A Amazônia no redemunho

5 07 2008

Washington Novaes

O Estado de S.Paulo, 4 de julho de 2008

Num planeta assustado com mudanças climáticas, é inevitável que a Amazônia não escape do noticiário de cada dia, tal a sua importância tanto para as condições no mundo como para o clima no País. É inquietante, assim, ouvir do novo ministro do Meio Ambiente que o desmatamento nesse bioma ficará entre 14 mil e 15 mil km2 em um ano (crescimento de mais de 20% sobre a taxa anterior). Ou que poderá chegar a 20 mil km2, segundo estudo do Imazon. Um terceiro levantamento, da Amigos da Terra, diz que em 2007 os bovinos abatidos na Amazônia Legal ultrapassaram 10 milhões de cabeças, quase metade do total nacional abatido e 46% mais que em 2004. De lá para cá, o crescimento do rebanho na região responde pela quase totalidade do que ocorreu no País - e por isso não levará tempo para ser questionado, já que cada bovino emite (Embrapa Meio Ambiente) 58 quilos de metano por ano, ou cerca de 12 milhões de toneladas anuais em todo o rebanho (equivalentes a cerca de 250 milhões de toneladas anuais de carbono). Leia o resto deste post »





Entrevista: Aziz Ab’Saber

19 06 2008

Confira a entrevista de geógrafo para a Revista Carta Capital. Ele falou sobre falta de planejamento na Amazônia, de sua aflição com os conflitos na Reserva Raposa-Serra do SOl, disse não ser o agronegócio o grande vilão da Amazônia, mas concordou com relãção a Maggi.
A, ainda, quando perguntado sobre a saída de Marina Silva respondeu: “Não, não lamentei.”





Desmatamento na Amazônia cresce 775% em um mês

5 06 2008

http://www.mst.org.br/, 03/06/2008

O Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) divulgou, nesta segunda, 02/06, dados sobre o desmatamento na Amazônia Legal, referentes à abril deste ano. De acordo com o sistema Deter (Detecção do Desmatamento em Tempo real), houve um aumento de 774,48% no desmatamento na região.

Em março de 2008, foram 145 km² de novas áreas desmatadas, já em abril, este número passou para 1.123 km², área equivalente à cidade do Rio de Janeiro. 70% por cento da degradação (794 km²) estão no estado de Mato Grosso. Em março, o sistema havia registrado 112 km² no estado. Roraima e Rondônia são, respectivamente, os outros dois estados que dividem o podium com Mato Grosso.Os números confirmam a tendência de aumento da devastação registrada desde o fim de 2007, após três anos consecutivos de queda. Os cálculos foram feitos com base em imagens de satélite do Deter, que identifica áreas desmatadas ou com floresta em estágio avançado de degradação acima de 25 hectares. O Inpe não tem como determinar em que mês uma área foi desmatada, apenas o momento em que o corte foi detectado.

Cerca de 17% da Amazônia já foi desmatada nos últimos 20 anos - 4 milhões de km2, área equivalente aos territórios de Minas Gerais, Rio e Espírito Santo. Em média, isso equivale a um campo de futebol destruído a cada 10 segundos.

O recém empossado ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, aponta que o desmatamento é resultado do aumento do preço da carne e da soja. Ele aponta que os produtores do agronegócio, estimulados com o bom preço, têm invadido áreas Amazônicas para plantio e pastoreio.




Que pode mudar no meio ambiente?

26 05 2008

Washington Novaes

É quase impossível acreditar que não figurasse nas possibilidades antevistas pelo presidente da República - ao nomear outro ministro para coordenar o Plano Amazônia Sustentável, sem o conhecimento e a concordância da ex-ministra Marina Silva - a possibilidade de esta se demitir do Meio Ambiente. Por que terá ele escolhido esse caminho? Com o propósito de forçar sua saída? É possível que assim tenha sido. Para evitar, por exemplo, atritos com vários governadores (Mato Grosso, Rondônia, Pará) e com a quase totalidade da corporação político-econômica da Amazônia, com ela em confronto, em ano eleitoral. Há quem acredite que entre as razões se incluiria o início do processo de licenciamento da hidrelétrica de Belo Monte, no Baixo Xingu, mais problemática que as do Rio Madeira (basta ver o primeiro conflito com índios que protestavam esta semana contra a usina, entre eles a índia Tuíra, que, no final da década de 80, quando se discutia o mesmo projeto, encostou um facão no pescoço de um diretor da Eletronorte). Há também quem suponha que se tratou de prevenir um confronto com áreas militares no caso da demarcação contínua da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em que já se antevê possibilidade de algum recuo do governo federal. Há quem veja a oposição da ministra à usina de Angra 3 e a outras nucleares que o governo decidiu implantar. Leia o resto deste post »





A ofensiva contra o ambientalismo e as opções do Brasil

23 05 2008

As questões ambientais normalmente não são tratadas como temas centrais na disputa política, mas isso está mudando rapidamente, na medida em que a crise ambiental se agrava em todo o mundo, o petróleo e os alimentos encarecem e o apetite do agronegócio sobre a Amazônia aumenta.

Na semana que se seguiu à saída de Marina Silva do Ministério do Meio-Ambiente, o debate sobre a ecologia e as opções arcaicas do governo Lula e das elites brasileiras continuou no centro das atenções – em meio a uma ofensiva conservadora contra o ambientalismo. Em sua análise da conjuntura da semana de 14 a 20 de maio, o Instituto Humanitas da Universidade do Vale dos Sinos (RS) (ver sítio do IHU) mostrou como a disputa em torno da sustentabilidade se coloca como o debate central para o destino do Brasil. É um artigo longo, mas essencial, integrando muitos aspectos da discussão. Leia o resto deste post »





Ibama publica relatório sobre o transporte de madeira, carvão e lenha

9 04 2008

A partir de agora, no site do Ibama, qualquer cidadão pode ter acesso ao que acontece com a madeira. O balanço do consumo de madeira para o ano de 2007 de origem nativa em todo o País foi finalizado e as informações estão disponíveis no site do Ibama. Com a implantação do Documento de Origem Florestal - DOF, o Ibama passou a conhecer todo o fluxo de madeira, carvão e lenha de origem nativa em todo o País. Além dos dados de madeira serrada, o Ibama está divulgando os dados de madeira em tora (1.297.196,00 metros cúbicos), lenha (1.122.383,00 estéreos) e carvão vegetal (9.953.433,00 MDC) transportados com o DOF.
Fonte: Ibama Hoje.
Postado por João Paulo Amaral
É possível verificar, por exemplo, que o Estado de São Paulo recebeu cerca de 1,5 milhão de metros cúbicos de madeira serrada do universo de 7,6 milhões transportados em 2007. Somente a capital recebeu quase 230 mil metros cúbicos, sem considerar os Municípios da Grande São Paulo. São análises que podem ser feitas por Município. Com os mesmos dados o Ibama realiza análises por comprador e vendedor da madeira. “É o Raio X do setor florestal”, comenta Antônio Carlos Hummel, diretor de Uso Sustentável da Biodiversidade e Florestas do Ibama.




“Evite que seu bife derrube a Amazônia”, ensina o Idec

8 04 2008

…pode-se imprimir um “cartão postal” a ser enviado pelo correio, deixado com o gerente ou na caixa de sugestões do supermercado que a pessoa freqüenta, pedindo que o estabelecimento cobre de seus fornecedores de carne bovina a utilização de um sistema de rastreamento do produto comercializado, de modo a garantir ao consumidor que ele não esteja contribuindo para o desmatamento na Amazônia Legal.

www.ambientebrasil.com.br

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O efeito devastador dos bicombustíveis no Brasil, segundo a TIME.

31 03 2008

 bomba gasolina

A mais recente edição da revista Time afirma, numa reportagem que ilustra a sua capa, que o Brasil oferece um exemplo “vívido da dinâmica destrutiva dos biocombustíveis”.  A reportagem, intitulada “O Mito da Energia Limpa”, afirma que políticos e grandes empresas estimulam bicombustíveis como alternativas ao petróleo, mas isso está a provocar uma alta dos preços de alimentos, intensificando o aquecimento global e fazendo o contribuinte pagar a conta.

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Quem chega atrasado bebe água suja

27 03 2008

Trechos do texto de Eduardo Diniz Junqueira (fazendeiro e escritor)
O Estado de São Paulo - 26 de Março de 2008

Ditado caboclo, um tanto simplório, mas que bem se aplica ao nosso desenvolvimento tardio, é o que vai no título. Pois, com a história crítica, parece que nada resta de heróico ou de grandioso no nosso passado. Nem mesmo a grandeza territorial mantida por quatro séculos, que tanto admirava o historiador inglês Robert Southey, como obra tão grande e de tão pouca gente. E aqui cabe lembrar que a diferença entre nós e os Estados Unidos, país de clima temperado, é que somos um país tropical e nada da Europa se adaptava ao Brasil facilmente. Nem o europeu.

O avanço da pecuária para o oeste só se deu após a chegada do zebu, em 1900. Gado afeito ao calor e às epizootias tropicais, como a do carrapato, que obrigava os antigos a besuntar os bois de carro com azeite de mamona e a penteá-los, para limpar os carrapatos. O zebu abriu as invernadas do Brasil Central. Em 1950, no município de Morro Agudo (SP), por iniciativa de Sebastião de Almeida Prado, teve início o desmatamento mecânico do cerrado no Brasil, executado pelo Escritório de Técnica Agrícola (ETA), de Fernando Penteado Cardoso, João Lanari Duval e outros quatro agrônomos recém-formados na Esalq. Com a mecanização se expandiu o uso do calcário, o plantio do arroz de sequeiro, da soja e das braquiárias pelo Brasil Central. O calcário, a soja, as brachiárias e o buldôzer levaram a prosperidade às terras de campo e cerrado.

Porém chegamos tarde aos paralelos amazônicos e hoje somos criticados por isso. Segundo o ecologista Evaristo Eduardo Miranda, autor do livro Quando o Amazonas Corria para o Pacífico, na época do Descobrimento o Brasil detinha 10% das florestas do mundo e hoje detém cerca de 28% delas porque os outros países derrubaram as suas florestas há muito tempo e nós, não. Como participante do desbravamento dos sertões, ao longo de 60 anos, não defendo o desmatamento desordenado, mas guardo em mim o sentimento de esperança e de futuro que a abertura de novas áreas para a atividade econômica despertava nas pessoas. Os desbravadores do Oeste Paulista, do Norte do Paraná, de Mato Grosso, de Goiás, deste mundão de Brasil, em que as fazendas e as cidades pipocavam, provocavam a alegria e o entusiasmo de um País novo que se fazia. Sentimento sintetizado por Monteiro Lobato no Drama da Geada, publicado pelo Estado em 1918, quando evocou “o prazer paulista de tirar uma fazenda do nada”. Sem o desmatamento essas regiões não existiriam, nem o Brasil existiria com a grandeza que tem. Continuaria “um pequeno país com a responsabilidade de um grande território”, como disse Joaquim Nabuco.

Postado por João Paulo Amaral 





Aumento de CO2 deixa a soja mais vulnerável

26 03 2008

 

Colheitas de soja ficam mais vulneráveis ao ataque de insetos quanto mais alta for a concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, revela um estudo feito pela Universidade americana de Illinois.

Pés de soja submetidos a altos níveis de CO2 não apenas produzem mais carboidratos - que atraem mais insetos - como perdem a capacidade de sintetizar uma substância química que atua como um mecanismo de defesa natural contra os predadores, segundo os cientistas.

O experimento, publicado na edição online da revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, utilizou instalações que permitem expor as plantas de soja a diferentes níveis de CO2 e ozônio sem isolar a plantação de outras influências, como chuva, luz solar e insetos.

Os cientistas sabiam que altos níveis de CO2 aceleram a fotossíntese e elevam a proporção de carboidratos em relação ao nitrogênio nos pés de soja. Por isso, eles já esperavam comprovar que os insetos devorariam mais plantas submetidas a CO2 para conseguir alcançar o nível de nitrogênio de que eles precisam.

No experimento prático, entretanto, os resultados não apenas demonstraram a validade desta hipótese, como exibiram um efeito diferente: os insetos atraídos para as plantas submetidas a altos níveis de CO2 viviam mais e se reproduziam com mais facilidade.

Para comprovar que este efeito não se deveu simplesmente ao aumento do carboidrato nas plantas, eles repetiram o experimento mantendo o nível alto de açúcares nos pés de soja, mas baixando o nível de CO2 a que eles eram submetidos. Os prejuízos causados por insetos não foram tão grandes como no primeiro caso.

“O que descobrimos é que as folhas submetidas a altos níveis de CO2 perdem sua capacidade de produzir ácido jasmônico (uma substância que dificulta a digestão das folhas soja pelos insetos)”, disse um dos cientistas, Evan DeLucia.

“As folhas já não estão protegidas adequadamente, e todo o sistema de defesa é posto abaixo.”

CO2 - A pesquisa é divulgada no momento em que líderes mundiais se unem à comunidade científica para discutir como conter a concentração atmosférica de CO2 para frear o aquecimento global.

Algumas previsões consideradas pelos cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), da ONU, estimam que a concentração pode saltar de cerca de 380 partes por milhão (ppm) atualmente para 550 ppm até 2050.

Para se ter uma idéia, a concentração era de 280 ppm nos 600 mil anos anteriores à Revolução Industrial, no século 18.

Ecologistas acusam produtores de soja no Brasil e nos Estados Unidos de piorar o cenário, destruindo mata nativa e gerando gases que causam o efeito estufa.

Os cientistas americanos vão agora analisar se o aumento da vulnerabilidade a insetos pode ser verificado em outras plantas expostas a altos níveis de CO2.

(Estadão Online)