentes, alterações climáticas de temperatura, tudo isso deve ter um impacto muito mais negativo em localidades sem infra-estrutura para lidar com esses problemas.

4. “Nada (…) desviará a atenção de milhares ou milhões de militantes que, como os adeptos de qualquer seita, são movidos por dois desejos prazerosos, a saber, o de policiar a vida alheia e o de punir o sucesso de sociedades inteiras que não comungam de sua fé apocalíptica”.

Somo militantes, mas não fazemos partes de seita alguma. o Mesmo Nelson Ascher que reclama de que os ecologistas “demonizam quem quer que levante a menor objeção” faz o mesmo e diz que fazemos parte de seita.

Quanto ao fato de que queremos policiar a vida alheia, não somo nós que apoiamos o estado policial de Bush no combate ao terrorismo nem propormos câmeras nas ruas para evitar comportamentos de qualquer tipo dos cidadãos.

Se temos sociedades de sucesso no nosso mundo, então realmente o significa de sucesso difere muito. Pois enquanto houver seres humanos como nós passando fome, vítimas de abusos e mal-tratos, morrendo em guerras (civis ou entre estados), assassinatos aos montes e coisas afins, não conseguimos considerar tais sociedades um sucesso.  É verdade que muitos lugares conseguiram feitos extraordinários e que devem ser louvados e, desejamos, repartidos com todo o mundo. Mas a confinaça cega numa noção de progresso baseada na predação da Terra não pode e não será aceita por nós como signo do sucesso.