Planeta dirigido pelos humanos: hora de tornar oficial

26 01 2008

O título do post acima foi a chamada de um artigo (clique aqui para acessá-lo) da Science comentando um artigo de um grupo de geologistas que propunham um início de uma nova era: já tivemos o paleozóico, Cenozóico e agora (na verdade já desde 200 anos atrás) estaríamos no antropoceno, isto é, era do homem, em virtude do fato de que agora é o homem que determina as principais mudanças no planeta, desde seu impacto nas espécies animais e vegetais, passando pela mudança de paisagem até as mudanças no clima da terra.

Teríamos terminado o holoceno (que significa inteiramente recente), que começara logo após o fim da última era do gelo cerca de 10.000 anos atrás. A época mais recente seria, o grupo propõe, o antroproceno.

Será que no futuro teremos um filme animado sobre o fim da holoceno, quando ainda éramos sustentáveis no mundo?





Biciletada hoje, 25/01

25 01 2008

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Acontece hoje a tradicional bicicletada em São Paulo, no aniversário da cidade. Saindo de diversos pontos da cidade, os ciclistas devem se encontrar as 16h na praça do ciclista.

O coletivo Ecologia Urbana apóia bicicletada e estaremos lá participando com nossas bicicletas, skates etc.





Termoelétrica a partir de Biogás em SP

25 01 2008

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Estava prevista para hoje, 25 de janeiro de 2008, a inauguração da segunda unidade de geração de energia a partir de biogás da cidade de São Paulo, localizada no aterro São João, Zona leste, estrada de Sapopemba. Aparentemente vai operar usando o lixo do local, para gerar 200.000 mgw por ano.

Aparentemente esse tipo de usina reduz a emissão de poluentes, principalmente o gás metano, ao aproveitar a decomposição de lixo como matéria prima para geração de energia. As empresas que vão operar essa usina poderão vender a “despoluição” gerada como crédito de carbono, tal como previsto pelo protocolo de Kyoto. Tem até banco envolvido no negócio.

Se alguém tiver mais informações e quiser compartilhar conosco, seja bem-vindo.





Comer picanha clonada?

25 01 2008

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Fiquei sabendo de um ótimo artigo (pelo blog do Marcelo Leite) sobre carne de animais clonados, que foi aprovado pelo FDA nos EUA como livre de risco para os usuários. O artigo foi publicado no New York times, em inglês. Clique aqui para acessá-lo.

Para quem não lê inglês, um breve resumo do artigo. O FDA (Federal Drug Administration), um espécie de Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) de lá aprovou como sem risco para consumo humano a carne clonada. O que está atrasando a entrada no mercado desses produtos é que o Departamento (Ministério) de agricultura de lá pediu para que os produtores esperem até que o preconceito (sic) dos consumidores diminua.

Segundo Verlin Klinkenborg, autor do artigo, a medida deve beneficiar apenas as grandes empresas de alimentos, mas deve prejudicar todo aquele que realmente se importa com a diversidade da comida, não uniformidade. Do mesmo modo, uma agricultura que favorece cultura de animais clonados dificulta outras formas de criação de animais, tendendo mais uma vez à uniformização. É bom lembrar que outras técnicas - como inseminação artificial - permitem que a natureza faça das suas misturas que geram a diversidade. Já a clonagem não permite isso.

Pra terminar esse resumo, uma passagem do texto (com a tradução em seguida):

“Cloning is not unnatural. It is natural for humans to experiment, to try anything and everything. Nor is cloning that different from anything else we’ve seen in modern agriculture. It is another way of shifting genetic ownership from farmers to corporations. It is another way of creating still greater economic and genetic concentration in an industry that has already pushed concentration past the limits of ethical and environmental acceptability.”

“Clonagem não é anti-natural. É natural que humanos experimentem, tentem uma coisa e outra. Nem é clonagem tão diferente do que nós vemos na agricultura moderna. É uma outra maneira de passara posse genética dos fazendeiros para corporações. É uma outra forma de criar ainda mais concentração econômica e genética em uma indústria que já levou a concentração além dos limites éticos e ambiental aceitáveis”





Retomando os trabalhos

24 01 2008

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Após as orgias consumistas e gastronômicas de final de ano e a consequente desmobilização que isso gera, o coletivo volta a se encontrar em janeiro com (talvez) muita energia reciclada e novas idéias.

A 1ª reunião do ano foi muito boa, segue alguns dos pontos importantes:

- ficamos de engrossar nossa participação no GT de Meio Ambiente e no próprio movimento Nossa São Paulo;
- Iremos realizar uma campanha pública (para além das políticas públicas, algo que não dependa em princípio do poder público) pensando em focar alguns aspectos insustentáveis do nosso atual modo de vida. Talvez abordaremos alguns hábitos de consumo como o uso irracional de sacolas plásticas, garrafas pet, água mineral, etc.).
- e realizar um seminário no mês de Abril sobre “mudanças climáticas e transformação social na cidade”.

Para acessar o resto da ata entre no nosso egrupos, mande um email para ecourbana@lists.riseup.net, ou vá ao site rise up e subscreva seu email, por favor se indentifique!





Volta pós-festa e o Congresso Norte-americano

6 01 2008

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Olá a Todos,

Após as festas de fim de ano, é tempo de retomar as discussões e ações sobre ecologia urbana. E como ficou faltando uma notíciazinha que fosse sobre Bali, o encontronto sob a égide da ONU que visa a produzir um acordo que substitua Kyoto, algumas breves avaliações:

1.  O histórico de Bali é o seguinte: tudo começou em 1988, quando foi criado o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, na sigla em Inglês). Em 92 teve a ECO-RIO, quando se adotou a Convenção de Mudança Climática. Por fim, em fins de 97 e início de 98 a concretização do acordo de 92 com o protocolo de Kyoto. Como se vê, as negociações diplomáticas são mesmo demoradas e não seria de se esperar que fossem diferentes em Bali.

2. Parte da mídia tem concentrado as notícias sob a ótica do aquecimento global. E de fato este é um aspecto importante. Mas notem que mesmo os governos, sempre conservadores, entendem que a questão é maior do que isso e tratam-na por mudança climática - que aparece tanto na conveção de 92 quanto no nome do painel criado em 88. 

3.  Os EUA continuam resistentes a aceitar compromissos internacionais na área ambiental, mas é bom lembrar que mesmo quando o time negociador dos EUA era liderado por Al “Nobel” Gore, na época das negociações de Kyoto, os norte-americanos eram os violões da história. Não somente não conseguiram ratificar o acordo durante o governo Clinton, como durante as negociações o time de diplomatas liderados por Gore sistematcamente rebaixou as ambições do acordo de Kyoto e do compromisso norte-americano. Em resumo, o sistema político norte-americano - leia-se o congresso dos EUA - dificulta a assunção de compromissos internacionais relevantes na área.

4. O que nos leva, finalmente, à foto do Post, o Capitólio dos EUA,  possivelmente um dos maiores se não o maior obstáculo às negociações internacionais: o congresso norte-americano. Num livro já antigo, mas ainda um clássico, o cientista político norte-americano Morris Fiorina apresentava a explicação para o que era chamado na época de Washington Stablihsment; tudo baseado na chamada “conexão eleitoral”.

5. Para entender a conexão eleitoral, temos antes de conhcer um pouco o sistema eleitoral dos EUA. No Brasil, um deputado de São Paulo só pode ser eleito pelo Estado de são Paulo. Dizemos então que esse deputado concorre no distrito eleitoral de São Paulo. Nos EUA, ocorre a mesma coisa, com duas diferenças: i) os distritos são muito menores que um Estado. São restritos a cidades ou regiões aglomerando algumas cidades; ii) apenas um único deputado pode ser eleito por distrito. Assim, como o distrito é pequeno e há apenas um deputado eleito por distrito, todas as políticas boas e ruins, oriundas do nível federal, que ocorrerem no distrito será culpa ou mérito do deputado.

6. Imginem então que os EUA assinem um compromisso internacional que exija ainda que por um curto período - um ou dois anos - modificação na atuação de uma indústria que está localizada em um distrito eleitoral de um deputado. Ora, este deputado será contrário a esse acordo. Agoa imaginem que esse acordo atinja tantas indústrias que muitos e muitos distritos diferentes serão afetados. É o caso do problema da mudança climática e do aquecimento global. Eis uma das razões porque o congresso norte-americano é tão obstrucionista. Cada deputado que jogar a conta a pagar para o outro distrito. Como isso não é possível, preferem fazer um acordo entre si e agirem em conjunto para bloquearem qualquer acordo internacional dos EUA.