“…entre um cerradinho e a soja, ele é soja.”

29 06 2008

A frase se refere ao Presidente Lula, segundo seu seu chefe de Gabinete, em entrevista à revista VEJA da última semana. Gilberto Carvalho afirmou que o governo Lula vê na economia seu maior mérito. ”Assim, se o banqueiro tiver lucro, tudo bem.” Ainda de acordo com o assessor, mesmo em relação à reforma agrária, não há tanto empenho quanto por salário e emprego. 
“Ambiente é questão importante, mas não decisiva. Deciviso é a economia.” 
Sem dúvida é o típico discurso retrógrado e ultrapassado de quem não conseguiu, ainda - ou nunca vai conseguir -, enxergar que ambiente, social e economia devem ser vistos de forma unissona, e não concorrente. 
É apenas MAIS uma demonstração de que ainda não ficou clara a importancia da questão ambiental, enquanto fica transparente a (péssima) preparação dos representantes e seu esquadrão de assessores. Que pena.
Agora fica mais simples e imaginar a que a ministra Marina deve ter se submetido, e o que o impon(t)ente Minc deve passar nos próximos meses. Desalentador.
Ainda sobre o Presidente, o assessor, quando perguntado sobre “rolos”da “forte mão da Ministra DIlma”, comentou: “Caso da guerra da Dilma com a Marina Silva para que houvesse o leilão das hidrelétricas do Rio Madeira. Sem elas, o país ficaria sem energia em 2013.“”
Não sei que tipo de leitura agrada a esse cidadão, mas deveria variar. Parece nunca ter ouvido qualquer menção a fontes alternativas de energia. Se ouviu, deve ter se mantido da mesma maneira como fazem com a transposição do São Francisco: defendendo a idéia de que é mais uma obra para o bem dos pobres e menos favorecidos, quando o que se pretende é facilitar o acesso à energia para as grandes indústrias.
Seja como for, espero que o Minc use o cargo para amenizar as idéias imbecis do cacique e seus índios e não somente para exibir coletes que mais parecem de um rei arruinado.
A entrevista completa deve estar no site da VEJA. Se não estiver, fiquem tranquilos: NAO PERDERÃO NADA.





Carro = Fome

12 04 2008

Enquanto nós estamos preocupados em encher o tanque de nossos carros pra mal sair do lugar na hora do Rush, enquanto ficamos sonhando em ter aquela TV de plasma do vizinho, muitos ao redor do mundo se debatem para forrar seus estômagos.

 

Sexta feira, toda mídia mundial ecoou: A alta no preço dos alimentos, causada principalmente pela substituição de petróleo por biocombustíveis é uma das principais causas da fome.

 

Publicado por Renata Bindo e José Paulo Guedes

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Os desafios do desenvolvimento sustentável

2 03 2008

O chamado desenvolvimento sustentável é um grande desafio para o país e o mundo. Ao mesmo tempo em que as sociedades se preocupam em reduzir a pobreza por meio do desenvolvimento econômico, o aquecimento global coloca em xeque as possibilidades de um desenvolvimento sustentável, isto é, que preservem esse modo de vida no futuro.

Esse é um debate complicado e o melhor lugar por onde começar é pelos dados. Por exemplo, sabemos que o crescimento econômico dos países é altamente correlacionado com o gasto de energia elétrica. Diante desse fato, conhecer as necessidades energéticas mundiais ajuda a colocar em perspectiva o que significa tentar desenvolver todo o mundo. Apenas para se ter uma idéia, em 2002 a demanda de energia elétrica global era de quase 15 bilhões de kilowatts. E prevê-se que em 2020 a demanda mundial será da ordem de 25 bilhões de kilowatts. Um aumento de cerca de 66% em 20 anos (1).

Como gerar tanta energia para o desenvolvimento dos países? Já se começa a cogitar em muitos países a produção de energia a partir reatores nucleares, ou seja, a famosa energia nuclear. Ademais, as previsões da Agência Internacional de Energia para 2030 é que os combustíveis fósseis como fonte de energia continuarão a ser principal fonte energética, como mostra o gráfico abaixo, com dados globais sobre uso de energia (1).

energia-figura.png

Diante de dados como esses, é até difícil imaginar como reverter as emissões de CO2, ainda que se adotem tecnologias mais limpas, como carros que poluem menos. Afinal, os ganhos de eficiência têm que não apenas compensar o aumento na utilização de energia, como ainda propiciar um redução substantiva nas emissões globais de CO2. Daí porque a mudanças de hábitos de vida e de padrões de consumo são uma variável importante a ser considerada, ainda que isso signifique repensar o significado de desenvolvimento econômico. Difícil visualizar outra alternativa com os dados e tecnologias atuais.

(1) Dados obtidos na EIC climate change Technology Conference. Disponível em: http://www.ccc2006.ca/eng/program.html.