A Amazônia no redemunho

5 07 2008

Washington Novaes

O Estado de S.Paulo, 4 de julho de 2008

Num planeta assustado com mudanças climáticas, é inevitável que a Amazônia não escape do noticiário de cada dia, tal a sua importância tanto para as condições no mundo como para o clima no País. É inquietante, assim, ouvir do novo ministro do Meio Ambiente que o desmatamento nesse bioma ficará entre 14 mil e 15 mil km2 em um ano (crescimento de mais de 20% sobre a taxa anterior). Ou que poderá chegar a 20 mil km2, segundo estudo do Imazon. Um terceiro levantamento, da Amigos da Terra, diz que em 2007 os bovinos abatidos na Amazônia Legal ultrapassaram 10 milhões de cabeças, quase metade do total nacional abatido e 46% mais que em 2004. De lá para cá, o crescimento do rebanho na região responde pela quase totalidade do que ocorreu no País - e por isso não levará tempo para ser questionado, já que cada bovino emite (Embrapa Meio Ambiente) 58 quilos de metano por ano, ou cerca de 12 milhões de toneladas anuais em todo o rebanho (equivalentes a cerca de 250 milhões de toneladas anuais de carbono). Leia o resto deste post »





Resposta da Unilever ao problema do óleo da palma

26 06 2008

No dia 5 de maio de 2008, publicamos a controvérsia entre DOVE (Unilever) e Greenpeace, a respeito do desmatamento da palma, para extração do óleo de palma, na Indonésia. Na época, publicamos também o e-mail que enviamos para a Unilever pedindo maiores explicações. Séculos depois (mais especificamente, 52 dias depois) a Unilever Brasil respondeu à minha mensagem. Isso depois do próprio Greenpeace ter anunciado em seu sítio que a Unilever anunciara moratória na extração do óleo de palma. Segue o e-mail da Unilverver abaixo:

“Boa tarde Manuel,

Por favor, visite o nosso site corporativo: http://www.unilever.com/ourcompany/newsandmedia/latestnews/sustainable-palm-oil.asp e entenda a nossa relação com a questão levantada pelo Greenpeace sobre o uso de Oleo de Palma.
Lá você encontrará outros links sobre o assunto que poderão sanar suas dúvidas.
Qualquer questão por favor entre em contato novamente.

Att,

Diogo Ganzella
Responsabilidade Social - Unilever Brasil”

Quem acessar o link, notará que a Unilever afirma textualmente: “O problema é simplesmente que a demanda por óleo de palma explodiu, em parte por causa do crescimento da demanda de índia e China, mas também por causa do uso do óleo da palma como matéria-prima para biocombusítvel”.

Ou seja, reconhece a Unilever que tudo que estamos falando há algum tempo é correto: O modelo de expansão dos padrões de consumo dos países centrais para a periferia gera insustentabilidade, bem como a substituição do petróleo pelos biocombustíveis gera insustentabilidade. Não é hora de repensarmos, nós, cidadãos, esse modelo de civilização? Será que a Unilever é capaz de repensar o modelo, quando a demanda pelo produto deles “simplesmente explodiu”? Eles vão abrir mão voluntariamente de uma oportunidade tão boa de obter lucros?





Desmatamento na Amazônia cresce 775% em um mês

5 06 2008

http://www.mst.org.br/, 03/06/2008

O Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) divulgou, nesta segunda, 02/06, dados sobre o desmatamento na Amazônia Legal, referentes à abril deste ano. De acordo com o sistema Deter (Detecção do Desmatamento em Tempo real), houve um aumento de 774,48% no desmatamento na região.

Em março de 2008, foram 145 km² de novas áreas desmatadas, já em abril, este número passou para 1.123 km², área equivalente à cidade do Rio de Janeiro. 70% por cento da degradação (794 km²) estão no estado de Mato Grosso. Em março, o sistema havia registrado 112 km² no estado. Roraima e Rondônia são, respectivamente, os outros dois estados que dividem o podium com Mato Grosso.Os números confirmam a tendência de aumento da devastação registrada desde o fim de 2007, após três anos consecutivos de queda. Os cálculos foram feitos com base em imagens de satélite do Deter, que identifica áreas desmatadas ou com floresta em estágio avançado de degradação acima de 25 hectares. O Inpe não tem como determinar em que mês uma área foi desmatada, apenas o momento em que o corte foi detectado.

Cerca de 17% da Amazônia já foi desmatada nos últimos 20 anos - 4 milhões de km2, área equivalente aos territórios de Minas Gerais, Rio e Espírito Santo. Em média, isso equivale a um campo de futebol destruído a cada 10 segundos.

O recém empossado ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, aponta que o desmatamento é resultado do aumento do preço da carne e da soja. Ele aponta que os produtores do agronegócio, estimulados com o bom preço, têm invadido áreas Amazônicas para plantio e pastoreio.




Dove vs Greenpeace - Resolução

13 05 2008
Produtos Dove, da Unilever, prometem beleza mas geram cenas  desagradáveis como enormes áreas queimadas e desmatadas para a  produção de óleo de palma, umas das principais matérias-primas da  empresa.

Produtos Dove, da Unilever, prometem beleza mas geram cenas desagradáveis como enormes áreas queimadas e desmatadas para a produção de óleo de palma, umas das principais matérias-primas da empresa.

Amsterdã, Holanda — Em resposta à campanha do Greenpeace contra a destruição da floresta em Borneo, empresa se compromete a usar apenas óleo de dendê produzido sustentavelmente. Outras empresas como Nestlé e Procter & Gamble precisam aderir à causa.

O anúncio desta quinta-feira da Unilever de que decretará moratória contra a destruição das florestas na Indonésia foi comemorado pelo Greenpeace, que vê agora um pouco mais de esperança para os orangotangos que vivem na região e também para o clima.

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“Evite que seu bife derrube a Amazônia”, ensina o Idec

8 04 2008

…pode-se imprimir um “cartão postal” a ser enviado pelo correio, deixado com o gerente ou na caixa de sugestões do supermercado que a pessoa freqüenta, pedindo que o estabelecimento cobre de seus fornecedores de carne bovina a utilização de um sistema de rastreamento do produto comercializado, de modo a garantir ao consumidor que ele não esteja contribuindo para o desmatamento na Amazônia Legal.

www.ambientebrasil.com.br

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Quem chega atrasado bebe água suja

27 03 2008

Trechos do texto de Eduardo Diniz Junqueira (fazendeiro e escritor)
O Estado de São Paulo - 26 de Março de 2008

Ditado caboclo, um tanto simplório, mas que bem se aplica ao nosso desenvolvimento tardio, é o que vai no título. Pois, com a história crítica, parece que nada resta de heróico ou de grandioso no nosso passado. Nem mesmo a grandeza territorial mantida por quatro séculos, que tanto admirava o historiador inglês Robert Southey, como obra tão grande e de tão pouca gente. E aqui cabe lembrar que a diferença entre nós e os Estados Unidos, país de clima temperado, é que somos um país tropical e nada da Europa se adaptava ao Brasil facilmente. Nem o europeu.

O avanço da pecuária para o oeste só se deu após a chegada do zebu, em 1900. Gado afeito ao calor e às epizootias tropicais, como a do carrapato, que obrigava os antigos a besuntar os bois de carro com azeite de mamona e a penteá-los, para limpar os carrapatos. O zebu abriu as invernadas do Brasil Central. Em 1950, no município de Morro Agudo (SP), por iniciativa de Sebastião de Almeida Prado, teve início o desmatamento mecânico do cerrado no Brasil, executado pelo Escritório de Técnica Agrícola (ETA), de Fernando Penteado Cardoso, João Lanari Duval e outros quatro agrônomos recém-formados na Esalq. Com a mecanização se expandiu o uso do calcário, o plantio do arroz de sequeiro, da soja e das braquiárias pelo Brasil Central. O calcário, a soja, as brachiárias e o buldôzer levaram a prosperidade às terras de campo e cerrado.

Porém chegamos tarde aos paralelos amazônicos e hoje somos criticados por isso. Segundo o ecologista Evaristo Eduardo Miranda, autor do livro Quando o Amazonas Corria para o Pacífico, na época do Descobrimento o Brasil detinha 10% das florestas do mundo e hoje detém cerca de 28% delas porque os outros países derrubaram as suas florestas há muito tempo e nós, não. Como participante do desbravamento dos sertões, ao longo de 60 anos, não defendo o desmatamento desordenado, mas guardo em mim o sentimento de esperança e de futuro que a abertura de novas áreas para a atividade econômica despertava nas pessoas. Os desbravadores do Oeste Paulista, do Norte do Paraná, de Mato Grosso, de Goiás, deste mundão de Brasil, em que as fazendas e as cidades pipocavam, provocavam a alegria e o entusiasmo de um País novo que se fazia. Sentimento sintetizado por Monteiro Lobato no Drama da Geada, publicado pelo Estado em 1918, quando evocou “o prazer paulista de tirar uma fazenda do nada”. Sem o desmatamento essas regiões não existiriam, nem o Brasil existiria com a grandeza que tem. Continuaria “um pequeno país com a responsabilidade de um grande território”, como disse Joaquim Nabuco.

Postado por João Paulo Amaral 





Aumento de CO2 deixa a soja mais vulnerável

26 03 2008

 

Colheitas de soja ficam mais vulneráveis ao ataque de insetos quanto mais alta for a concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, revela um estudo feito pela Universidade americana de Illinois.

Pés de soja submetidos a altos níveis de CO2 não apenas produzem mais carboidratos - que atraem mais insetos - como perdem a capacidade de sintetizar uma substância química que atua como um mecanismo de defesa natural contra os predadores, segundo os cientistas.

O experimento, publicado na edição online da revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, utilizou instalações que permitem expor as plantas de soja a diferentes níveis de CO2 e ozônio sem isolar a plantação de outras influências, como chuva, luz solar e insetos.

Os cientistas sabiam que altos níveis de CO2 aceleram a fotossíntese e elevam a proporção de carboidratos em relação ao nitrogênio nos pés de soja. Por isso, eles já esperavam comprovar que os insetos devorariam mais plantas submetidas a CO2 para conseguir alcançar o nível de nitrogênio de que eles precisam.

No experimento prático, entretanto, os resultados não apenas demonstraram a validade desta hipótese, como exibiram um efeito diferente: os insetos atraídos para as plantas submetidas a altos níveis de CO2 viviam mais e se reproduziam com mais facilidade.

Para comprovar que este efeito não se deveu simplesmente ao aumento do carboidrato nas plantas, eles repetiram o experimento mantendo o nível alto de açúcares nos pés de soja, mas baixando o nível de CO2 a que eles eram submetidos. Os prejuízos causados por insetos não foram tão grandes como no primeiro caso.

“O que descobrimos é que as folhas submetidas a altos níveis de CO2 perdem sua capacidade de produzir ácido jasmônico (uma substância que dificulta a digestão das folhas soja pelos insetos)”, disse um dos cientistas, Evan DeLucia.

“As folhas já não estão protegidas adequadamente, e todo o sistema de defesa é posto abaixo.”

CO2 - A pesquisa é divulgada no momento em que líderes mundiais se unem à comunidade científica para discutir como conter a concentração atmosférica de CO2 para frear o aquecimento global.

Algumas previsões consideradas pelos cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), da ONU, estimam que a concentração pode saltar de cerca de 380 partes por milhão (ppm) atualmente para 550 ppm até 2050.

Para se ter uma idéia, a concentração era de 280 ppm nos 600 mil anos anteriores à Revolução Industrial, no século 18.

Ecologistas acusam produtores de soja no Brasil e nos Estados Unidos de piorar o cenário, destruindo mata nativa e gerando gases que causam o efeito estufa.

Os cientistas americanos vão agora analisar se o aumento da vulnerabilidade a insetos pode ser verificado em outras plantas expostas a altos níveis de CO2.

(Estadão Online)





Protesto do Greenpeace contra o desmatamento da Amazônia

20 03 2008

Nesta quarta-feira, 19, ativistas do Greenpeace realizaram em Brasília um protesto contra a exportação de madeira ilegal à União Européia. O protesto foi realizado durante um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso.

O Greenpeace divulgou recentemente que 15 países da Europa são responsáveis pela importação de 48% das 1,6 milhões de toneladas de madeira amazônica. Sendo os principais responsáveis: Holanda (14%), França (13%), Espanha (6%), Portugal (6%) e Bélgica (4%).

Em nota ao Jornal Folha de São Paulo, Marcio Astrini, da campanha de Amazônia do Greenpeace Brasil, afirmou que a intenção do protesto é a de alertar os governantes da união européia de que a compra de madeira brasileira pode representar o financiamento da destruição da Amazônia.

Para ler a reportagem na íntegra, publicada pela Folha online, acesse aqui





Serra do Mar e projeto de revitalização

11 03 2008

ok.jpgO projeto de revitalização da Serra do Mar, que deve remover 15.000 pessoas que vivem nas encostas, deve transcorrer mais uma etapa em breve. Após a intensificação das ações fiscalizatórias - limitando até mesmo reformas- a construção de conjuntos habitacionais na região promete diminuir consideravelmente os impactos e brecar os irreveresíveis danos causados pelas ocupações clandestinas.





Regra garante embargo em áreas desmatadas e co-responsabiliza cadeia produtiva

10 03 2008

Gisele Teixeira
Instrução Normativa do Ministério do Meio Ambiente, a ser publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (5), irá garantir o embargo de áreas onde ocorreram desmatamentos ilegais, em especial nos 36 municípios que mais degradam a floresta amazônica. O texto regulamenta os procedimentos que serão tomados pelo Ibama e Instituto Chico Mendes (no caso de Unidades de Conservação) e também a fiscalização em empreendimentos agropecuários, para que estes não comprem produtos das áreas embargadas.

“A grande novidade é a co-responsabilização da cadeia produtiva e a inviabilização econômica das áreas desmatadas”, destacou o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, em entrevista coletiva concedida nesta terça-feira (4) no MMA. Segundo ele, até então os embargos eram muitas vezes desrespeitados. A idéia é romper esse ciclo e inviablizar totalmente o uso econômico das áreas onde houve desmatamento ilegal. “O objetivo é mostrar que o crime ambiental na Amazônia não compensa mais”, acrescentou.

A instrução normativa faz parte de uma série de ações, como recadastramento dos produtores e inclusão de critérios ambientais na concessão de crédito, que estão sendo implementadas para reduzir tendência de aumento do desmatamento na Amazônia, detectada no segundo semestre de 2007.

De acordo com a instrução, nas áreas em que forem constatados problemas ambientais, a atividade econômica e o uso do local serão embargados pelo Ibama. Isto é, a área não poderá ser utilizada até sua recuperação. As áreas desmatadas ou degradadas serão georreferenciadas e as imagens disponibilizadas na internet para conhecimento público a partir da segunda quinzena de março. “Isso colocará a fiscalização em um novo patamar, com redução da impunidade na Amazônia e bloqueio da chegada de produtos oriundos de áreas desmatadas ao mercado”, destacou Capobianco.

Serão feitas listas e mapas por municípios, inclusive com a malha viária e hidrográfica, que conterão informações como coordenadas, termo de autuação, nome do proprietário, data da vistoria e situação da propriedade, entre outras.

As imagens e as listas deverão ser consultadas pelos empreendimentos agropecuários e florestais. O objetivo é que eles saibam com antecedência quais os produtores que não respeitam a legislação ambiental e, assim, selecionem seus fornecedores.

O Ibama verificará as áreas embargadas por meio de imagens de satélite ou radar, sobrevôos com as aeronaves do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) e ainda por vistorias em campo. Um primeiro sobrevôo será realizado em março e as imagens servirão de base comparativa daqui para frente nos 36 municípios selecionados, o equivalente a 800 mil quilômetros quadrados.

O descumprimento do embargo, pelos produtores, poderá acarretar em cancelamento do cadastro, registro ou licença de funcionamento da atividade junto aos órgãos ambientais, fiscais e sanitários; em representação no Ministério Público por crime ambiental e em aplicação de multa.

O Ibama também fiscalizará as empresas do setor e, para tanto, poderá exigir dos empreendimentos informações como qualificação de todos os fornecedores, pessoas físicas ou jurídicas, com o código dos produtores no sistema de controle agropecuário estadual. Também poderá solicitar dados sobre os imóveis dos fornecedores; sobre o total de produtos agrícolas ou da flora fornecidos ou, no caso de pecuária, de animais adquiridos. Os empresários terão 60 dias para oferecer as informações solicitadas. Se houver confirmação de compra de matéria-prima de área embargada, as empresas sofrerão penalidades, como restrição de crédito em bancos oficiais e multas.

O Ibama também poderá realizar vistoria ambiental nos empreendimentos, e poderá pedir apoio à Receita Federal e ao órgão de defesa agropecuária competente para prestar apoio no cruzamento de dados fiscais e de controle agropecuário disponíveis.

A sonegação da informação, ou o fornecimento de informação falsa ou enganosa que possa dificultar ou impedir a atividade de fiscalização ambiental, resultará em representação ao Ministério Público para apuração de responsabilidade penal.

O embargo pode ser retirado mediante as seguintes situações: verificação de nulidade do embargo; aprovação de plano de recuperação de área degrada pelo órgão ambiental competente, averbação da reserva legal e apresentação de certidão de regularização ambiental emitida pelo órgão ambiental competente.