A Amazônia no redemunho

5 07 2008

Washington Novaes

O Estado de S.Paulo, 4 de julho de 2008

Num planeta assustado com mudanças climáticas, é inevitável que a Amazônia não escape do noticiário de cada dia, tal a sua importância tanto para as condições no mundo como para o clima no País. É inquietante, assim, ouvir do novo ministro do Meio Ambiente que o desmatamento nesse bioma ficará entre 14 mil e 15 mil km2 em um ano (crescimento de mais de 20% sobre a taxa anterior). Ou que poderá chegar a 20 mil km2, segundo estudo do Imazon. Um terceiro levantamento, da Amigos da Terra, diz que em 2007 os bovinos abatidos na Amazônia Legal ultrapassaram 10 milhões de cabeças, quase metade do total nacional abatido e 46% mais que em 2004. De lá para cá, o crescimento do rebanho na região responde pela quase totalidade do que ocorreu no País - e por isso não levará tempo para ser questionado, já que cada bovino emite (Embrapa Meio Ambiente) 58 quilos de metano por ano, ou cerca de 12 milhões de toneladas anuais em todo o rebanho (equivalentes a cerca de 250 milhões de toneladas anuais de carbono). Leia o resto deste post »





As notícias que vêm nas ondas agitadas

28 06 2008

Washington Novaes, O Estado de S.Paulo, 27 de junho de 2008

Mesmo quem esteja habituado à sucessão de notícias inquietantes na mal chamada área do meio ambiente não pode deixar de se espantar com algumas das mais recentes. Como uma da semana passada, sobre estudo feito na Austrália, com a participação da oceanógrafa brasileira Cátia Domingues, e que trabalha com a hipótese de que os oceanos estão aquecendo 50% mais do que se admitia - por causa do aumento da temperatura global, que intensifica mudanças climáticas. E esse fator, aliado ao derretimento de geleiras, pode vir a afetar ainda mais o nível de elevação das águas dos oceanos. Tanto mais preocupante quando se lembra que o último inventário global de emissões de gases que intensificam o efeito estufa acusou aumento de 3,1% em 2007. E uma das razões centrais está na China, já a maior emissora do mundo (24% do total, ante 21% dos Estados Unidos), onde o aumento no ano foi de 8%, com a previsão de que será ainda maior em 2008 por causa da maior fabricação de cimento necessário para a reconstrução de regiões atingidas por “desastres naturais”.

As notícias sobre dramas no mar estão em toda parte, inclusive no Brasil. Estudo das Universidades Federais da Bahia e do Rio de Janeiro, no Parque de Abrolhos, mostra que a principal espécie de coral ali pode perder 60% em meio século e desaparecer em um século. Seis tipos de doenças estão atingindo os corais, decisivos para a maior biodiversidade marinha do Atlântico Sul. Nos Estados Unidos, diz a Universidade da Virgínia que a costa do Texas e da Louisiana se está transformando em “zona morta”, principalmente por causa do nitrogênio das lavouras que ali chega levado pelas águas e pelos ventos, aliado a esgotos humanos e óxido de nitrogênio despejado pelas chuvas ácidas. Há não muito tempo, estudo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente concluiu que estão chegando ao mar, a cada ano, por aqueles caminhos, 100 milhões de toneladas anuais de nitrogênio, que favorecem a disseminação de algas e a perda da biodiversidade. Leia o resto deste post »





Velocidade de carros em SP cai 32% em 10 anos

28 06 2008

Bruno Tavares, O Estado de S.Paulo, 27 de junho de 2008

A velocidade média dos veículos em São Paulo no horário de pico da tarde despencou 32% nos últimos dez anos, passando de 25 km/h, em 1998, para 17 km/h, em maio de 2008. O porcentual é maior do que o crescimento da frota paulistana no mesmo período, que subiu de 4,7 milhões para 6,1 milhões - acréscimo de 23%. No pico da manhã, a velocidade média hoje é de 30 km/h. Uma das hipóteses para essa piora nos congestionamentos está no alto número de interferências no trânsito atendidas pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

Uma comparação entre as velocidades médias desenvolvidas por um carro e pelo recordista da Corrida de São Silvestre mostra o quanto a situação é crítica. Em 1995, o queniano Paul Tergat cumpriu os 15 quilômetros da prova em 43 minutos e 12 segundos (velocidade média de 20,8 km/h). Para fazer o mesmo percurso à tarde, um automóvel levaria 53 minutos. Leia o resto deste post »





Resposta da Unilever ao problema do óleo da palma

26 06 2008

No dia 5 de maio de 2008, publicamos a controvérsia entre DOVE (Unilever) e Greenpeace, a respeito do desmatamento da palma, para extração do óleo de palma, na Indonésia. Na época, publicamos também o e-mail que enviamos para a Unilever pedindo maiores explicações. Séculos depois (mais especificamente, 52 dias depois) a Unilever Brasil respondeu à minha mensagem. Isso depois do próprio Greenpeace ter anunciado em seu sítio que a Unilever anunciara moratória na extração do óleo de palma. Segue o e-mail da Unilverver abaixo:

“Boa tarde Manuel,

Por favor, visite o nosso site corporativo: http://www.unilever.com/ourcompany/newsandmedia/latestnews/sustainable-palm-oil.asp e entenda a nossa relação com a questão levantada pelo Greenpeace sobre o uso de Oleo de Palma.
Lá você encontrará outros links sobre o assunto que poderão sanar suas dúvidas.
Qualquer questão por favor entre em contato novamente.

Att,

Diogo Ganzella
Responsabilidade Social - Unilever Brasil”

Quem acessar o link, notará que a Unilever afirma textualmente: “O problema é simplesmente que a demanda por óleo de palma explodiu, em parte por causa do crescimento da demanda de índia e China, mas também por causa do uso do óleo da palma como matéria-prima para biocombusítvel”.

Ou seja, reconhece a Unilever que tudo que estamos falando há algum tempo é correto: O modelo de expansão dos padrões de consumo dos países centrais para a periferia gera insustentabilidade, bem como a substituição do petróleo pelos biocombustíveis gera insustentabilidade. Não é hora de repensarmos, nós, cidadãos, esse modelo de civilização? Será que a Unilever é capaz de repensar o modelo, quando a demanda pelo produto deles “simplesmente explodiu”? Eles vão abrir mão voluntariamente de uma oportunidade tão boa de obter lucros?





Número de refugiados ambientais pode atingir os 50 milhões em 2010

22 06 2008

Um relatório do Alto Comissário da ONU para os Refugiados, lançado ontem no Dia Internacional dos Refugiados, refere que os conflitos, as alterações climáticas e o aumento do preço dos alimentos são alguns dos factores que lideram o aumento das deslocações globais para 11,4 milhões de pessoas, contra as 9,9 milhões do ano passado.  

A Federação Internacional da Cruz Vermelha diz que os desastres climáticos são actualmente uma causa maior para a  deslocação de pessoas, mais do que a guerra e as perseguições.

O impacto global do ambiente nas condições de vida das pessoas está a criar um novo tipo de refugiado - o refugiado ambiental. O aumento do nível do mar, da desertificação, das inundações e desastres naturais mais frequentes vão tornar-se cada vez uma causa maior da deslocação de pessoas em várias partes do mundo. 

De acordo com um relatório publicado pela Universidade da ONU, há agora oficialmente 19,2 milhões de pessoas reconhecidas como “pessoas de preocupação”, ou seja, pessoas que provavelmente vão ser deslocadas devido a desastres ambientais. Esta figura estima-se que cresça para os 50 milhões no final do ano de 2010.

Ecoblogue, 21 de junho de 2008





Poluição mata mais do que trânsito e homicídios em São Paulo

20 06 2008

Por Mari Almeida, do blog Outra política

A poluição mata muita gente em São Paulo, mais de duas mil pessoas por ano, e está crescendo rapidamente desde 2005. São em média oito mortes por dia, contra quatro em acidentes de trânsito e 6,5 por homicídio. O motivo é o aumento explosivo da frota de veículos em circulação na cidade, mais de seis milhões (e 8,5 milhões na região metropolitana). No mês de março de 2008, foram emplacados no Detran da capital 48.571 veículos, uma média de 1.566 por dia. Serão mais de meio milhão a mais no final do ano!

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O mar aqueceu 50% a mais que o previsto

20 06 2008

Os oceanos do planeta estão aquecendo-se mais 50% do que se previa até agora, e isso pode fazer com que as previsões sobre o aumento do nível do mar no fim deste século fiquem mais próximas do pior cenário. A estimativa é de um estudo australiano, publicado na revista científica Nature, segundo o qual os cientistas estavam subestimando a chamada expansão térmica, ou seja, o aumento do volume do mar em razão do aquecimento da água.

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E você, jovem, fora ficar pelado, está fazendo algo a respeito?

17 06 2008

Uma pesquisa realizada pela Fecomércio-RJ com jovens entre 16 e 24 anos mostra que 72% dos jovens entrevistados disseram que o cidadão tem responsabilidade pela degradação ambiental e 71% acredita que o cenário atual de desequilíbrio ambiental pode ser revertido.
Agora vem a parte interessante: 48% diz não realizar nenhuma ação para reverter essa situação. E vale destacar que a pesquisa mencionava ações do tipo fechar a torneira ao escovar os dentes ou apagar as luzes, ou seja, atos simples que não exigem muito esforço.
Curiosamente, uma parcela, embora pequena, disse realizar ações que exigem um pouco mais de força de vontade, como separar o lixo, consumir produtos menos prejudiciais e buscar caronas.

Reportagem Folha de São Paulo sobre a pesquisa





Empresas irão responder por seus fornecedores

12 06 2008

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, anunciou, durante palestra para os integrantes do Conselho Superior de Meio Ambiente da FIESP, que, a partir da semana que vem (15/06) as empresas terão de informar quais sãos seus fornecedores. Com isso será possível indicar os crimes ambientais cometidos na cadeia de valor das empresas e penalizá-las quando necessário. Como o próprio ministro mencionou, essas leis não são novas, estão apenas sendo devidamente executadas.

Segue um trecho da Lei no. 9.605 de 12 de fevereiro de 1998 que diz respeito a essa co-responsabilidade:

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Redução do carbono em 50% custaria 45 trilhões de dólares, diz AIE

7 06 2008

Começa a ficar claro a dimensão da mudança social, econômica e, portanto, política necessária para enfrentar o aquecimento global. O custo era até agora colocado de forma genérica – no máximo o custo das conseqüências de não mudar como percentagem do PIB mundial (como fez o relatório Stern, em 2006).

Mas agora os custos começam a aparecer na discussão, com a proximidade do pós-Kyoto exigindo definições dos governos. A redução em 50% das emissões de gases do efeito estufa até 2050, como vai propor o Japão na cúpula de Julho do G8, aumentaria a conta de energia do planeta em 45 trilhões de dólares, disse na terça-feira (3 de junho) a Agência Internacional de Energia (AIE). Lembremos que está é, do ponto de vista ambiental, uma proposta conservadora: só para estancar o aquecimento global é necessário cortar as emissões destes gases em pelo menos 80%.

“É muito dinheiro”, disse Peter Taylor, analista da agência, durante um evento sobre o clima na Alemanha. Ele antecipava dados do relatório intitulado Perspectivas da Tecnologia Energética, a ser divulgado na sexta-feira no Japão. Uma proposta agressiva de redução das emissões de carbono, segundo ele, “implica um sistema energético completamente diferente”. Por exemplo, a energia de fontes renováveis, como a hidroelétrica e eólica, deveria atingir quase metade da produção energética total, bem acima dos 18% atuais, disse Taylor à Reuters.

Cientistas dizem que é preciso reduzir as emissões de carbono para evitar uma catástrofe climática. Ao invés disso, as emissões estão aumentando.

Esta é uma versão desenvolvida de uma matéria publicada pelo Ecoblogue.

Leia mais sobre o assunto em:

Reuters (Reportagem com Peter Taylor)

Ecoblogue

Relatório “Perspectivas da Tecnologia Energética”

Kyoto Protocol

G8 (Link Alternativo)