A Amazônia no redemunho

5 07 2008

Washington Novaes

O Estado de S.Paulo, 4 de julho de 2008

Num planeta assustado com mudanças climáticas, é inevitável que a Amazônia não escape do noticiário de cada dia, tal a sua importância tanto para as condições no mundo como para o clima no País. É inquietante, assim, ouvir do novo ministro do Meio Ambiente que o desmatamento nesse bioma ficará entre 14 mil e 15 mil km2 em um ano (crescimento de mais de 20% sobre a taxa anterior). Ou que poderá chegar a 20 mil km2, segundo estudo do Imazon. Um terceiro levantamento, da Amigos da Terra, diz que em 2007 os bovinos abatidos na Amazônia Legal ultrapassaram 10 milhões de cabeças, quase metade do total nacional abatido e 46% mais que em 2004. De lá para cá, o crescimento do rebanho na região responde pela quase totalidade do que ocorreu no País - e por isso não levará tempo para ser questionado, já que cada bovino emite (Embrapa Meio Ambiente) 58 quilos de metano por ano, ou cerca de 12 milhões de toneladas anuais em todo o rebanho (equivalentes a cerca de 250 milhões de toneladas anuais de carbono). Leia o resto deste post »





Trem de Taiwan - O trem que não para na estação

2 07 2008

Segue abaixo o vídeo do projeto de trem de Taiwan.





Sucesso da jornada do Encontro Social Alternativo ao Petróleo

30 06 2008

Ecoblogue, 30 de junho de 2008

Mais de 500 pessoas participaram, em Madri, na Espanha, da jornada do Encontro Social Alternativo ao Petróleo de domingo (29 Jun), a qual consistiu em debates sobre a relação entre o petróleo e as guerras, os impactos das petrolíferas nos países pobres, o pico do petróleo, modelos de agricultura e mobilidade não dependentes de combustíveis fósseis, e muitos outros. Agora terão lugar acções de denúncia ao XIX Congresso Mundial do Petróleo, que foi brindado já com uma manifestação no sábado em Madrid que juntou mais de 1.000 pessoas sob o lema “Não mais sangue por petróleo”.  Leia o resto deste post »





Política Urbana: Moradia ou Parque

30 06 2008

Ecologia Urbana é política. Política Urbana exige discussões, e por isso vem uma questão importante a ser decidida na maior cidade do país. São Vito e Mercúrio, dois edíficios abandonados que fazem parte da área do Parque Dom PedroII, região pouco habitada e realmente “erma” da cidade. A discussão é acerca da possibilidade - e justiça social - da demolição dos prédios para a revitalização da área com a criação de uma praça de 5.389,10 metros quadrados, que interligaria o Palácio das Indústrias ao Mercadão.
A Defensoria Pública defende moradores que contestam a desapropriação e demolição. Segundo o defensor público Carlos Loureiro “o principio da política urbana prevista no Plano DIretor da cidade é o incentivo à construção de moradias populares no centro. Com as demolições a Prefeitura expulsa famílias pobres de uma área que teria de ser reocupada.”
A demolição do São Vito demoraria sete meses, pois precisa ser feita à mão para não abalar a estrutura do Mercadão. Seriam 75 mil toneladas de resíduos.

E, aí? Até que ponto devemos comparar interesses sociais e ambientais. Um centro mais “limpo” exige pessoas mais marginalizadas? QUal seria o seu voto?





“…entre um cerradinho e a soja, ele é soja.”

29 06 2008

A frase se refere ao Presidente Lula, segundo seu seu chefe de Gabinete, em entrevista à revista VEJA da última semana. Gilberto Carvalho afirmou que o governo Lula vê na economia seu maior mérito. ”Assim, se o banqueiro tiver lucro, tudo bem.” Ainda de acordo com o assessor, mesmo em relação à reforma agrária, não há tanto empenho quanto por salário e emprego. 
“Ambiente é questão importante, mas não decisiva. Deciviso é a economia.” 
Sem dúvida é o típico discurso retrógrado e ultrapassado de quem não conseguiu, ainda - ou nunca vai conseguir -, enxergar que ambiente, social e economia devem ser vistos de forma unissona, e não concorrente. 
É apenas MAIS uma demonstração de que ainda não ficou clara a importancia da questão ambiental, enquanto fica transparente a (péssima) preparação dos representantes e seu esquadrão de assessores. Que pena.
Agora fica mais simples e imaginar a que a ministra Marina deve ter se submetido, e o que o impon(t)ente Minc deve passar nos próximos meses. Desalentador.
Ainda sobre o Presidente, o assessor, quando perguntado sobre “rolos”da “forte mão da Ministra DIlma”, comentou: “Caso da guerra da Dilma com a Marina Silva para que houvesse o leilão das hidrelétricas do Rio Madeira. Sem elas, o país ficaria sem energia em 2013.“”
Não sei que tipo de leitura agrada a esse cidadão, mas deveria variar. Parece nunca ter ouvido qualquer menção a fontes alternativas de energia. Se ouviu, deve ter se mantido da mesma maneira como fazem com a transposição do São Francisco: defendendo a idéia de que é mais uma obra para o bem dos pobres e menos favorecidos, quando o que se pretende é facilitar o acesso à energia para as grandes indústrias.
Seja como for, espero que o Minc use o cargo para amenizar as idéias imbecis do cacique e seus índios e não somente para exibir coletes que mais parecem de um rei arruinado.
A entrevista completa deve estar no site da VEJA. Se não estiver, fiquem tranquilos: NAO PERDERÃO NADA.





As notícias que vêm nas ondas agitadas

28 06 2008

Washington Novaes, O Estado de S.Paulo, 27 de junho de 2008

Mesmo quem esteja habituado à sucessão de notícias inquietantes na mal chamada área do meio ambiente não pode deixar de se espantar com algumas das mais recentes. Como uma da semana passada, sobre estudo feito na Austrália, com a participação da oceanógrafa brasileira Cátia Domingues, e que trabalha com a hipótese de que os oceanos estão aquecendo 50% mais do que se admitia - por causa do aumento da temperatura global, que intensifica mudanças climáticas. E esse fator, aliado ao derretimento de geleiras, pode vir a afetar ainda mais o nível de elevação das águas dos oceanos. Tanto mais preocupante quando se lembra que o último inventário global de emissões de gases que intensificam o efeito estufa acusou aumento de 3,1% em 2007. E uma das razões centrais está na China, já a maior emissora do mundo (24% do total, ante 21% dos Estados Unidos), onde o aumento no ano foi de 8%, com a previsão de que será ainda maior em 2008 por causa da maior fabricação de cimento necessário para a reconstrução de regiões atingidas por “desastres naturais”.

As notícias sobre dramas no mar estão em toda parte, inclusive no Brasil. Estudo das Universidades Federais da Bahia e do Rio de Janeiro, no Parque de Abrolhos, mostra que a principal espécie de coral ali pode perder 60% em meio século e desaparecer em um século. Seis tipos de doenças estão atingindo os corais, decisivos para a maior biodiversidade marinha do Atlântico Sul. Nos Estados Unidos, diz a Universidade da Virgínia que a costa do Texas e da Louisiana se está transformando em “zona morta”, principalmente por causa do nitrogênio das lavouras que ali chega levado pelas águas e pelos ventos, aliado a esgotos humanos e óxido de nitrogênio despejado pelas chuvas ácidas. Há não muito tempo, estudo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente concluiu que estão chegando ao mar, a cada ano, por aqueles caminhos, 100 milhões de toneladas anuais de nitrogênio, que favorecem a disseminação de algas e a perda da biodiversidade. Leia o resto deste post »





Velocidade de carros em SP cai 32% em 10 anos

28 06 2008

Bruno Tavares, O Estado de S.Paulo, 27 de junho de 2008

A velocidade média dos veículos em São Paulo no horário de pico da tarde despencou 32% nos últimos dez anos, passando de 25 km/h, em 1998, para 17 km/h, em maio de 2008. O porcentual é maior do que o crescimento da frota paulistana no mesmo período, que subiu de 4,7 milhões para 6,1 milhões - acréscimo de 23%. No pico da manhã, a velocidade média hoje é de 30 km/h. Uma das hipóteses para essa piora nos congestionamentos está no alto número de interferências no trânsito atendidas pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

Uma comparação entre as velocidades médias desenvolvidas por um carro e pelo recordista da Corrida de São Silvestre mostra o quanto a situação é crítica. Em 1995, o queniano Paul Tergat cumpriu os 15 quilômetros da prova em 43 minutos e 12 segundos (velocidade média de 20,8 km/h). Para fazer o mesmo percurso à tarde, um automóvel levaria 53 minutos. Leia o resto deste post »





Resposta da Unilever ao problema do óleo da palma

26 06 2008

No dia 5 de maio de 2008, publicamos a controvérsia entre DOVE (Unilever) e Greenpeace, a respeito do desmatamento da palma, para extração do óleo de palma, na Indonésia. Na época, publicamos também o e-mail que enviamos para a Unilever pedindo maiores explicações. Séculos depois (mais especificamente, 52 dias depois) a Unilever Brasil respondeu à minha mensagem. Isso depois do próprio Greenpeace ter anunciado em seu sítio que a Unilever anunciara moratória na extração do óleo de palma. Segue o e-mail da Unilverver abaixo:

“Boa tarde Manuel,

Por favor, visite o nosso site corporativo: http://www.unilever.com/ourcompany/newsandmedia/latestnews/sustainable-palm-oil.asp e entenda a nossa relação com a questão levantada pelo Greenpeace sobre o uso de Oleo de Palma.
Lá você encontrará outros links sobre o assunto que poderão sanar suas dúvidas.
Qualquer questão por favor entre em contato novamente.

Att,

Diogo Ganzella
Responsabilidade Social - Unilever Brasil”

Quem acessar o link, notará que a Unilever afirma textualmente: “O problema é simplesmente que a demanda por óleo de palma explodiu, em parte por causa do crescimento da demanda de índia e China, mas também por causa do uso do óleo da palma como matéria-prima para biocombusítvel”.

Ou seja, reconhece a Unilever que tudo que estamos falando há algum tempo é correto: O modelo de expansão dos padrões de consumo dos países centrais para a periferia gera insustentabilidade, bem como a substituição do petróleo pelos biocombustíveis gera insustentabilidade. Não é hora de repensarmos, nós, cidadãos, esse modelo de civilização? Será que a Unilever é capaz de repensar o modelo, quando a demanda pelo produto deles “simplesmente explodiu”? Eles vão abrir mão voluntariamente de uma oportunidade tão boa de obter lucros?





Número de refugiados ambientais pode atingir os 50 milhões em 2010

22 06 2008

Um relatório do Alto Comissário da ONU para os Refugiados, lançado ontem no Dia Internacional dos Refugiados, refere que os conflitos, as alterações climáticas e o aumento do preço dos alimentos são alguns dos factores que lideram o aumento das deslocações globais para 11,4 milhões de pessoas, contra as 9,9 milhões do ano passado.  

A Federação Internacional da Cruz Vermelha diz que os desastres climáticos são actualmente uma causa maior para a  deslocação de pessoas, mais do que a guerra e as perseguições.

O impacto global do ambiente nas condições de vida das pessoas está a criar um novo tipo de refugiado - o refugiado ambiental. O aumento do nível do mar, da desertificação, das inundações e desastres naturais mais frequentes vão tornar-se cada vez uma causa maior da deslocação de pessoas em várias partes do mundo. 

De acordo com um relatório publicado pela Universidade da ONU, há agora oficialmente 19,2 milhões de pessoas reconhecidas como “pessoas de preocupação”, ou seja, pessoas que provavelmente vão ser deslocadas devido a desastres ambientais. Esta figura estima-se que cresça para os 50 milhões no final do ano de 2010.

Ecoblogue, 21 de junho de 2008





O saque aos recursos naturais

21 06 2008

Nelson Peralta, Ecoblogue, 19 de junho de 2008

A acumulação desigual de capital tem sido conseguida essencialmente à custa da exploração do trabalho. A sua evolução porém levou o capitalismo a novas fronteiras com o desenvolvimento de uma esfera especulativa. A tentativa de apropriação da riqueza da esfera pública é uma prioridade, de forma a permitir a geração de fantásticas mais-valias e o controlo sobre vários factores sociais que deveriam pertencer à esfera da democracia. Assim, o assalto aos serviços públicos - saúde e educação entre outros - está na ordem do dia.

As grandes fortunas de hoje são o corolário desta tese. O mais rico dos mais ricos, Warren Buffett, limitou-se a especular na bolsa, uma actividade absolutamente não produtiva. A constituição de grandes fortunas à custa das privatizações a bom preço são incontáveis, desde toda a Rússia a Carlos Slim. Leia o resto deste post »