As notícias que vêm nas ondas agitadas

28 06 2008

Washington Novaes, O Estado de S.Paulo, 27 de junho de 2008

Mesmo quem esteja habituado à sucessão de notícias inquietantes na mal chamada área do meio ambiente não pode deixar de se espantar com algumas das mais recentes. Como uma da semana passada, sobre estudo feito na Austrália, com a participação da oceanógrafa brasileira Cátia Domingues, e que trabalha com a hipótese de que os oceanos estão aquecendo 50% mais do que se admitia - por causa do aumento da temperatura global, que intensifica mudanças climáticas. E esse fator, aliado ao derretimento de geleiras, pode vir a afetar ainda mais o nível de elevação das águas dos oceanos. Tanto mais preocupante quando se lembra que o último inventário global de emissões de gases que intensificam o efeito estufa acusou aumento de 3,1% em 2007. E uma das razões centrais está na China, já a maior emissora do mundo (24% do total, ante 21% dos Estados Unidos), onde o aumento no ano foi de 8%, com a previsão de que será ainda maior em 2008 por causa da maior fabricação de cimento necessário para a reconstrução de regiões atingidas por “desastres naturais”.

As notícias sobre dramas no mar estão em toda parte, inclusive no Brasil. Estudo das Universidades Federais da Bahia e do Rio de Janeiro, no Parque de Abrolhos, mostra que a principal espécie de coral ali pode perder 60% em meio século e desaparecer em um século. Seis tipos de doenças estão atingindo os corais, decisivos para a maior biodiversidade marinha do Atlântico Sul. Nos Estados Unidos, diz a Universidade da Virgínia que a costa do Texas e da Louisiana se está transformando em “zona morta”, principalmente por causa do nitrogênio das lavouras que ali chega levado pelas águas e pelos ventos, aliado a esgotos humanos e óxido de nitrogênio despejado pelas chuvas ácidas. Há não muito tempo, estudo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente concluiu que estão chegando ao mar, a cada ano, por aqueles caminhos, 100 milhões de toneladas anuais de nitrogênio, que favorecem a disseminação de algas e a perda da biodiversidade. Leia o resto deste post »





Gelo do Ártico está derretendo mais rápido que previsto

20 06 2008

O gelo do mar do Ártico está derretendo mais depressa do que no ano passado, apesar de um inverno rigoroso, sugerem dados obtidos pelo US National Snow and Ice Data Center (NSIDC). Os pesquisadores acreditam que nos próximos meses a calota polar pode encolher atingindo níveis jamais vistos antes, e se a tendência continuar, o mar do Ártico pode ficar sem gelo durante os meses mais quentes num prazo de cinco a dez anos. Eles observam que o gelo que se forma é fino e derrete com facilidade.
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O mar aqueceu 50% a mais que o previsto

20 06 2008

Os oceanos do planeta estão aquecendo-se mais 50% do que se previa até agora, e isso pode fazer com que as previsões sobre o aumento do nível do mar no fim deste século fiquem mais próximas do pior cenário. A estimativa é de um estudo australiano, publicado na revista científica Nature, segundo o qual os cientistas estavam subestimando a chamada expansão térmica, ou seja, o aumento do volume do mar em razão do aquecimento da água.

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Redução do carbono em 50% custaria 45 trilhões de dólares, diz AIE

7 06 2008

Começa a ficar claro a dimensão da mudança social, econômica e, portanto, política necessária para enfrentar o aquecimento global. O custo era até agora colocado de forma genérica – no máximo o custo das conseqüências de não mudar como percentagem do PIB mundial (como fez o relatório Stern, em 2006).

Mas agora os custos começam a aparecer na discussão, com a proximidade do pós-Kyoto exigindo definições dos governos. A redução em 50% das emissões de gases do efeito estufa até 2050, como vai propor o Japão na cúpula de Julho do G8, aumentaria a conta de energia do planeta em 45 trilhões de dólares, disse na terça-feira (3 de junho) a Agência Internacional de Energia (AIE). Lembremos que está é, do ponto de vista ambiental, uma proposta conservadora: só para estancar o aquecimento global é necessário cortar as emissões destes gases em pelo menos 80%.

“É muito dinheiro”, disse Peter Taylor, analista da agência, durante um evento sobre o clima na Alemanha. Ele antecipava dados do relatório intitulado Perspectivas da Tecnologia Energética, a ser divulgado na sexta-feira no Japão. Uma proposta agressiva de redução das emissões de carbono, segundo ele, “implica um sistema energético completamente diferente”. Por exemplo, a energia de fontes renováveis, como a hidroelétrica e eólica, deveria atingir quase metade da produção energética total, bem acima dos 18% atuais, disse Taylor à Reuters.

Cientistas dizem que é preciso reduzir as emissões de carbono para evitar uma catástrofe climática. Ao invés disso, as emissões estão aumentando.

Esta é uma versão desenvolvida de uma matéria publicada pelo Ecoblogue.

Leia mais sobre o assunto em:

Reuters (Reportagem com Peter Taylor)

Ecoblogue

Relatório “Perspectivas da Tecnologia Energética”

Kyoto Protocol

G8 (Link Alternativo)





A ofensiva contra o ambientalismo e as opções do Brasil

23 05 2008

As questões ambientais normalmente não são tratadas como temas centrais na disputa política, mas isso está mudando rapidamente, na medida em que a crise ambiental se agrava em todo o mundo, o petróleo e os alimentos encarecem e o apetite do agronegócio sobre a Amazônia aumenta.

Na semana que se seguiu à saída de Marina Silva do Ministério do Meio-Ambiente, o debate sobre a ecologia e as opções arcaicas do governo Lula e das elites brasileiras continuou no centro das atenções – em meio a uma ofensiva conservadora contra o ambientalismo. Em sua análise da conjuntura da semana de 14 a 20 de maio, o Instituto Humanitas da Universidade do Vale dos Sinos (RS) (ver sítio do IHU) mostrou como a disputa em torno da sustentabilidade se coloca como o debate central para o destino do Brasil. É um artigo longo, mas essencial, integrando muitos aspectos da discussão. Leia o resto deste post »





Salvem os Antibióticos

4 05 2008

Artigo de Marcelo Leite na Folha de são Paulo, disponível no blog dele. O artigo comenta um estudo de uma importante fundação norte-americana sobre o sistema industrial da produção de carnes, com consluões muito precoupantes para a saúde pública e o meio-ambiente.

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Lei punirá desperdiçador de água

16 04 2008

Pode parecer esquisito o título, mas é isto mesmo! A Assembléia Legislativa de São Paulo aprovou o projeto de lei que prevê multa de R$ 1488,00 para quem for flagrado lavando calçadas, o carro ou aguando plnatas com a mangueira.

Para isto virar verdade, precisa apenas da sansão do governador. Ainda não foi definido quem fará esta fiscallização, o DAEE ou a Sabesp.

Alguns desafios que ficam na mente são: Se as companhias de abastecimento de água são as maiores desperdiçadoras de água no Brasil, como ficará? Elas também serão autadas? Se a Sabesp for a fiscalizadora, como fará com as perdas na rede de água em Sampa, que chegam a 30,8% da água tratada?

Veja estudo do ISA: Abastecimento de água e esgotamento sanitário nas capitais brasileiras, em 2004.

Fonte: Estadão, 15/04/08





Emissões de CO2 da viagem da tocha olímpica

8 04 2008
A viagem da tocha olímpica, que percorrerá 135 cidades, durante 130 dias, irá produzir 9 mil toneladas de CO2, a mesma quantidade emitida durante dois anos por Tuvalu, pequeno grupo de ilhas do Pacífico ameaçado pelo aquecimento global…
(Fonte: Folha Online)

Postado por João Paulo Amaral




Aumento de CO2 deixa a soja mais vulnerável

26 03 2008

 

Colheitas de soja ficam mais vulneráveis ao ataque de insetos quanto mais alta for a concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, revela um estudo feito pela Universidade americana de Illinois.

Pés de soja submetidos a altos níveis de CO2 não apenas produzem mais carboidratos - que atraem mais insetos - como perdem a capacidade de sintetizar uma substância química que atua como um mecanismo de defesa natural contra os predadores, segundo os cientistas.

O experimento, publicado na edição online da revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, utilizou instalações que permitem expor as plantas de soja a diferentes níveis de CO2 e ozônio sem isolar a plantação de outras influências, como chuva, luz solar e insetos.

Os cientistas sabiam que altos níveis de CO2 aceleram a fotossíntese e elevam a proporção de carboidratos em relação ao nitrogênio nos pés de soja. Por isso, eles já esperavam comprovar que os insetos devorariam mais plantas submetidas a CO2 para conseguir alcançar o nível de nitrogênio de que eles precisam.

No experimento prático, entretanto, os resultados não apenas demonstraram a validade desta hipótese, como exibiram um efeito diferente: os insetos atraídos para as plantas submetidas a altos níveis de CO2 viviam mais e se reproduziam com mais facilidade.

Para comprovar que este efeito não se deveu simplesmente ao aumento do carboidrato nas plantas, eles repetiram o experimento mantendo o nível alto de açúcares nos pés de soja, mas baixando o nível de CO2 a que eles eram submetidos. Os prejuízos causados por insetos não foram tão grandes como no primeiro caso.

“O que descobrimos é que as folhas submetidas a altos níveis de CO2 perdem sua capacidade de produzir ácido jasmônico (uma substância que dificulta a digestão das folhas soja pelos insetos)”, disse um dos cientistas, Evan DeLucia.

“As folhas já não estão protegidas adequadamente, e todo o sistema de defesa é posto abaixo.”

CO2 - A pesquisa é divulgada no momento em que líderes mundiais se unem à comunidade científica para discutir como conter a concentração atmosférica de CO2 para frear o aquecimento global.

Algumas previsões consideradas pelos cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), da ONU, estimam que a concentração pode saltar de cerca de 380 partes por milhão (ppm) atualmente para 550 ppm até 2050.

Para se ter uma idéia, a concentração era de 280 ppm nos 600 mil anos anteriores à Revolução Industrial, no século 18.

Ecologistas acusam produtores de soja no Brasil e nos Estados Unidos de piorar o cenário, destruindo mata nativa e gerando gases que causam o efeito estufa.

Os cientistas americanos vão agora analisar se o aumento da vulnerabilidade a insetos pode ser verificado em outras plantas expostas a altos níveis de CO2.

(Estadão Online)





Inclusão?

25 03 2008

Operadoras de telefonia fixa levarão banda larga para 55 mil escolas públicas urbanas do Brasil?

O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins, afirmou que sim. Segundo com o ministro, as teles terão de oferecer esse serviço gratuitamente por pelo menos 18 anos, conforme as exigências do PGMU (Plano de Meta de Universalização) proposto pela Anatel. A negociação foi fechada com prestadoras a Telefônica e Oi/Telemar.

Nas grandes cidades, esse serviço deve começar imediatamente, uma vez que as companhias já oferecem acesso pago nos grandes centros. De acordo com a proposta, a disseminação da banda larga nas escolas servirá como agente multiplicador para que futuramente a comunidade se interesse em consumir Internet rápida, o que dará retorno financeiro às companhias.

Porém, nada é de graça. A negociação com as teles para levar banda larga para as escolas foi em troca da universalização da telefonia fixa no país.


No plano inicial o acesso à banda larga se dará em três fases: 40% das escolas em 2008, 40% em 2009 e 20% em 2010. As que ficarão para o final são as escolas localizadas em cidades menores e mais distantes dos grandes centros - como sempre.